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De regresso à Ásia.
Sou fanática por esta parte do globo. Acredito que o espírito que se vive ali é a versão mais positiva da vida, mais verdadeira e, no fundo, a mais simples de se alcançar a felicidade…ou o mais próximo dela possível.
Ia emocionalmente instável e determinada a pôr no campo das memórias o último capítulo da minha vida. Das boas memórias diga-se, mas que nem sempre têm um final feliz.
Pensei que ia sozinha, tinha um plano muito simples em mente…voar até Londres, passear e visitar uma amiga e depois seguir para Hanói, alojar-me num hostel algures no centro da cidade e ver as próximas saídas para Halong Bay. Mais não sabia o q me esperava, nem queria saber. Sozinha foi efectivamente o que quase nunca estive!
Antes não pensava assim, mas quanto mais viajo mais acredito que quanto menos lemos, menos pesquisamos imagens na internet, menos expectativa criamos e maior é a nossa surpresa e admiração do desconhecido. Quando uma paisagem, um templo, uma cidade, uma rua já nos passou várias vezes pela retina através de um ecrã, o seu real confronto nunca é tão intenso.
Vou transcrever parte do meu livrinho tal como senti e vi tudo naqueles dias….acrescentando o que o tempo, por escassear às vezes, não me permitiu pôr por palavras, mas que ainda me recordo tão bem…
13 Outubro 2011 – Lisboa -Londres
Arranco para mais uma aventura, que começa logo com uma boa surpresa no aeroporto: a companhia inesperada, na mesma fila do avião para Londres, da Maria Domingas, tio Pedro e tia Rita (pai e madrasta da Mingas).
O caminho deles aqui separa-se do meu – eles seguem para a Índia – mas foi um bom prenúncio.
Londres é uma cidade tão acelerada e cosmopolita, vamos ver o que reserva hoje para mim…para começar, está sol!
Penso que estou finalmente sozinha e eis que, ao chegar ao controlo de passaportes encontro a Sara, uma rapariga que tinha conhecido 15 dias antes em Portugal, numa saída de amigos ao cinema. Lá tive companhia até ao metro…again, um Mundo T0 :)
O passeio em Londres foi muito bom e deu para fazer o típico: Picadilly, Trafalgar square, Big Ben, Westminster, Convent Garden e visita à National Gallery (sempre que lá vou pergunto a mim mesma quando é que Portugal terá este tipo de cultura gratuita também, disponível para o povo).… e descansar finalmente num Wifi Café a ver o rush desta cidade enquanto converso com amigos na net e aguardo a Sofia Rocha para um cup-of-tea!
O metro pregou-me uma pequena partida e atrasou 40 minutos, tempo suficiente para ter de correr loucamente para a porta de embarque…quando tinha tido uma escala de 9h! unbeliavable…final feliz , parece que os meus treinos de jogging estão a dar resultado :)
E estou a bordo da Qantas para Bangkok…2nd round!
A aterrar em Bangkok vi os campos inundados pelas enormes cheias que o país atravessava, as estradas metade afundadas, as plantações gigantes submergidas…que sensação de impotência perante a mãe Natureza. Mas as chuvas tinham parado e estava sol. Sol e esperança.
14 de Outubro 2011 – chegada a Hanói (VIETNAME)
Cheguei a Hanoi no dia 14 de Outubro de noite. Tinha perdido um dia. Vi o “Breakfast at Tiffany’s” e aterro um bocado nostálgica, uma sensação que vem das muitas horas e da distância que começo a ter de Portugal.
Feeling em Hanói: estou tranquila, cansada, curiosa. Dormi o voo inteiro de Londres para Bkk mas não o de Bkk para Hanói…preciso de uma cama. Escolhi o Hanói Backpackers, quarto dormitório feminino, com mais 5 raparigas. Conheci apenas uma delas, holandesa, que ainda dormia quando saí de manhã. A visita à cidade iria ficar para uns dias mais tarde pois senão perderia a trip a Halong Bay.
Factos
Voos:
LIS-LON – 2h30 + 9h de escala
LON-BKK – 11h (dormi 7h30)
BKK – HANOI – 1h30
Hostel: Hanoi Backpackers (6$/noite)
Aeroporto – centro da cidade – NÃO é preciso mesmo ir de táxi (que custa 18$ cada percurso)…há umas mini vans que levam os locals para o centro, óptimas e com A/C, que custam…2$! Mesmo à saída do aeroporto do lado direito, just ask!!
Visto: tirei em Madrid (60€) mas podia ter feito o visa online request e havia um desk mesmo à chegada…
Vietname: 329.560 kms2 . 86,1 milhões de habitantes. Capital: Hanói: 3 milhões.
1 EUR = a 30.000 VND (Dong Vietnamita). GMT+7.
15 Outubro 2011 – Halong Bay (VIETNAME)
Esta manhã conheci o Fernando, um miúdo 5* de Saragoza, backpacker sozinho como eu…pena já ter vindo a Halong Bay, senão teria sido uma excelente companhia. Tomámos o pequeno-almoço juntos, fomos dar um passeio rápido e separámo-nos pois eu tinha de arrancar para Halong Bay, uma das 7 Maravilhas do Mundo!
….
Este lugar é lindo. Lindo. Lindo. Lindo. Estamos no barco, uma réplica perfeita dos tradicionais barcos vietnamitas, onde vamos passar os próximos 2 dias.
Não está sol mas muito calor. O grupo é porreiro, na maioria mais novos, como em todo o sudoeste asiático, australianos e ingleses, mas também holandeses, alemães e checos.
A música podia estar mais baixa, ou então eu é que estou a ficar velha :P
Roomate no barco: Mariola, uma dutsh girl com uma voz estridente mas muito simpática.
Com o jet lag sinto-me cansada e não consigo pensar muito, mas isso pode ser bom. Não pensar de mais, sobretudo num lugar fabuloso destes.
Depois de almoço juntámos 2 barcos braça-a-braça e foi tudo ao banho naquelas águas quentes e turquesa, gr salto do 3 andar (…até doeu). Espectáculo! Afinal não estou assim tão velha . Sessão de caiaque pela baía com este cenário idílico de fundo…
…e Mundo T0 novamente: dentro de uma caverna ia a conversar com um israelita e falo-lhe num amigo que tenho em Tel Aviv, que conheci na Costa Rica no ano 2010, o Danny Djanoly, e ouvimos alguém gritar do fundo da caverna: era outro israelita que tinha estudado com o Danny :).
Estas coincidências que me acontecem constantemente na vida deixam-me ainda perplexa e maravilhada com a pequena-grande dimensão da nossa existência.
No grupo do barco somos imensos, gosto particularmente do Mick (Australia), da Emma, Peter e Thomas (os 3 GB), mas ainda conheço mal os outros. Há 3 alemães de Munique e uma holandesa, todos muito porreiros (com quem acabei por passar quase o resto do tempo).
A minha vida leva-me sempre por caminhos que não entendo. Nunca são os mais fáceis. Exigem sempre de mim partir, estar sozinha, procurar a beleza e a diferença no Mundo. Só que este ano também me mostrou que a felicidade em casa pode ser perfeita, e isso faz com que o meu entusiasmo para viajar seja agora diferente, menos expectante.
Mega festa a bordo, acabei a ver as estrelas no deck superior e a conversar com um americano novíssimo que me surpreendeu pela positiva: culto e sem preconceitos com o mundo…Ben, foste um excelente exemplo da excepção à regra.
Amanhã ao final do dia vou conhecer o grupo com quem vou passar as seguintes 14 noites. I’m curious.
16 de Outubro 2011- Halong Bay –Hanói (VIETNAME)
Este tour foi genial. O grupo tem pessoas mesmo fantásticas e adoro este mix cultural. O cenário indescritível. A água quente. Dormi que nem um bebé. Não tenho tido um segundo, nem sequer para ler o guia (aliás, este facto ocorreu o resto da viagem inteira e acabei por desistir de ler guias, lol). Há sempre alguém.
E no meio desta gente que celebrava a vida encontro um grupo de 3 colegas que trabalhavam na Honda e estavam no sudoeste asiático por uma razão chocante: a sua fábrica na Tailândia encontrava-se inundada pelas enormes cheias que o país sentia neste momento e procuravam uma alternativa de produção…gorada… uma tragédia que punha os seus empregos, e de muitos outros trabalhadores, seriamente em risco.
O caminho (agora de regresso a Hanói) foi uma surpresa, pelo meio dos campos de arrozais, das incríveis e típicas casas vietnamitas de influência – claramente – francesa. Não esperava esta arquitectura e o efeito no meio do campo é extraordinário.
Chegamos a Hanói.
Hanói foi uma cidade que me surpreendeu muito. Adorei a energia. Adorei o antigo e o novo, as ruelas caóticas e as grandes mansões francesas, museus (como o Museu da Mulher, que gostei mesmo muito) e vendedores ambulantes, mercados de rua e hotéis de charme e luxo…uma cidade cheia de vida.
Fui conhecer o grupo com quem ia começar a parte Intrepid da viagem:
- A Megan (Australiana) – que passaria os restantes dias quase sempre de garrafa de cerveja na mão, sem sapatos, sem grande consciência da vida mas muito animada com amigos novos a cada noite! Eheheh. A cada um o que lhe faz feliz!...a meu ver, ela é muito nova e perdeu algumas coisas essenciais da trip, mas com certeza que se divertiu – e muito – no resto ;)
- A Jennifer – uma aussie de Perth tipo mamã super cool, onda meio hippie, com quem dividi quarto muitas noites …e que adorava acordar-me de madrugada com perguntas essenciais apenas à sua existência! Lol…mas uma querida à mesma :)
- A Karen – my best friend in the all trip , e com quem continuei depois a viagem mais tarde, só as duas, pelo norte da Tailândia. Uma Kiwi de Wellington – NZ – completamente diferente de mim (a Jennifer costumava dizer “tu és a europeia cosmopolita e poliglota que vive pelo mundo, ela a menina do campo que tem sonhos cor-de-rosa” e era verdade, mas acho que os opostos atraem-se mesmo nas amizades. Estivemos quase sempre juntas.
- O Milles e o Herman: 2 senhores canadianos, já nada novos, que tinham dado aulas juntos uma vida inteira e que apostaram que um dia que se reformassem iriam fazer uma viagem radical juntos, deixando as mulheres e filhos em casa. E foi. Para mim foram um exemplo de descontracção, de aceitação, de espelho de experiência de vida vivida mesmo quando não conhecem metade do mundo…sempre cool, sempre de garrafa de vodka na mão quando os via ao final do dia.
-last, but not least, a NOK, uma thai gordinha que fez de guia e que nos surpreendeu pela sua dedicação e boa vontade.
Por agora, deixo-os a todos e corro a ter com o Mick e Stephanie para uma volta pelo lago de Hanói, os seus mercados e ruelas do bairro antigo. Juntámo-nos aos 3 alemães de Munique e fomos jantar.
…aqui tive uma peripécia que vou deixar escrita apenas para minha recordação…eheheh…como não tinham nada sem carne no restaurante disse-lhes que ia buscar uma sandes e voltava…mas conheci na rua um neozelandês (giro) e um casal de ingleses (já com os copos) e acabámos a jantar os 4 noutro restaurante, :P…juntei-me ao meu grupo inicial a seguir pois já estavam à minha espera na rua, no bar em frente, para umas Bia Hois (cervejas). Não lhes contei que tinha jantado com os outros, lol. Mas fiquei convencida que a Nova Zelândia é um país a ir muito em breve, :p
17 de Outubro 2011 – Hanói – Vinh (VIETNAME)
A manhã foi a passear em Hanói. Que já descrevi acima e que adorei. Entusiasmei-me e perdi-me pelas ruelas… fiz atrasar ligeiramente a saída do bus, lol, que saía ao início da tarde…mas depois a viagem até Vinh foi tranquila, era uma etapa da viagem sem grandes marcos pois é uma cidade feia, na costa do Vietname, para pernoitar antes de iniciar as 12h de bus para Vientiane, a capital do LAOS.
18 de Outubro 2011 – Vinh – Vientiane (LAOS)
São 12h de caminho incríveis. A viagem não é um meio para um fim, mas um fim em si mesma. As montanhas do Laos, os seus rios de correntes castanhas e poderosas (mais de 80% do Laos é montanha e vivem, para além do ópio, da venda de Energia), as suas aldeias de cabanas em palafitas altas, a vida rural, o povo sempre sorrindo. Não há nada mas há tudo.
Seguimos ao lado do grande Mekong, através do famoso caminho de Ho Chi Min, palco dos maiores bombardeamentos da história da Humanidade.
O Laos foi o país mais bombardeado no Mundo e ninguém fala nele. Os B52 caíram dos céus aos milhões, muitos deles libertaram minas que estão ainda hoje por explodir. Das 260 milhões de bombas lançadas 1/3 ainda não explodiu! Ainda hoje há pessoas inocentes a ficarem mutiladas e a perder a vida. Um povo que nada fez e tanto sofreu é hoje, contudo, uma surpresa de felicidade e paz.
Nos rios há dezenas de embarcações feitas de carcaças de B52, é impressionante.
Há um silêncio que me envolve e deixa redimida em simultâneo. Gosto deste país de imediato.
Nota: Na fronteira há que ser discreto e respeitar a cultura conservadora deste povo. Roupas simples e sem grandes decotes, nada que lhe possa provocar um choque cultural. Afinal, estamos no seu país.
De peripécias neste trajecto apenas um furo que tivemos no caminho, mas que rapidamente foi solucionado…pela velocidade a que seguíamos acredito que o motorista já o sabia há muito tempo mas estava a tentar chegar a uma zona em que pudesse reparar o furo. Naquelas estradas esburacadas é mais que expectável…
Chegámos por fim a Vientiane, a capital do Laos, com 442.000 habitantes.
Factos Laos:
236.800 kms2 . 6 milhões de habitantes, maioritariamente budista. Capital: Vientiane - 442.000 habitantes. GMT+7.
1€=10.800 LAK (KIP Laoense)
Depois de um jantar magnífico fui beber um copo com a Karen e…engoli um mosquito! Fiquei preocupada com as doenças e despejei um Gin Tónico de penálti…ehehehe, parece que a água tónica tem quinina…e sabe sempre bem um Gin a acompanhar. :) conhecemos um casal gay de ingleses que tinha chegado à Ásia de Transiberiano, aí está uma viagem a fazer também um dia, bem acompanhada, passando pelas paisagens inóspitas da Mongólia numa carruagem-cama com uma boa leitura ao lado. Um dia. Mais tarde. Por agora “chocámos” com um concerto hip-hop Laoense…que não consigo descrever, lol, mas q deu p uma boa risada.
O Laos era dividido em 3 reinos, daí que além da flor, tenha como símbolo 3 elefantes. A influência francesa também é enorme, mas não domina a arquitectura como no Vietname.
Gostei deste 1º impacto da cidade.
19 de Outubro 2011 – Vientiane (LAOS)
O dia foi dedicado a conhecer a cidade. Tivemos um momento único (provavelmente na vida), em que no templo Wat Sakef (bem no centro) fomos recebidos por um monge em privado, que rezou connosco e a quem fizemos oferendas. No final abençoou cada um individualmente e colocou uma pulseirinha de boa sorte. Até eu que não costumo ser muito espiritual fiquei emocionada com a cerimónia. Acendi uma vela a Buda e saiu-me o número 7…diz o Nikon (guia q nos acompanhou nesta parte) que vou ter muita sorte e dinheiro até Abril 2012 (passados meses concluo que o dinheiro deveria ser a indemnização que recebi da empresa …e sorte provavelmente foi ter saído de lá e começar uma vida nova…justamente no final de Março…mas estas interpretações podem estar erradas!).
Na altura escrevi o seguinte no meu caderninho “trocava o $ por um amor novo. Pensei muito em Portugal e no que ando a fazer da minha vida”.
No resto do dia visitámos o Mercado, o Arco do Triunfo (mais uma influência francesa, mas este com acabamentos budistas, eheheh) e acabámos a ver o pôr-do-sol no Mekong e a beber vinho branco com snaks…delicioso.
20 de Outubro 2011 – Vientiane – Vang Vieng (LAOS)
Às 09h30 já estávamos no public Bus para Vang Vieng, aproveito para conversar com o Con e o Andrew (que tínhamos conhecido na noite anterior). As paisagens continuam deslumbrantes, estes caminhos são viagens em si mesmos. Jantámos numa “quinta” biológica e fomos ao famoso QBar…que na realidade é um bar cheio de jovens (muitoooo jovens), muitooo bêbados, com música aos gritos, festa rija e …mais umas coisinhas.
Vang Vieng é uma cidade para turistas [a original foi reconstruída uns poucos kms + à frente para o povo laoense] que vêm disfrutar das actividades na Natureza e …sobretudo…beber copos e comer cogumelos mágicos, entre outros, enquanto se desce o rio numa bóia – o famoso Tubbing! A paisagem à volta da terra é brutal, montanhas de Limestone rock, um rio com grandes correntes e verde, muitooo verde, com uma ilhota ali no meio e casinhas de madeira tradicionais suspensas (mas há pouca habitação uma vez que a população se mudou + para norte para não viver no meio dos turistas). Há imensa coisa que se pode fazer a partir dali.
Gosto imediatamente do local…é super laid back.
A história do Laos persegue-me cada vez que olho para um barco.
Convenci a Karen (foi fácil) e fomos fazer uma massagem p recuperar das várias horas de estrada que já levávamos…magnífico!
21 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
[não me lembro do nome da Guest House, mas era super simples, limpinha e tranquila, com uma varanda fixe p estar no relax]
Saímos de manhã cedo para a caverna Phom (Caverna da Água) com um cenário de cortar a respiração. A gruta foi uma grande surpresa, entrámos deitados nas bóias e puxando cabos que estavam nas paredes…e nunca pensei gostar tanto, cheia de formações rochosas coloridas e variadas. Almoçámos uma refeição tradicional, divinal, numa cabana de madeira, tendo folhas de banana como pratos (amo esta versão ecológica e gostava de importar).
As 2 inglesas, + os holandeses, que tínhamos conhecido seguiram para os cayakes e nós para o tubbing.
Descer o rio numa bóia com um cenário destes é indescritível. O tubbing de Vang Vieng é conhecido por todos os viajantes do sudoeste asiático…e essa fama vem do facto de à beira-rio durante os primeiros kms do rio, existirem bares em casinhas de madeira suspensas com mega festas e actividades aquáticas para fazer (eu andei nos escorregas artesanais de azulejos que caem para o meio do rio e de onde se tem de ser “pescado” imediatamente por causa da corrente), por cada shot recebe-se um carimbo no corpo ou uma tatuagem de tinta e muitos não chegam a conseguir descer o rio nas bóias …que têm de ser entregues até às 18h… dado o estado final.
Começa-se a descer o rio e os empregados dos bares atiram bóias feitas de garrafas com paus para “pescar” os interessados nas festas.
Cheguei a ouvir barbaridades cá em Portugal como “não vão a Vang Vieng que é perigoso”…cada um sabe de si e faz o que quer, ninguém mete o álcool ou as drogas pela boca se não quiser. É tudo acessível e barato, mas é à vontade do freguês! (as ementas têm cigarros de ópio e batidos de cogumelos mágicos) Eu fiquei-me pelas jolas de bar em bar pois queria mesmo fazer o tubbing até ao final, o rio é deslumbrante e seria uma pena perder aquilo.
O Herman aceitou um Happy Shake sem saber o que era e foi muito divertido…ehhehe…em Vang Vieng TUDO o que diga “HAPPY” significa que é feito com cogumelos mágicos (pizzas, batidos, etc etc) mas não explicam isso à cabeça e o pobre (ou não) curtiu a moca da vida dele numa bóia sem perceber porquê! Eheheheh.
Eu e a Karen jantámos com a Kat e Rosie (as 2 inglesas) num hostel muito fixe na rua principal e dp fomos a um copo à beira-rio. Pela 1ª vez encontrei um grupo de espanhóis da minha idade. Qbar & home.
22 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
Um dia que viria também ele a ser muito especial quando de início a ideia era ficar apenas no relax!
Passámos a manhã muito laid-back, junto ao rio…e resolvemos alugar umas biclas p ir dar uma volta ali à volta…sem grandes planos descobrimos descendo junto ao rio uma caverna no topo de uma montanha…absolutamente fabulosa, inserida num parque natural e com um templo budista lá dentro. Começámos por um mergulho no rio gelado e subimos ao templo….uma surpresa de facto incrível pois a caverna era lindaaaaa..cheia de pedras claras, formas diferentes, água, luz e cor…pedi um desejo e acendi uma vela no templo. A vista sobre Vang Vieng é maravilhosa e ficámos muito felizes de ter descoberto este lugar recôndito na montanha.
De regresso à terrinha vemos um passeio de balão de ar quente…experiência nova quer para mim quer para a Karen….e decidimos ir.
O balão tinha a capacidade para 4 passageiros + piloto e o grupo foi per si surreal: um Lituano gigante – o Ivo - dono de uma loja de tatuagens (Wickedneedles.com) e de uma jibóia e uma Boa como bichinhos de estimação, preparado para se ir enfiar na selva do Laos sozinho durante semanas – e um americano não assumido como tal, dizia que era de Taiwan pois era anti-América e auto-intitulava-se professor de uma Ciência Superior que, segundo ele, iluminava os Homens e permitia que passassem para outro Planeta…”there’s a program…” repetia ele...um doido varrido que supostamente era muito zen e no final veio fazer um filme porque lhe serviram um arroz sem gambas e ele não queria pagar…irritações muito mundanas para um cromo que se dizia tão espiritualmente superior…eheheh…foi uma risada.
Quanto ao passeio de balão ao pôr-do-sol…vibrámos loucamente, a paisagem é qualquer coisa de extraordinária e voar ao sabor do vento é de facto muito diferente e bom. A aterragem é que foi meio desastrosa pois aterrámos numa árvore e tinha uma colmeia de vespas, mas eu e a Karen não conseguíamos parar de rir e em vez de pânico demos por nós de joelhos no balão agarradas à barriga e à cerveja. Lol.
A sensação de voar num balão é demais, uma paz e um sentido de tranquilidade superior que apenas nos leva de novo à realidade ao som ensurdecedor do gás quente que lhe dá devir. Único e inolvidável.
Jantámos com o nosso grupo-base e fomos beber um copo com o Ivo depois. Boa música e boa conversa. + um dia perfeito.
23 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS) – Luang Prabang (LAOS)
8 horas de caminho pelas extraordinárias montanhas do Laos e pela sua história, povoada por agentes da CIA, comunistas rebeldes, muitas bombas, muito sofrimento. O povo da montanha – Lao Son – é simpático e aparenta viver em tranquilidade, fazem as suas casas sem janelas e organizam toda a sua vida na berma da estrada. Passámos por tribos Hmong (monges mobilizados pela CIA para combater os comunistas) e chegámos a Luang Prabang já ao final do dia. Ainda não antevia a cidade que aí esperava a minha visita…uma das mais bonitas e a que mais me encantou desde o início desta viagem.
24 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
05h30 da manhã e saio para uma cerimónia especial…alimentar os monges…ou melhor, fazer oferendas de arroz “stiky” e doces. Sentada nuns panos especiais à berma da estrada e ornamentada com lenços específicos, lá me fascinei com a vinda de dezenas de monges de cabeça rapada e vestidos laranja, com olhar humilde e distante, em fila indiana e de pote nas mãos, que recebiam as nossas oferendas e partiam muito direitinhos de volta aos templos onde partilhariam a comida recebida e fariam a sua única refeição do dia. Foi muito giro e especial.
Dali segui para um passeio pelo mercado matinal, com tudo o que se possa imaginar à venda, vivo e morto. Faz-me alguma confusão a falta de sensibilidade que os povos têm com o sofrimento dos animais: os lagoenses mantém-nos vivos para os venderem, mas sem qualquer condição: os peixes fora de água a agonizar, as rãs espetadas por paus ainda vivas, as larvas assadas mas ainda a mexerem dentro de casulos…
O Palácio Real convertido em Museu fica-me na memória pelo seu complexo arquitectónico e pela belíssima exposição temporária de fotografia sobre meditação budista, de um artista alemão contemporâneo.
Com o grupo-base decidimos chamar um tuk-tuk grande e ir visitar as waterfalls a 1h de Luang Prabang. Muito bonitas e com água gelada, estas quedas-de-água são também uma reserva de ursos, tendo vários pendurados nas árvores. Regressámos em cima da hora para um duche rápido e seguir para o teatro ver peças tradicionais…são muito infantis e tremendamente aborrecidas pois a música é demasiado zen e sem luz e com calor ia adormecendo…mas valeu a experiência.
Nesta noite jantámos as girls no Utopia, um restaurante-bar muito giro à beira-rio com grande som, boa comida, turístico, mas soube mesmo muito bem uma noite assim, um bocadinho de ocidente…no final, estava ko de ter levantado de madrugada e dormi que nem um bebé! :)
25 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
Luang Prabang encantou-me. Nesta manhã alugámos umas biclas e fomos (eu e Karen) descobrir os recantos da cidade e arredores, tivemos logo de início uma senhora argentina eléctrica que se colou ao passeio e ainda fizemos a ponte nova com ela, até a conseguirmos impingir a uns miúdos franceses que passavam, ehehehe. Era uma avó fantástica mas não se calava um segundo! Passámos então a ponte velha e fomos dar a uma zona da cidade sem turistas, onde encontrámos um templo-escola-casa de uns meninos-monge lindos e super simpáticos (estes sim, sorriram e conversaram connosco). Um lugar mágico.
Descemos à beira-rio e onde o Mekong e o Kham Pham se cruzam almocámos um belíssimo manjar Laoense. Depois visitámos o templo principal e subimos ao monte que caracteriza o centro da cidade, com muitooooos degraus e uma vista absolutamente deslumbrante de 360º pela cidade.
Nesta subida comprámos um passarinho enjaulado e a Karen libertou-o lá em cima, fazendo um desejo que, embora a mim me tivesse parecido uma infantilidade romântica… mais tarde se concretizou! Um rapaz que ela conhecera uma noite no Laos (e apenas uma noite de passagem), que andava a viajar pela SEA, voltou a contactá-la meses mais tarde na Nova Zelândia e estão agora noivos!!!!
Às vezes penso que a vida me foi tirando esta crença no amor e no romance e fez-me acreditar que é assim com toda a gente e em todo o lado…e depois vejo-me enganada e volto a ter dúvidas. A Karen, na sua ingenuidade de miúda do campo romântica vive com uma intensidade e simplicidade que na nossa Europa cosmopolita não têm lugar, ora por excessiva euforia de liberdade inconsequente ora por total descrédito do amor simples. Terei de imigrar? ;)
Terminei o dia a passear à beira do Mekong na minha bicla, a Karen quis ir a uma aula de culinária e eu precisava do meu momento sozinha….desci para a zona residencial e fui explorar o quotidiano daquele povo tão simpático…vi os pais a irem buscar os meninos à escola (a pé, de bicla e de moto), vi os lojistas a fecharem as suas lojas, vi a vida de quem deseja uma existência simples e feliz.
Acabei a beber um copo numa esplanada na rua principal e num súbito ataque de saudades liguei o meu skype e liguei para Portugal. :)
Porém, a uma semana e meia de regressar não me sinto ainda preparada. Tenho vontade de adiar o voo e perder-me um pouco mais por aqui. Não estou curada, não ganhei a distância emocional que preciso para me proteger. Ao mesmo tempo, esta viagem está a ser um sonho.
20h30 e segui para o Utopia onde tinha marcado jantar com a karen. Conhecemos a Zoe, uma holandês Barmaid em AMS muito cool. Falámos muito da droga que alucina os turistas no Laos: os cogumelos mágicos. Temos uma opinião consensual embora elas já tivessem experimentado e eu não.
26 de Outubro de 2011 – Luang Prabang (LAOS) – Pakbang (LAOS)
8h da manhã e entramos num dos vários barcos típicos que fazem o Mekong nos seus muitos kms e 6 países. Tem cerca de 30 mts de comprimento e uns meros 3mts de largura, em madeira clara e tecto baixo, sem vidros nas janelas, ficamos sentados muito junto à água. Adoro. Comecei a subida de 2 dias pelos “mighty Mekong”.
8h a 10h de viagem por dia a um ritmo lento e num silêncio respeitoso pela paisagem ludibriante que as suas margens nos mostram. Paisagem e vida. Animais (búfalos e cabras), crianças, alguns, poucos, adultos (que onde a selva é menos intensa se dedicam a lavrar os terrenos), vão surgindo ocasionalmente daquela selva magnífica e fazem as suas vidas à beira-rio. Não imaginei que pudesse haver areia tão branca nas margens de um rio…e olhando para os meninos que rebolam pelas mini-dunas abaixo em direcção à água lembro-me de como é bom ser criança :).
Sinto-me “overwelmed”, rendida.
Parámos numa gruta usada como templo budista cheia de amuletos e mini estátuas do buda e uma luz dourada do sol a reflectir no rio e nas paredes deste lugar sagrado para os asiáticos.
Antes de entrar a bordo, ainda em Luang Prabang, tinha encontrado uns miúdos espanhóis que conheci na noite anterior. Estavam ainda de garrafas na mão e curtiam a sua embriaguez. Não entendo como se desperdiça uma vivência do Laos em troca de copos. Nunca irei entender.
Todos os dias conheço pessoas de todos os cantos do Mundo e vejo novas visões da vida. É bom.
Paramos em Pakbang para comer e dormir. Uma terra de meia dúzia de casinhas convertidas em hostels e restaurantes que sobe uma vereda na montanha...literalmente no meio da selva e à beira-rio. Constato que a electricidade tinha chegado há pouco tempo a Pakbang e que até então a terra usava geradores e tinha horas de blackouts gerais. Agora já conseguiam ter uns bares com música para entreter os mochileiros de passagem e melhor que tudo: frigoríficos! :) pézinho de dança e toca a dormir que a manhã seguinte vislumbra-se muito cedo!
27 de Outubro de 2011 – Pakbang (LAOS) – Huay Xai (TAILÂNDIA)
Saímos da aldeia às 06h30 da matina no meio de um nevoeiro místico à volta das montanhas circundantes. Um cenário belíssimo para começar o dia!
São mais 9h até à fronteira com a Tailândia.
Esta beleza quase que dói à vista. O verde tropical dos montes, a areia branca, a vida nas margens.
Almoço a bordo e pequena paragem numa aldeola onde as crianças nos invadiram o barco.
Continuo a minha leitura que me têm irremediavelmente ligado ainda mais a estes povos: “First They Killed My Father” (Loung Ung)…uma filha do Cambodja relembra a sua infância de terror e tortura pelo Regime dos Khmer Rouge. Uma realidade brutal a apenas 40 anos de distância. Ando muito sensível à história cruel e dura destes países. Sinto a dor deles, revolto-me contra o próprio Homem. Sou limitada pela minha existência de criança feliz e gostava de acreditar que este horror seria inconcebível. Mas não é. Não foi. Existiu.
Não sei onde vou dormir amanhã nem nos dias seguintes, não sei para onde vou rumar a seguir. [Em todos os sentidos].
Chegamos a Huay Xai após as formalidades de fronteira que nos obrigaram a ir primeiro a terra na margem norte dar a nossa saída do Laos e apanhar um micro-barco-jangada-atolhado-de-malas para dar entrada na Tailândia. SAWASDEE KA!!!!
Huay Xai Uma simples terra de fronteira com muito comércio e alguns hostels à beira-rio. Caótica e sem grande interesse.
Factos da Tailândia:
513.115 kms2 . 65,4 milhões de habitantes, maioritariamente budista. GMT+6. Capital – Bangkok (8,16 Milhões habitantes)
1€= 42 THB (Bath)
28 de Outubro de 2011 – Huay Xai (TAILÂNDIA) – CHIANG RAI (TAILÂNDIA) – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Saímos de madrugada da aldeia fronteiriça em direcção a Chiang Mai, não sem antes pararmos na região de Chiang Rai para visitar uma plantação de cajus e o famoso Wat Rong Khun – o templo branco, futurista, da autoria de um jovem arquitecto budista desejoso de contribuir para uma nova perspectiva dos templos budistas…and a weird one I must say…mas sem dúvida vale a pena ouvir um guia na explicação do caminho até ao Nirvana (sobretudo porque sem essa explicação apenas vemos mãos espetadas no chão como um purgatório, paredes com cenas desenhadas do cinema norte-americano contemporâneo e outros elementos surrealistas…envoltos num templo de puro branco).
Chegámos ao nosso destino ao final do dia. Fizemos um jantar de despedida dos canadianos e das australianas num mercado de peixe óptimo e fomos todos beber umas Chang ao pé do night market.
Chiang Mai continua a ser uma cidade cheia de vida e da qual gosto muito. Apesar de já ser uma segunda visita a esta terra decido ficar os meus restantes dias por lá e visitar algumas zonas à volta que não conhecia ainda.
A Karen decidiu ficar comigo também e passámos o dia a procurar um hostel simpático e com piscina para podermos descansar, matar o calor e acabar a nossa longa trip em zen.
29 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Chiang Mai Eco Resort – um hostel muito sui generis com jardins enormes etiquetados, mini-ginásio, mega piscina e restaurante eco-integrado. GIRO e ultra confortável. Um pouco mais caro que os outros hostels mas mesmo assim, ficou em 9€ por pessoa/noite em quarto duplo, com pequeno-almoço incluído. E parecia um hotel 4*!
Passámos um dia ultra-relax entre piscina e passeio na cidade com jantarinho divinal num jardim dentro das muralhas da zona antiga. Depois de 17 dias sem parar um dia destes sabe mesmo bem para devolver ao corpo alguma energia.
Conhecemos umas raparigas – americana (Matty), francesa (Laeticia) e brasileira (Lígia) –que estavam na cidade a tirar cursos de massagem profissionais. Não há dúvida que a Tailândia é o topo neste campo e a conversa abriu-me o apetite para eu própria lá voltar para fazer um curso. Sunshine Massage School! A Matty é uma figura incrível de uma miúda cheia de vida e energia. Love&Compassion.
E penso que a vida me abre tantas portas e eu ando a insistir em abrir a única janela fechada. Acho que no fundo sou capaz de tudo desde que tenha amor. Tenho dificuldade em aceitar que estou de novo sozinha, sem alguém que olhe por mim, e o passado recente ainda me custa a ultrapassar.
A Karen já dorme há horas e eu perco-me na conversa com estas miúdas que se espelham tão seguras e tranquilas quanto às suas decisões de vida que fico a pensar se serei apenas eu que tem tantas dúvidas!
30 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – DOI SAKET (TAILÂNDIA)– CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Os acontecimentos fluem na nossa vida sem esforço, naturalmente, e fui parar à Fundação Asia’s Hope: um orfanato com sede a 2h de Chiang Mai e que apoia cerca de 200 meninos e meninas de várias idades e de 4 etnias (Hmong, Karen, Ak, L – não assentei os nomes completos destas últimas duas).
A Fundação é gerida pelo Mike e a Debbie, 2 extraordinários anciães norte-americanos que vivem e apoiam crianças tailandesas há mais de 10 anos. Somos 5 convidados especiais para a sua missa de domingo onde reúnem todas as crianças das diferentes casas ao redor da Sede. O Mike apresenta-nos um-a-um e as crianças depois da missa cantaram em grupos para os presentes e vieram brincar connosco no final e mostrar os seus dormitórios.
Estou emocionada. Sinto-me egoísta, por não ser capaz de me libertar dos meus problemas mundanos e mesquinhos e dar mais apoio a causas desta natureza, realmente importantes.
Love & Compassion outra vez.Desde a conversa de ontem com a Matty que estas 2 palavras parecem significar todo o essencial da nossa vivência.
O grupo dos 5 integrava, para além de mim e da Karen, 2 americanas (uma delas tinha aberto uma Asia’s Hope no Cambodja havia já 2 anos e estava a dar formação local a professores para poderem dar continuidade ao ensino escolar dentro do orfanato) e 1 jornalista Australiano – o Scott – que ia para mais uma das suas missões perigosas na Birmânia, onde se infiltrava com a ajuda dos rebeldes locais, para poder documentar a opressão que o povo de Myanmar ainda vive.
Que faço eu neste mundo de relevante?
…
Depois do orfanato a aventura continuou e fomos as duas ao Tiger World, a norte de Chiang Mai. Foi um espanto. Apesar dos coitados dos tigres estarem o dia inteiro rodeados de turistas, amei. Os bebés tinham 2-3 meses e podíamos enroscar-nos neles, dar beijinhos, tocar-lhes ainda mais que a um gato normal. Os “grandes” impunham outro respeito, mas não tive medo, foi mesmo espectacular! O maior tinha 22 meses e ainda “só” 160kgs, mas segundo o tratador, iria chegar aos 250kgs. Coisa pouca. OMB!!! (Oh My Buda).
De noite fomos ao outro night Bazar regatear mais souvenirs e jantar, como sempre, lindamente. O último jantar na Ásia nos próximos tempos.
31 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – BANGKOK – LONDRES – LISBOA
Último dia. Piscina. Despedida da Karen que seguiu para o outro lado do Mundo. É estranho as inúmeras vezes em que percorro kms, partilho vivências, gostos, dúvidas, medos, felicidades com pessoas que entram e saem aleatoriamente da minha vida. A Karen esteve 17 dos meus 20 dias pela SEA quase sempre comigo e agora segue o seu rumo e eu o meu. Pontos opostos no globo. 180º. A maioria das vezes não volto mais a ver estas pessoas e contudo, elas tiveram um papel tão importante nestas minhas caminhadas pelo Mundo.
Vou fazer um passeio pela cidade e tenho o meu já histórico acidente de percurso…caí num bueiro da estrada e fiquei com a perna enfiada num buraco de esgoto seco até à cintura. Além de me ter doído imenso e ter ficado com a lombar magoada, fiquei com uns belos cortes que tive de rapidamente desinfectar numa parafarmácia “a la asiática” onde consegui apenas explicar “ALCOOL” e gritei como uma maluca com o líquido nas pernas com uma família de thais a olharem para mim surpreendidos com a turista doida. :P
Passado umas horas escrevi: “estou agora na porta de embarque já em Bangkok para voar para Londres e depois Lisboa. Estou muito cansada mas esta viagem foi brutal. Fiz de tudo, vi de tudo. Só não consegui ainda mudar o meu mindset. Volto, contudo, mais certa de que tenho de mudar. Em tudo. A começar por mim.” …
“estou a chegar a Londres. Quero ir para casa mas não sei como me vou sentir. É tão difícil viver sozinha em Portugal e ser feliz. Estão sempre a cobrar-me um estatuto. Toda a sociedade é estabelecida com base em casais, filhos, obrigações. Na Ásia tudo é tão simples. Ninguém tem de provar nada. Estar sozinha é fácil, não dói, não nos sentimos desajustados…há uma multidão como nós. Toda a gente se junta e separa conforme os seus objectivos diários das suas viagens individuais. Não há muitas perguntas. Não há exigências. Todos os dias são 100% preenchidos, a vida é vivida ao minuto, sabai. O regresso a casa é agora uma confusão de sentimentos...quero estar com a minha família e amigos mas ainda não me sinto preparada para tudo o resto.
Aos 34 anos continuo num limbo, no trabalho vamos novamente ter cortes e despedimentos e eu estou cansada de não aplicar quase nenhuma das minhas competências e depender sempre das vontades dos administradores. Na vida pessoal não consigo deixar o meu passado nem andar para a frente. Estou num beco sem saída e não sei o que aí vem. MAS…para tudo na vida há uma solução.
Love & compassion.
Foi o que aprendi com esta viagem."
S
ps- esta crónica foi escrita entre Out. e Nov. de 2011, vários acontecimentos decorreram depois e dei de facto uma volta de 180º ao rumo da minha vida. Certo, agora, só as minhas viagens...
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