terça-feira, setembro 22, 2009

Poesia

Desde míuda que acho este poema muito forte...há bastante tempo que não ponho aqui poesia, mas hoje cruzei-me com ele na net e fez-me relembrar o quanto eu gosto de Garrett.

Almeida Garrett
Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.
Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai! não te amo, não!
Ai! não te amo, não;
e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.Não te amo. És bela;
e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?
E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.
E infame sou, porque te quero;
e tantoQue de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...Mas amar!... não te amo, não.