Saímos de Portugal rumo ao Panamá sem mapa e sem grande plano...tínhamos como ideia base alugar um carro e partir à descoberta. Objectivo: Surfar, SUPar, mergulhar e tudo o que mais envolvesse água quente e transparente cheia de peixes coloridos e estrelas do mar gigantes!
Eu parti por 18 dias, a Tina por um mês....na mala foi um par de chinelos e algumas t-shirts. Na cara, um enorme sorriso!
Eu parti por 18 dias, a Tina por um mês....na mala foi um par de chinelos e algumas t-shirts. Na cara, um enorme sorriso!
Começámos logo por perceber, assim que nos metemos à estrada, que a aposta num jipe não teria sido má, ao invés do nosso mini boguinhas em que 80kms/h parecia um furacão. Já para não falar nos buracos gigantes da suposta “autoestrada incrível” como nos tinham descrito. 3 furos em 2 dias acho que diz tudo LOL.O mapa tinha ficado esquecido na minha sala e mesmo assim, com a urgência em que estávamos para embrenhar no país selvagem e nas praias paradisíacas, seguimos por instinto….que eu continuo a achar que algures em pequena engoli um GPS que sempre que entro em território desconhecido sinto por onde devo ir! :P
Horas e horas mais tarde percebemos que íamos levar mais do dobro do pensado para chegar ao lado caribenho…aliás, até mesmo a qualquer praia decente do lado do pacífico…e dado ao primeiro furo, lá optámos por não seguir viagem de noite e sem mapa e fomos parar a Santiago.
A “cidade” no centro do país. Cidades como as entendemos na Europa só mesmo a capital mas isso para mim era expectável e achei até bastante desenvolvida face a tudo o que tínhamos visto na estrada. Por casualidade fomos para a um eco-hostel surreal…feito de garrafas de plástico e placas de alumínio, madeiras pintadas e uma dona alucinada que tinha “curfew” para os seus hóspedes: às 22h00!!! Hehehe….lá alugámos uma espécie de quarto numa pseudo-árvore de alumínio, aberta, com cortes no alumínio e cortinas a fazer de janelas. O som dos ramos das árvores ao nosso nível e a sensação de estarmos ao relento fizeram-me adormecer tranquilamente num espaço único. Antes disso um jantar num restaurante muito local e bonito com 2 amigos americanos que pareciam tão perdidos como nós.
Seguimos viagem (após + 2 furos) e ao terceiro dia chegámos à primeira praia, do lado do pacífico: Las Lajas!
Vimos uma tenda para alugar na praia e nem pensámos duas vezes…adoro dormir e acordar ali, na areia, com o som das ondas.A Tina estava doida para fazer SUP surf e as ondas eram pequenas, por isso foi para o seu yoga e eu fui aproveitar o paraíso de kms de areal negro e dourado com água quente e sol…mto sol….tudo o que me enche a alma e acalma o espírito.
No dia seguinte a fazer SUP passou por baixo da prancha uma raia enorme preta com bolinhas amarelas e fiquei maravilhada, como fico sempre, com a Mãe Natureza. Pachamama, Obrigada por me dares estes momentos!
Arrancámos para o lado caribenho, ainda com uma grande viagem pela frente, desta vez pelo meio de um parque natural lindíssimo, nas montanhas panamianas, entre curvas de verde e verde e verde… J
Mais uma vez calculámos mal o tempo de viagem e a nossa chegada a uma terra estranha, de beira-rio e entrada de mar, porto marítimo que me remeteu de imediato aos livros do Garcia Marquez e dos marinheiros, prostíbulos e crianças perdidas no meio de uma pobreza triste, deu-se quase fora de horas e não pudemos atravessar para as ilhas de Bocas Del Toro com o nosso boguinhas….uma chuva tropical não ajudou à decisão, mas para não ficarmos naquele desterro apanhámos meia dúzia de peças de roupa (ou menos…) e corremos a apanhar um dos últimos barquinhos do dia. Pensámos que iríamos voltar em 2, máx. 3 dias….mais um erro, porque só o fizemos 10 dias mais tarde, afinal de contas…o que está bem não se muda! J
Na cidade de Bocas conhecemos uns miúdos e optámos por ficar alojadas onde eles estavam, as previsões era de não haver ondas no dia seguinte e, embora a Tina tenha insistido em ir para o mar procura-las…eu fui com eles alugar uma bicla e dar a volta à ilha…literalmente…4h no calor das caraíbas a pedalar, mas pelo meio de uma beleza incrível. Fomos parar às praias das Estrelas do mar gigantes, onde os turistas chegam de barco…e nós de bicla! Lol Um dia magnífico.
Voltámos para perceber que as pesquisas da Tina nos levariam para outra ilha logo na manhã seguinte: Carenero. Um surf hostel à beira da água e um spot de surf fora de série: Black Rock! Uma esquerda longa e que não quebra, e água a 28º.
A maioria dos surfistas vai de barco p o spot, eu fui a pé pela ilha e tive um dos melhores dias de surf de sempre, dada obviamente a minha pouca experiência como surfista, saí em alta, muito em alta!
Mais uma noite em Carenero….esta mais atribulada e que vou deixar na memória de quem lá esteve, porque ainda me rio sozinha com tudo o que aconteceu mas sinceramente, foi muito, mas muito twighlightzone.
Seguimos então para Bastimentos, a maior e mais verde, selvagem e exposta ao oceano das ilhas de Bocas del Toro. Chegámos a uma marina incrível e após deixar as pranchas e mochilas e lavar a roupa (eu continuava com uma mini mochila com a meia dúzia de coisas que tinha tirado para os supostos 2/3 dias q ia ficar lol) fomos directas para a famosa praia de Red Frog, onde ainda na semana antecedente o Slater tinha estado a dar um show ao Mundo…mas a ressaca é conhecida por vir a seguir e não estava nada de especial. Como eu não sou fanática pelo surf, é um gosto não uma alucinação, estive lindamente a dormir na praia, mas a Tina e os nossos novos amigos estavam inquietos…ehehe, o bichinho do mar é qq coisa…Tb íamos por uma noite e ficámos….4!!! Conhecemos um neozelandês num veleiro que me emprestou uma prancha de surf (o SUP só dava para os mangais) e foi comigo fazer snorkeling, onde mais uma vez andei doida atrás de peixes de mil cores!!!!! J
No último dia fomos as duas com a tripulação de um navio que estava na marina passear de dingy pelas ilhas e mergulhar nos Cayos…almoçar lagosta no meio do paraíso e acreditar que a vida nos vai sempre, mas sempre, dar respostas, caminhos por onde ir.
Voltámos as 2 à ilha de Colón (cidade de Bocas) para mais uma noite e para fazer um downwind de SUP incrível no meio de uma tempestade tropical, foi brutal! depois remei de SUP até Carenero onde aluguei uma prancha de surf e voltei a Black Rock, que me tinha ficado na memória…J
Últimos momentos de paraíso, já com saudades…estive 10 dias com a mesma saia, 3 t-shirts e alguns biquínis, uns chinelos e sei que não preciso de mais nada, mais nada material para me preencher. Tudo o resto é emocional e isso, não há mala nenhuma que leve…
Saímos das Caraíbas e rumámos para 2 noites no Pacífico, onde tivemos uma experiência surreal com um senhor que nos quis alugar um resort fantasma!

Separei-me da Tina aqui, deixei-a no BUS que seguia para o sul e guiei para a Cidade do Panamá para a minha última noite, já na cidade, onde me juntei a um alemão, uma holandesa e um panamiano e andámos de festa em festa. Parti, 18 dias depois de ter chegado, com a sensação de que o Mundo fará sempre parte de mim. Isso e o mar, claro :P. S, flip flop Tiki Life






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