segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Cuba, Mi Amol

Dia 02 de Janeiro começa a ser um marco na minha vida...há 2 anos que decidi que não há melhor maneira de começar o ano a não ser...na praia!
:)

O fim-de-ano adivinhava-se aborrecido...e eis que na véspera de Natal tomo uma decisão apressada mas já mt característica da minha pessoa: vou p Cuba!
E assim foi, Miss Verinha, a xuxu semi-espanhola após 2 segundos e meio de indecisão aderiu fervosamento ao projecto e partimos as 2 em busca de calor, rum, salsa, fidel, Che, revolução e muitooooooooo sabai (ou Dolce Fare Niente, lol).

Não sei bem o que esperava de Cuba, sabia há muitos anos que queria vê-la assim, ainda comunista, mas chocou-me. O Bem-Comum é um ideal muito bonito, o acesso à educação, cultura e saúde é de facto uma conquista excepcional, mas a falta de livre-arbítrio é difícil de aceitar para quem nasceu em democracias.

A pobreza, a inexistência de tudo e mais alguma coisa, a “prisão” intelectual a que são obrigados a viver, revoltam-me e essa indignação supera a minha benevolência para com os senhores comunistas que definem os caminhos do seu rebanho.

O povo cubano é amável, educado, culto, não é submisso nem subserviente, mas antes diligente e atencioso, mantendo a sua postura.
Defendem a sua revolução com unhas e dentes, mas entre frases perdidas sentimos a sua tristeza quando lhes perguntamos se não sentem que é injusto o resto do mundo entrar em Cuba com tudo e eles ali..sem nada, nem a autorização para sairem daquela ilha....e tendo que recorrer a um mercado paralelo para conseguir um sabonete, uma pasta de dentes extra...um mimo que a sua caderneta de víveres não lhe atribui.

Complicado é perceber que um médico prefere vender sanduiches ou conduzir um taxi que exercer a sua profissão para o estado...onde ganha de tabela 60€ mensais!

Complicado é reclamarmos porque a comida não é diversificada, quando nós temos acessa a 90% de produtos que eles não têm, na sua própria ilha!...

E, como sempre, nada se fala das crueldades que também estes comunistas cometeram em prol da sua ideologia, matando impiedosamente os antigos apoiantes do Baptista...é aqui que me deparo com a questão: o que é que os distingue nesta matança?

E muito muito mais há para falar deste comunismo à beira da ruptura...e no que se irá tornar em breve. Na minha opinião, poderão acontecer uma de 2 situações: ou os cubanos, que são altamente competentes e cultos, se transformam numa mega comunidade produtiva e de sucesso quando tiverem acesso ao capital para investir, ou se perdem nas mãos americanas e na cultura de quantidade dos EUA, sem capacidade de resposta face a um mundo que se move a uma velocidade estonteante em comparação à deles.

Uma coisa é certa: a sua cultura nunca mais será a mesma.

Entrando em maior detalhe na viagem, não sendo o que tinha sonhado com a minha ida ao país de Che e Fidel, em que me perderia pelos caminhos e terras, entrando no povo e no seu dia-a-dia, chegando a cayos sem turismo....lá fui num “pacote” (credo, até esta palavra me assusta) Havana + Varadero...

Havana palmilhámos ao pormenor, caminhando durante dezenas de kilometros dos bairros mais turísticos aos menos conhecidos, e o seu espírito é de facto incrível. Só faltou mesmo o calorzinho, pq apanhámos uma frente fria e não tava verão no seu melhor, mas enfim...

Praça da Revolução (sem ser permitido atravessar do centro para os passeios laterais, e com guardas armados em todo o lado), Passeio do Prado, ex-Capitólio, Igreja de S Francisco, Catedral, Forte, ruas típicas, La Floridita, La Bodeguita del Medio, Hotel Ambos os Mundo e muito, muito Hemingway....lá fomos provando as delícias do Rum nos seus vários formatos: Run Collins, Mojito, Daiquiri, etc etc... :):):)

Depois seguimos para as praias de areia branca, farinha, e agua azul turquesa, tão clara e transparente que nos imaginámos num postal. O tempo começou a melhorar e sempre que havia um raio de sol mais durador parávamos as actividades (tennis, caminhadas, copos, etc) e ficávamos esponjadas ao sol na praia. Ok, ainda fiz corrida matinal na areia e fomos passear à vela num Hobbie cat mt porreiro.

Mas Varadero é outra realidade, é turismo em barda, é exploração, é outro feeling...não deixando de ter uma praia fabulosa, ainda teria muito que alterar se não quiser enverdar ainda mais pelo turismo de massa que já é e converter-se num turismo de qualidade.

Mas foram umas férias muito muito boas, sobretudo pela companhia da minha querida xuxu Verinha que alinha em todas a minhas loucuras, talvez por ela ser igual em versão xanax.
Hasta la Revolución?

S

ps- entretanto já em Portugal fui ver uma exposição do Korda, célebre fotografo do El Comandante, que tirou a famosa foto do Che que hoje circula por todo o mundo como símbolo de revolução. Muito gira!

1 comentário:

Verduxe disse...

igual a ti, em versão xanax?!?!?! heheheh
ainda não tinha lido este teu post!!
Mto bons momentos passámos!! :)