A minha ideia é colocar aqui um bocadinho das minhas aventuras pela vida.... O Mundo é um T0, tão grande em distâncias e tão perto em comunicação. Encontramos um amigo, um amigo de um amigo, um vizinho, um conhecido, em qualquer lugar que vamos. E digo mesmo em qualquer lugar!!! toda a gente tem 1 ou 2 histórias destas p contar, eu tenho várias :P... mas vou tentar centrar-me no tema das viagens...algumas com fotos e tudo! Aguardo comentários! :) Sofes
segunda-feira, dezembro 28, 2015
Faltaram as NEVES de 2015
....pois faltaram estas duas crónicas, Andorra e Serra Nevada (Fev/Mar e Abr 2015)...e foram fora de série...mas agora estou entretida com o calor do Brasil, fica para quando estiver a prever a próxima temporada :P
domingo, dezembro 27, 2015
PARIS, Set-Out 2015
Paris é
aquela cidade que volto sempre, constantemente, ano após ano. A lazer, a
trabalho, apenas para ver amigos…há mil razões para se ir e voltar a Paris.
Desta fui
a trabalho. Uma semana. Com a Cat.

Apesar
dos dias serem fechados numa feira e a ter de lutar com alguns demónios, os
finais de dia e noites foram aproveitados ao minuto para vaguear pelas minhas
zonas preferidas da cidade, comer maravilhosamente sentada em esplanadas de rua
c mantinhas nas pernas e a sentir o charme desta incrível cidade da Luz.Foi também um momento de reunião quando consegui jantar com as minhas queridas amigas Claire & Maïté. Os anos passam, a distância separa-nos, mas a amizade está igual a sempre. Como Paris.
Merci, Je
t’aime toujours J
A bientôt,
S
S. Miguel - Jul/Ago 2015
Mantenho a minha opinião de ser
um dos destinos naturais mais bonitos em que já estive na vida. Faltou-me
experimentar o surf e o mergulho, por isso, tenho de voltar :P …é sempre bom
deixar coisas q gostamos por fazer para voltarmos aos sítios que nos marcam.
…
Ainda assim, por ter o Mundo a desmonorar, volto com um nó no estômago, tenho de lá voltar em paz.
Por agora, é tempo de regressar!
segunda-feira, julho 20, 2015
Açores....o paraíso à espreita :)
Este ano as viagens a lazer tem
sido menos ...aliás, as de trabalho também, depois do Panamá fui a
Bruxelas, Madrid e Paris...viagens curtas e que me parecem ter sido há uma vida
atrás. Não é o momento de longas viagens a lazer, mas é sempre o momento de sonhar
:)
E por
isso estou tão feliz com a ideia de que em 1 semana e meia vou estar 3 dias em
S. Miguel. Anos a fio a querer voltar aos Açores, anos a fio a planear uma
viagem tão simples que por diversas razões nunca foi acontecendo. Acredito que
as coisas se desenrolam quando têm de ser, podemos por-nos no caminho mas não
vale a pena forçar, tudo vem com o tempo.
E esta
chegou. E estou em pulgas. Mesmo sendo curtinha. Tem uma carga emocional alta,
é um projecto simples mas que foi sempre adiado e agora vai finalmente
cumprir-se :)
Quero
caminhar pelos trilhos verdes, quero mergulhar no oceano azul profundo, quero
deslumbrar-me com o paraíso plantado no meio do Atlântico, quero namorar e
descansar.
Até já J
S
quinta-feira, abril 02, 2015
Panamá
Saímos de Portugal rumo ao Panamá sem mapa e sem grande plano...tínhamos como ideia base alugar um carro e partir à descoberta. Objectivo: Surfar, SUPar, mergulhar e tudo o que mais envolvesse água quente e transparente cheia de peixes coloridos e estrelas do mar gigantes!
Eu parti por 18 dias, a Tina por um mês....na mala foi um par de chinelos e algumas t-shirts. Na cara, um enorme sorriso!
Eu parti por 18 dias, a Tina por um mês....na mala foi um par de chinelos e algumas t-shirts. Na cara, um enorme sorriso!
Começámos logo por perceber, assim que nos metemos à estrada, que a aposta num jipe não teria sido má, ao invés do nosso mini boguinhas em que 80kms/h parecia um furacão. Já para não falar nos buracos gigantes da suposta “autoestrada incrível” como nos tinham descrito. 3 furos em 2 dias acho que diz tudo LOL.O mapa tinha ficado esquecido na minha sala e mesmo assim, com a urgência em que estávamos para embrenhar no país selvagem e nas praias paradisíacas, seguimos por instinto….que eu continuo a achar que algures em pequena engoli um GPS que sempre que entro em território desconhecido sinto por onde devo ir! :P
Horas e horas mais tarde percebemos que íamos levar mais do dobro do pensado para chegar ao lado caribenho…aliás, até mesmo a qualquer praia decente do lado do pacífico…e dado ao primeiro furo, lá optámos por não seguir viagem de noite e sem mapa e fomos parar a Santiago.
A “cidade” no centro do país. Cidades como as entendemos na Europa só mesmo a capital mas isso para mim era expectável e achei até bastante desenvolvida face a tudo o que tínhamos visto na estrada. Por casualidade fomos para a um eco-hostel surreal…feito de garrafas de plástico e placas de alumínio, madeiras pintadas e uma dona alucinada que tinha “curfew” para os seus hóspedes: às 22h00!!! Hehehe….lá alugámos uma espécie de quarto numa pseudo-árvore de alumínio, aberta, com cortes no alumínio e cortinas a fazer de janelas. O som dos ramos das árvores ao nosso nível e a sensação de estarmos ao relento fizeram-me adormecer tranquilamente num espaço único. Antes disso um jantar num restaurante muito local e bonito com 2 amigos americanos que pareciam tão perdidos como nós.
Seguimos viagem (após + 2 furos) e ao terceiro dia chegámos à primeira praia, do lado do pacífico: Las Lajas!
Vimos uma tenda para alugar na praia e nem pensámos duas vezes…adoro dormir e acordar ali, na areia, com o som das ondas.A Tina estava doida para fazer SUP surf e as ondas eram pequenas, por isso foi para o seu yoga e eu fui aproveitar o paraíso de kms de areal negro e dourado com água quente e sol…mto sol….tudo o que me enche a alma e acalma o espírito.
No dia seguinte a fazer SUP passou por baixo da prancha uma raia enorme preta com bolinhas amarelas e fiquei maravilhada, como fico sempre, com a Mãe Natureza. Pachamama, Obrigada por me dares estes momentos!
Arrancámos para o lado caribenho, ainda com uma grande viagem pela frente, desta vez pelo meio de um parque natural lindíssimo, nas montanhas panamianas, entre curvas de verde e verde e verde… J
Mais uma vez calculámos mal o tempo de viagem e a nossa chegada a uma terra estranha, de beira-rio e entrada de mar, porto marítimo que me remeteu de imediato aos livros do Garcia Marquez e dos marinheiros, prostíbulos e crianças perdidas no meio de uma pobreza triste, deu-se quase fora de horas e não pudemos atravessar para as ilhas de Bocas Del Toro com o nosso boguinhas….uma chuva tropical não ajudou à decisão, mas para não ficarmos naquele desterro apanhámos meia dúzia de peças de roupa (ou menos…) e corremos a apanhar um dos últimos barquinhos do dia. Pensámos que iríamos voltar em 2, máx. 3 dias….mais um erro, porque só o fizemos 10 dias mais tarde, afinal de contas…o que está bem não se muda! J
Na cidade de Bocas conhecemos uns miúdos e optámos por ficar alojadas onde eles estavam, as previsões era de não haver ondas no dia seguinte e, embora a Tina tenha insistido em ir para o mar procura-las…eu fui com eles alugar uma bicla e dar a volta à ilha…literalmente…4h no calor das caraíbas a pedalar, mas pelo meio de uma beleza incrível. Fomos parar às praias das Estrelas do mar gigantes, onde os turistas chegam de barco…e nós de bicla! Lol Um dia magnífico.
Voltámos para perceber que as pesquisas da Tina nos levariam para outra ilha logo na manhã seguinte: Carenero. Um surf hostel à beira da água e um spot de surf fora de série: Black Rock! Uma esquerda longa e que não quebra, e água a 28º.
A maioria dos surfistas vai de barco p o spot, eu fui a pé pela ilha e tive um dos melhores dias de surf de sempre, dada obviamente a minha pouca experiência como surfista, saí em alta, muito em alta!
Mais uma noite em Carenero….esta mais atribulada e que vou deixar na memória de quem lá esteve, porque ainda me rio sozinha com tudo o que aconteceu mas sinceramente, foi muito, mas muito twighlightzone.
Seguimos então para Bastimentos, a maior e mais verde, selvagem e exposta ao oceano das ilhas de Bocas del Toro. Chegámos a uma marina incrível e após deixar as pranchas e mochilas e lavar a roupa (eu continuava com uma mini mochila com a meia dúzia de coisas que tinha tirado para os supostos 2/3 dias q ia ficar lol) fomos directas para a famosa praia de Red Frog, onde ainda na semana antecedente o Slater tinha estado a dar um show ao Mundo…mas a ressaca é conhecida por vir a seguir e não estava nada de especial. Como eu não sou fanática pelo surf, é um gosto não uma alucinação, estive lindamente a dormir na praia, mas a Tina e os nossos novos amigos estavam inquietos…ehehe, o bichinho do mar é qq coisa…Tb íamos por uma noite e ficámos….4!!! Conhecemos um neozelandês num veleiro que me emprestou uma prancha de surf (o SUP só dava para os mangais) e foi comigo fazer snorkeling, onde mais uma vez andei doida atrás de peixes de mil cores!!!!! J
No último dia fomos as duas com a tripulação de um navio que estava na marina passear de dingy pelas ilhas e mergulhar nos Cayos…almoçar lagosta no meio do paraíso e acreditar que a vida nos vai sempre, mas sempre, dar respostas, caminhos por onde ir.
Voltámos as 2 à ilha de Colón (cidade de Bocas) para mais uma noite e para fazer um downwind de SUP incrível no meio de uma tempestade tropical, foi brutal! depois remei de SUP até Carenero onde aluguei uma prancha de surf e voltei a Black Rock, que me tinha ficado na memória…J
Últimos momentos de paraíso, já com saudades…estive 10 dias com a mesma saia, 3 t-shirts e alguns biquínis, uns chinelos e sei que não preciso de mais nada, mais nada material para me preencher. Tudo o resto é emocional e isso, não há mala nenhuma que leve…
Saímos das Caraíbas e rumámos para 2 noites no Pacífico, onde tivemos uma experiência surreal com um senhor que nos quis alugar um resort fantasma!

Separei-me da Tina aqui, deixei-a no BUS que seguia para o sul e guiei para a Cidade do Panamá para a minha última noite, já na cidade, onde me juntei a um alemão, uma holandesa e um panamiano e andámos de festa em festa. Parti, 18 dias depois de ter chegado, com a sensação de que o Mundo fará sempre parte de mim. Isso e o mar, claro :P. S, flip flop Tiki Life

quinta-feira, dezembro 04, 2014
Izmir...o Médio Oriente e a vontade de voltar para casa
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DEZEMBRO DE 2014
Adoro a Turquia. É um facto. Adoro porque tem tudo e é um país lindíssimo! recomendo a todos um tour pelo país, Istambul, Capadócia e as casas dos trogloditas, Pamukale, pelas piscinas de sal, aproveitar para velejar pela costa e passar em Ollu Denis e baía de Gocek e depois subir e visitar Éfeso...tem tanto, mas tanto para experienciar que não ficarão nunca desapontados.
Desta vez fui a trabalho e a Izmir. Uma semana. A guerra na Síria tinha acabado de explodir e havia centenas de refugiados pela cidade albergados pelo Estado turco nos hoteis disponíveis. O meu não foi exeção. Este confronto com a realidade dura, logo depois de eu própria ter estado na Síria e ter visto as condições de vida deste povo, foi difícil.
Todas as manhãs tomei pequeno-almoço ao lado de famílias destroçadas pela guerra. Não consigo descrever a sensação. Os homens com cara grave, as mulheres cobertas de negro e olhar para baixo, o silêncio.
Talvez por isso esta semana me custasse tanto a passar, tive muitas, muitas saudades de casa.
Aproveitei para passear imenso pela cidade quando o trabalaho terminava, perdi-me várias vezes pelo mercado turco entre ruelas milenares.
Passeei à beira mar. Um porto extremamente importante na economia do país.
E fui algumas vezes jantar à zona "chique", mais ocidental, com bares e decoração moderna.
Fui com um colega turco e conheci uns amigos dele que se juntaram. Culturas tão diferentes e uma enorme empatia por estes jovens que ainda planeiam ver o Mundo :). Adoro estas conversas. Conhecer visões tão diferentes da minha. Não melhores ou piores, apenas diferentes.
Quase no final da semana tive uma notícia horrível de casa...uma amiga com quem fiz algumas viagens (uma delas aqui à Turquia) tinha sido encontrada sem vida. Fiquei muito abalada. Foram uns dias agri-doces de sensações. O som dos chamamentos para a oração têm em mim um impacto inexplicável. E com tanta emoção junta ainda mais.
Depois de uma tempestade de más notícias eis que no dia seguinte um turco amigo do meu colega Orhan me ofereceu como despedida de Izmir um colar com o símbolo do renascimento. Coincidência?

Regresso com uma sensação estranha. O Mundo pode ser duro e muito difícil de entender. Mas há uma energia positiva que temos de manter. uma espécie de Fé.
S, em introspeção
DEZEMBRO DE 2014
Adoro a Turquia. É um facto. Adoro porque tem tudo e é um país lindíssimo! recomendo a todos um tour pelo país, Istambul, Capadócia e as casas dos trogloditas, Pamukale, pelas piscinas de sal, aproveitar para velejar pela costa e passar em Ollu Denis e baía de Gocek e depois subir e visitar Éfeso...tem tanto, mas tanto para experienciar que não ficarão nunca desapontados.
Desta vez fui a trabalho e a Izmir. Uma semana. A guerra na Síria tinha acabado de explodir e havia centenas de refugiados pela cidade albergados pelo Estado turco nos hoteis disponíveis. O meu não foi exeção. Este confronto com a realidade dura, logo depois de eu própria ter estado na Síria e ter visto as condições de vida deste povo, foi difícil.
Todas as manhãs tomei pequeno-almoço ao lado de famílias destroçadas pela guerra. Não consigo descrever a sensação. Os homens com cara grave, as mulheres cobertas de negro e olhar para baixo, o silêncio.
Talvez por isso esta semana me custasse tanto a passar, tive muitas, muitas saudades de casa.
Aproveitei para passear imenso pela cidade quando o trabalaho terminava, perdi-me várias vezes pelo mercado turco entre ruelas milenares.
Passeei à beira mar. Um porto extremamente importante na economia do país.
E fui algumas vezes jantar à zona "chique", mais ocidental, com bares e decoração moderna.
Fui com um colega turco e conheci uns amigos dele que se juntaram. Culturas tão diferentes e uma enorme empatia por estes jovens que ainda planeiam ver o Mundo :). Adoro estas conversas. Conhecer visões tão diferentes da minha. Não melhores ou piores, apenas diferentes.
Quase no final da semana tive uma notícia horrível de casa...uma amiga com quem fiz algumas viagens (uma delas aqui à Turquia) tinha sido encontrada sem vida. Fiquei muito abalada. Foram uns dias agri-doces de sensações. O som dos chamamentos para a oração têm em mim um impacto inexplicável. E com tanta emoção junta ainda mais.
Depois de uma tempestade de más notícias eis que no dia seguinte um turco amigo do meu colega Orhan me ofereceu como despedida de Izmir um colar com o símbolo do renascimento. Coincidência?

Regresso com uma sensação estranha. O Mundo pode ser duro e muito difícil de entender. Mas há uma energia positiva que temos de manter. uma espécie de Fé.
S, em introspeção
quarta-feira, novembro 26, 2014
Dreaming
A um mês e uma semana de ir para o Panamá fazer o que mais gosto; andar de chinelo no pé e passar o dia entre praias selvagens, cervejas de final de dia e estradas sem planos ... antes ainda tenho de dar um salto à Turquia e aos Países Baixos, mas é trabalho e não se compara com o prazer de uma micro mochila, calor e mar... e desta vão os brinquedos todos!!!! :)
S, dreaming
S, dreaming
terça-feira, novembro 25, 2014
Brasiuuuuuu….Março 2013 - backpacking Rio, Angra, Paraty....
[Fotos aqui]
Com a cabeça nas nuvens, por ir entrar pela primeira vez num período sem trabalho, mas decidida a aproveitar ao máximo o que isso poderia significar...era assim que eu me sentia. Só tinha de lutar contra uma sociedade em que se não nos fazemos papel de coitadinhos somos vistos de lado. Recuso-me a fazer de coitadinha quando até hoje tudo se conjugou para o meu caminho ser o mais preenchido possível e feliz. E esta fase iria concerteza ser boa, talvez a melhor em muito tempo.
E assim foi, peguei na mochila, meti-me num avião e rumei ao Rio de Janeiro!!! Ehehe
Os primeiros dias foram em casa de amigos a descobrir os novos recantos e hábitos desta cidade que não via há mais de 10 anos e que tanto mudou. É agora uma cidade segura e cosmopolita. Outra realidade.
Uns dias mais tarde senti falta de viajar só com a minha mochila e um par de chinelos…sim, porque o Rio está mesmo diferente…
E lá fui para o meu next spot. Apanhei boleia de uns portugueses que iam para Angra e fui ter com o Vasco, irmão de uma amiga e que eu ainda não conhecia. Passei 2 dias incríveis com ele e o Luís em que ocupámos o tempo entre wakeboard e filmes em casa!
A casa deles é um luxo para mim: com um pontão próprio em que entrávamos e saíamos directamente pela água!...logo eu que adoro esta vida de mar…e Angra é um arquipélago de ilhas lindas, todas verdes e água quente!
Ao fim de 2 dias comecei então o meu backpacking…apanhei um autocarro daqueles bem velhinhos e desci a costa até Parati…uma cidadezinha muito bonita e cheia de cor e arte.
Depois de ter de mudar de hostel (porque até eu tenho limites :) hospedei-me num daqueles clássicos da américa do sul, onde sabemos sempre que vamos ter uma cama limpa e um ambiente cool: Chez Lagarto!
E assim foi, logo na primeira noite conheci o Dan e fomos jantar à pracinha principal: adoro as noites quentes do Brasil e aquela sensação de sertanejo e de estar no meio de uma telenovela!
No dia seguinte cada um seguiria o seu caminho, ele a começar o seu périplo de 6 meses e eu …a ganhar coragem para concretizar o meu...que estava cada vez mais próximo !:)
De manhã combinei com o Gonzalo, um espanhol a viajar há quase 2 anos pelo Mundo e a poucos meses de terminar a sua aventura (que terminaria com a travessia do Atlântico até Barcelona), e 2 holandesas muito porreiras mas que confesso ter perdido as suas histórias...lembro-me que iam a caminho de qualquer lado…para mim, neste momento, estavam no meu caminho... e vieram connosco!
Lá fomos os 4 de autocarro até Trindade, passar o dia numa praia linda, semi deserta, em que cravei a prancha do nadador salvador (que estava a dormir algures no meio do mato…) e fui brincar nas ondinhas.
No final do dia regressámos e fomos comprar sardinhas…o Gonzalo ofereceu-se para fazer um jantar Ibérico! Foi muito giro…esta viagem estava a ser apenas o primeiro cheirinho daquilo que eu iria fazer em breve e serviu para ter a certeza que o meu caminho era esse…caminhar por destinos sem rumo certo, conhecer povos, pessoas, cheiros e sabores. Aprender a minha pequena dimensão neste planeta incrível…
Voltei para o Rio uns dias depois com uma Suiça que conheci entretanto (a Sabine) e passei mais uns dias alojada no sofá de uns novos amigos, entre jantaradas, passeios pela cidade e boa vida. Mmmm…estava cada vez mais perto do que andava a sonhar! :P
Por agora ainda tinha de resolver algumas questões importantes na minha vida e tinha mesmo de regressar a Portugal…7 meses depois estaria de volta a este Continente ...dessa vez já por 3 meses 😊
S,
num país tropical…
Com a cabeça nas nuvens, por ir entrar pela primeira vez num período sem trabalho, mas decidida a aproveitar ao máximo o que isso poderia significar...era assim que eu me sentia. Só tinha de lutar contra uma sociedade em que se não nos fazemos papel de coitadinhos somos vistos de lado. Recuso-me a fazer de coitadinha quando até hoje tudo se conjugou para o meu caminho ser o mais preenchido possível e feliz. E esta fase iria concerteza ser boa, talvez a melhor em muito tempo.
E assim foi, peguei na mochila, meti-me num avião e rumei ao Rio de Janeiro!!! Ehehe
Os primeiros dias foram em casa de amigos a descobrir os novos recantos e hábitos desta cidade que não via há mais de 10 anos e que tanto mudou. É agora uma cidade segura e cosmopolita. Outra realidade.
Uns dias mais tarde senti falta de viajar só com a minha mochila e um par de chinelos…sim, porque o Rio está mesmo diferente…
E lá fui para o meu next spot. Apanhei boleia de uns portugueses que iam para Angra e fui ter com o Vasco, irmão de uma amiga e que eu ainda não conhecia. Passei 2 dias incríveis com ele e o Luís em que ocupámos o tempo entre wakeboard e filmes em casa!
A casa deles é um luxo para mim: com um pontão próprio em que entrávamos e saíamos directamente pela água!...logo eu que adoro esta vida de mar…e Angra é um arquipélago de ilhas lindas, todas verdes e água quente!
Ao fim de 2 dias comecei então o meu backpacking…apanhei um autocarro daqueles bem velhinhos e desci a costa até Parati…uma cidadezinha muito bonita e cheia de cor e arte.
Depois de ter de mudar de hostel (porque até eu tenho limites :) hospedei-me num daqueles clássicos da américa do sul, onde sabemos sempre que vamos ter uma cama limpa e um ambiente cool: Chez Lagarto!
E assim foi, logo na primeira noite conheci o Dan e fomos jantar à pracinha principal: adoro as noites quentes do Brasil e aquela sensação de sertanejo e de estar no meio de uma telenovela!
No dia seguinte cada um seguiria o seu caminho, ele a começar o seu périplo de 6 meses e eu …a ganhar coragem para concretizar o meu...que estava cada vez mais próximo !:)
De manhã combinei com o Gonzalo, um espanhol a viajar há quase 2 anos pelo Mundo e a poucos meses de terminar a sua aventura (que terminaria com a travessia do Atlântico até Barcelona), e 2 holandesas muito porreiras mas que confesso ter perdido as suas histórias...lembro-me que iam a caminho de qualquer lado…para mim, neste momento, estavam no meu caminho... e vieram connosco!
Lá fomos os 4 de autocarro até Trindade, passar o dia numa praia linda, semi deserta, em que cravei a prancha do nadador salvador (que estava a dormir algures no meio do mato…) e fui brincar nas ondinhas.
No final do dia regressámos e fomos comprar sardinhas…o Gonzalo ofereceu-se para fazer um jantar Ibérico! Foi muito giro…esta viagem estava a ser apenas o primeiro cheirinho daquilo que eu iria fazer em breve e serviu para ter a certeza que o meu caminho era esse…caminhar por destinos sem rumo certo, conhecer povos, pessoas, cheiros e sabores. Aprender a minha pequena dimensão neste planeta incrível…
Voltei para o Rio uns dias depois com uma Suiça que conheci entretanto (a Sabine) e passei mais uns dias alojada no sofá de uns novos amigos, entre jantaradas, passeios pela cidade e boa vida. Mmmm…estava cada vez mais perto do que andava a sonhar! :P
Por agora ainda tinha de resolver algumas questões importantes na minha vida e tinha mesmo de regressar a Portugal…7 meses depois estaria de volta a este Continente ...dessa vez já por 3 meses 😊
S,
num país tropical…
segunda-feira, novembro 24, 2014
Back on Track??? :)
Passaram 2 anos desde a última vez que escrevi aqui…tenho pensado muito em como a escrita, que sempre foi tão importante para mim, passou a segundo plano neste período da minha vida. Tanta coisa aconteceu, tantas viagens mas também tantas decisões, mudanças de vida, de trabalho, de hobbies, de amor.
Houve um corte radical entre a minha última viagem aqui (à Ásia) e todo o meu caminho seguinte…quando regressei soube que daí a uns meses iria ficar sem trabalho, como já previa…e resolvi aproveitar esse período para viver algumas experiências.
Comecei por ir umas semanas para o Brasil, mochila às costas, amigos por lá…um corte no stress desse inverno que estava a por em causa muitos anos de confiança no meu trabalho. Rio, Angra, Parati, Trindade…Voltei óptima e decidida. Voltei e conheci a Tina, da Starboard, e aceitei o que o destino me estava a trazer: a oportunidade de trabalhar apenas quando queria, mantendo a minha cabeça sã e dando tempo para todos os planos que tinha. TEMPO. Eis o que eu mais ansiava!
Comecei a planear a minha viagem de 3 meses pela América do Sul…ou pelo menos a idealiza-la na minha cabeça. Porque não iria marcar nada além do primeiro voo e das 2 primeiras noites na Colômbia. Como voei por Nova Iorque, pedi um coushsurf host para me receber e tive uma experiência incrível!!! daí para a frente começou uma das maiores aventuras da minha vida…até ao momento, claro, muitas mais estão por vir ainda! ;)
Tenho um caderno com os 3 meses do meu percurso pela terra mais abençoada do planeta em beleza natural. Tenho a vontade de escrever finalmente o meu livro. Até hoje não sabia se seria capaz…na realidade, ainda não sei, mas vou finalmente tentar…
Até lá…vou saltar por cima dessa minha viagem e referir apenas que desde que voltei, há 1 ano e meio atrás...fiz mais umas voltinhas pelo Mundo e mantenho ainda a certeza que é aqui, em Portugal, que gosto de viver :).
180º sobre 180º e o meu mundo volta ao mesmo …ou não…tenho cada vez mais a certeza de que estou a construir a minha vida à medida daquilo que sempre quis e, mesmo por vezes pelas portas mais travessas e mais difíceis tenho sido feliz.
Para o ano há vários projectos no meu horizonte e, se antes estavam no plano teórico, agora começam a parecer-se mais reais e possíveis. Let it flow. It will come
S,
Back on track!!!
Houve um corte radical entre a minha última viagem aqui (à Ásia) e todo o meu caminho seguinte…quando regressei soube que daí a uns meses iria ficar sem trabalho, como já previa…e resolvi aproveitar esse período para viver algumas experiências.
Comecei por ir umas semanas para o Brasil, mochila às costas, amigos por lá…um corte no stress desse inverno que estava a por em causa muitos anos de confiança no meu trabalho. Rio, Angra, Parati, Trindade…Voltei óptima e decidida. Voltei e conheci a Tina, da Starboard, e aceitei o que o destino me estava a trazer: a oportunidade de trabalhar apenas quando queria, mantendo a minha cabeça sã e dando tempo para todos os planos que tinha. TEMPO. Eis o que eu mais ansiava!
Comecei a planear a minha viagem de 3 meses pela América do Sul…ou pelo menos a idealiza-la na minha cabeça. Porque não iria marcar nada além do primeiro voo e das 2 primeiras noites na Colômbia. Como voei por Nova Iorque, pedi um coushsurf host para me receber e tive uma experiência incrível!!! daí para a frente começou uma das maiores aventuras da minha vida…até ao momento, claro, muitas mais estão por vir ainda! ;)
Tenho um caderno com os 3 meses do meu percurso pela terra mais abençoada do planeta em beleza natural. Tenho a vontade de escrever finalmente o meu livro. Até hoje não sabia se seria capaz…na realidade, ainda não sei, mas vou finalmente tentar…
Até lá…vou saltar por cima dessa minha viagem e referir apenas que desde que voltei, há 1 ano e meio atrás...fiz mais umas voltinhas pelo Mundo e mantenho ainda a certeza que é aqui, em Portugal, que gosto de viver :).
180º sobre 180º e o meu mundo volta ao mesmo …ou não…tenho cada vez mais a certeza de que estou a construir a minha vida à medida daquilo que sempre quis e, mesmo por vezes pelas portas mais travessas e mais difíceis tenho sido feliz.
Para o ano há vários projectos no meu horizonte e, se antes estavam no plano teórico, agora começam a parecer-se mais reais e possíveis. Let it flow. It will come
S,
Back on track!!!
segunda-feira, setembro 10, 2012
Ásia 2011 – OMB (Oh My Buda) – 13 Out a 01 Nov. Vietnam – Laos – Thailand 20 dias pelo sudeste asiático, [by myself?]
[FOTOS CLICAR AQUI]
De regresso à Ásia.
Sou fanática por esta parte do globo. Acredito que o espírito que se vive ali é a versão mais positiva da vida, mais verdadeira e, no fundo, a mais simples de se alcançar a felicidade…ou o mais próximo dela possível.
Ia emocionalmente instável e determinada a pôr no campo das memórias o último capítulo da minha vida. Das boas memórias diga-se, mas que nem sempre têm um final feliz.
Pensei que ia sozinha, tinha um plano muito simples em mente…voar até Londres, passear e visitar uma amiga e depois seguir para Hanói, alojar-me num hostel algures no centro da cidade e ver as próximas saídas para Halong Bay. Mais não sabia o q me esperava, nem queria saber. Sozinha foi efectivamente o que quase nunca estive!
Antes não pensava assim, mas quanto mais viajo mais acredito que quanto menos lemos, menos pesquisamos imagens na internet, menos expectativa criamos e maior é a nossa surpresa e admiração do desconhecido. Quando uma paisagem, um templo, uma cidade, uma rua já nos passou várias vezes pela retina através de um ecrã, o seu real confronto nunca é tão intenso.
Vou transcrever parte do meu livrinho tal como senti e vi tudo naqueles dias….acrescentando o que o tempo, por escassear às vezes, não me permitiu pôr por palavras, mas que ainda me recordo tão bem…
13 Outubro 2011 – Lisboa -Londres
Arranco para mais uma aventura, que começa logo com uma boa surpresa no aeroporto: a companhia inesperada, na mesma fila do avião para Londres, da Maria Domingas, tio Pedro e tia Rita (pai e madrasta da Mingas).
O caminho deles aqui separa-se do meu – eles seguem para a Índia – mas foi um bom prenúncio.
Londres é uma cidade tão acelerada e cosmopolita, vamos ver o que reserva hoje para mim…para começar, está sol!
Penso que estou finalmente sozinha e eis que, ao chegar ao controlo de passaportes encontro a Sara, uma rapariga que tinha conhecido 15 dias antes em Portugal, numa saída de amigos ao cinema. Lá tive companhia até ao metro…again, um Mundo T0 :)
O passeio em Londres foi muito bom e deu para fazer o típico: Picadilly, Trafalgar square, Big Ben, Westminster, Convent Garden e visita à National Gallery (sempre que lá vou pergunto a mim mesma quando é que Portugal terá este tipo de cultura gratuita também, disponível para o povo).… e descansar finalmente num Wifi Café a ver o rush desta cidade enquanto converso com amigos na net e aguardo a Sofia Rocha para um cup-of-tea!
O metro pregou-me uma pequena partida e atrasou 40 minutos, tempo suficiente para ter de correr loucamente para a porta de embarque…quando tinha tido uma escala de 9h! unbeliavable…final feliz , parece que os meus treinos de jogging estão a dar resultado :)
E estou a bordo da Qantas para Bangkok…2nd round!
A aterrar em Bangkok vi os campos inundados pelas enormes cheias que o país atravessava, as estradas metade afundadas, as plantações gigantes submergidas…que sensação de impotência perante a mãe Natureza. Mas as chuvas tinham parado e estava sol. Sol e esperança.
14 de Outubro 2011 – chegada a Hanói (VIETNAME)
Cheguei a Hanoi no dia 14 de Outubro de noite. Tinha perdido um dia. Vi o “Breakfast at Tiffany’s” e aterro um bocado nostálgica, uma sensação que vem das muitas horas e da distância que começo a ter de Portugal.
Feeling em Hanói: estou tranquila, cansada, curiosa. Dormi o voo inteiro de Londres para Bkk mas não o de Bkk para Hanói…preciso de uma cama. Escolhi o Hanói Backpackers, quarto dormitório feminino, com mais 5 raparigas. Conheci apenas uma delas, holandesa, que ainda dormia quando saí de manhã. A visita à cidade iria ficar para uns dias mais tarde pois senão perderia a trip a Halong Bay.
Factos
Voos:
LIS-LON – 2h30 + 9h de escala
LON-BKK – 11h (dormi 7h30)
BKK – HANOI – 1h30
Hostel: Hanoi Backpackers (6$/noite)
Aeroporto – centro da cidade – NÃO é preciso mesmo ir de táxi (que custa 18$ cada percurso)…há umas mini vans que levam os locals para o centro, óptimas e com A/C, que custam…2$! Mesmo à saída do aeroporto do lado direito, just ask!!
Visto: tirei em Madrid (60€) mas podia ter feito o visa online request e havia um desk mesmo à chegada…
Vietname: 329.560 kms2 . 86,1 milhões de habitantes. Capital: Hanói: 3 milhões.
1 EUR = a 30.000 VND (Dong Vietnamita). GMT+7.
15 Outubro 2011 – Halong Bay (VIETNAME)
Esta manhã conheci o Fernando, um miúdo 5* de Saragoza, backpacker sozinho como eu…pena já ter vindo a Halong Bay, senão teria sido uma excelente companhia. Tomámos o pequeno-almoço juntos, fomos dar um passeio rápido e separámo-nos pois eu tinha de arrancar para Halong Bay, uma das 7 Maravilhas do Mundo!
….
Este lugar é lindo. Lindo. Lindo. Lindo. Estamos no barco, uma réplica perfeita dos tradicionais barcos vietnamitas, onde vamos passar os próximos 2 dias.
Não está sol mas muito calor. O grupo é porreiro, na maioria mais novos, como em todo o sudoeste asiático, australianos e ingleses, mas também holandeses, alemães e checos.
A música podia estar mais baixa, ou então eu é que estou a ficar velha :P
Roomate no barco: Mariola, uma dutsh girl com uma voz estridente mas muito simpática.
Com o jet lag sinto-me cansada e não consigo pensar muito, mas isso pode ser bom. Não pensar de mais, sobretudo num lugar fabuloso destes.
Depois de almoço juntámos 2 barcos braça-a-braça e foi tudo ao banho naquelas águas quentes e turquesa, gr salto do 3 andar (…até doeu). Espectáculo! Afinal não estou assim tão velha . Sessão de caiaque pela baía com este cenário idílico de fundo…
…e Mundo T0 novamente: dentro de uma caverna ia a conversar com um israelita e falo-lhe num amigo que tenho em Tel Aviv, que conheci na Costa Rica no ano 2010, o Danny Djanoly, e ouvimos alguém gritar do fundo da caverna: era outro israelita que tinha estudado com o Danny :).
Estas coincidências que me acontecem constantemente na vida deixam-me ainda perplexa e maravilhada com a pequena-grande dimensão da nossa existência.
No grupo do barco somos imensos, gosto particularmente do Mick (Australia), da Emma, Peter e Thomas (os 3 GB), mas ainda conheço mal os outros. Há 3 alemães de Munique e uma holandesa, todos muito porreiros (com quem acabei por passar quase o resto do tempo).
A minha vida leva-me sempre por caminhos que não entendo. Nunca são os mais fáceis. Exigem sempre de mim partir, estar sozinha, procurar a beleza e a diferença no Mundo. Só que este ano também me mostrou que a felicidade em casa pode ser perfeita, e isso faz com que o meu entusiasmo para viajar seja agora diferente, menos expectante.
Mega festa a bordo, acabei a ver as estrelas no deck superior e a conversar com um americano novíssimo que me surpreendeu pela positiva: culto e sem preconceitos com o mundo…Ben, foste um excelente exemplo da excepção à regra.
Amanhã ao final do dia vou conhecer o grupo com quem vou passar as seguintes 14 noites. I’m curious.
16 de Outubro 2011- Halong Bay –Hanói (VIETNAME)
Este tour foi genial. O grupo tem pessoas mesmo fantásticas e adoro este mix cultural. O cenário indescritível. A água quente. Dormi que nem um bebé. Não tenho tido um segundo, nem sequer para ler o guia (aliás, este facto ocorreu o resto da viagem inteira e acabei por desistir de ler guias, lol). Há sempre alguém.
E no meio desta gente que celebrava a vida encontro um grupo de 3 colegas que trabalhavam na Honda e estavam no sudoeste asiático por uma razão chocante: a sua fábrica na Tailândia encontrava-se inundada pelas enormes cheias que o país sentia neste momento e procuravam uma alternativa de produção…gorada… uma tragédia que punha os seus empregos, e de muitos outros trabalhadores, seriamente em risco.
O caminho (agora de regresso a Hanói) foi uma surpresa, pelo meio dos campos de arrozais, das incríveis e típicas casas vietnamitas de influência – claramente – francesa. Não esperava esta arquitectura e o efeito no meio do campo é extraordinário.
Chegamos a Hanói.
Hanói foi uma cidade que me surpreendeu muito. Adorei a energia. Adorei o antigo e o novo, as ruelas caóticas e as grandes mansões francesas, museus (como o Museu da Mulher, que gostei mesmo muito) e vendedores ambulantes, mercados de rua e hotéis de charme e luxo…uma cidade cheia de vida.
Fui conhecer o grupo com quem ia começar a parte Intrepid da viagem:
- A Megan (Australiana) – que passaria os restantes dias quase sempre de garrafa de cerveja na mão, sem sapatos, sem grande consciência da vida mas muito animada com amigos novos a cada noite! Eheheh. A cada um o que lhe faz feliz!...a meu ver, ela é muito nova e perdeu algumas coisas essenciais da trip, mas com certeza que se divertiu – e muito – no resto ;)
- A Jennifer – uma aussie de Perth tipo mamã super cool, onda meio hippie, com quem dividi quarto muitas noites …e que adorava acordar-me de madrugada com perguntas essenciais apenas à sua existência! Lol…mas uma querida à mesma :)
- A Karen – my best friend in the all trip , e com quem continuei depois a viagem mais tarde, só as duas, pelo norte da Tailândia. Uma Kiwi de Wellington – NZ – completamente diferente de mim (a Jennifer costumava dizer “tu és a europeia cosmopolita e poliglota que vive pelo mundo, ela a menina do campo que tem sonhos cor-de-rosa” e era verdade, mas acho que os opostos atraem-se mesmo nas amizades. Estivemos quase sempre juntas.
- O Milles e o Herman: 2 senhores canadianos, já nada novos, que tinham dado aulas juntos uma vida inteira e que apostaram que um dia que se reformassem iriam fazer uma viagem radical juntos, deixando as mulheres e filhos em casa. E foi. Para mim foram um exemplo de descontracção, de aceitação, de espelho de experiência de vida vivida mesmo quando não conhecem metade do mundo…sempre cool, sempre de garrafa de vodka na mão quando os via ao final do dia.
-last, but not least, a NOK, uma thai gordinha que fez de guia e que nos surpreendeu pela sua dedicação e boa vontade.
Por agora, deixo-os a todos e corro a ter com o Mick e Stephanie para uma volta pelo lago de Hanói, os seus mercados e ruelas do bairro antigo. Juntámo-nos aos 3 alemães de Munique e fomos jantar.
…aqui tive uma peripécia que vou deixar escrita apenas para minha recordação…eheheh…como não tinham nada sem carne no restaurante disse-lhes que ia buscar uma sandes e voltava…mas conheci na rua um neozelandês (giro) e um casal de ingleses (já com os copos) e acabámos a jantar os 4 noutro restaurante, :P…juntei-me ao meu grupo inicial a seguir pois já estavam à minha espera na rua, no bar em frente, para umas Bia Hois (cervejas). Não lhes contei que tinha jantado com os outros, lol. Mas fiquei convencida que a Nova Zelândia é um país a ir muito em breve, :p
17 de Outubro 2011 – Hanói – Vinh (VIETNAME)
A manhã foi a passear em Hanói. Que já descrevi acima e que adorei. Entusiasmei-me e perdi-me pelas ruelas… fiz atrasar ligeiramente a saída do bus, lol, que saía ao início da tarde…mas depois a viagem até Vinh foi tranquila, era uma etapa da viagem sem grandes marcos pois é uma cidade feia, na costa do Vietname, para pernoitar antes de iniciar as 12h de bus para Vientiane, a capital do LAOS.
18 de Outubro 2011 – Vinh – Vientiane (LAOS)
São 12h de caminho incríveis. A viagem não é um meio para um fim, mas um fim em si mesma. As montanhas do Laos, os seus rios de correntes castanhas e poderosas (mais de 80% do Laos é montanha e vivem, para além do ópio, da venda de Energia), as suas aldeias de cabanas em palafitas altas, a vida rural, o povo sempre sorrindo. Não há nada mas há tudo.
Seguimos ao lado do grande Mekong, através do famoso caminho de Ho Chi Min, palco dos maiores bombardeamentos da história da Humanidade.
O Laos foi o país mais bombardeado no Mundo e ninguém fala nele. Os B52 caíram dos céus aos milhões, muitos deles libertaram minas que estão ainda hoje por explodir. Das 260 milhões de bombas lançadas 1/3 ainda não explodiu! Ainda hoje há pessoas inocentes a ficarem mutiladas e a perder a vida. Um povo que nada fez e tanto sofreu é hoje, contudo, uma surpresa de felicidade e paz.
Nos rios há dezenas de embarcações feitas de carcaças de B52, é impressionante.
Há um silêncio que me envolve e deixa redimida em simultâneo. Gosto deste país de imediato.
Nota: Na fronteira há que ser discreto e respeitar a cultura conservadora deste povo. Roupas simples e sem grandes decotes, nada que lhe possa provocar um choque cultural. Afinal, estamos no seu país.
De peripécias neste trajecto apenas um furo que tivemos no caminho, mas que rapidamente foi solucionado…pela velocidade a que seguíamos acredito que o motorista já o sabia há muito tempo mas estava a tentar chegar a uma zona em que pudesse reparar o furo. Naquelas estradas esburacadas é mais que expectável…
Chegámos por fim a Vientiane, a capital do Laos, com 442.000 habitantes.
Factos Laos:
236.800 kms2 . 6 milhões de habitantes, maioritariamente budista. Capital: Vientiane - 442.000 habitantes. GMT+7.
1€=10.800 LAK (KIP Laoense)
Depois de um jantar magnífico fui beber um copo com a Karen e…engoli um mosquito! Fiquei preocupada com as doenças e despejei um Gin Tónico de penálti…ehehehe, parece que a água tónica tem quinina…e sabe sempre bem um Gin a acompanhar. :) conhecemos um casal gay de ingleses que tinha chegado à Ásia de Transiberiano, aí está uma viagem a fazer também um dia, bem acompanhada, passando pelas paisagens inóspitas da Mongólia numa carruagem-cama com uma boa leitura ao lado. Um dia. Mais tarde. Por agora “chocámos” com um concerto hip-hop Laoense…que não consigo descrever, lol, mas q deu p uma boa risada.
O Laos era dividido em 3 reinos, daí que além da flor, tenha como símbolo 3 elefantes. A influência francesa também é enorme, mas não domina a arquitectura como no Vietname.
Gostei deste 1º impacto da cidade.
19 de Outubro 2011 – Vientiane (LAOS)
O dia foi dedicado a conhecer a cidade. Tivemos um momento único (provavelmente na vida), em que no templo Wat Sakef (bem no centro) fomos recebidos por um monge em privado, que rezou connosco e a quem fizemos oferendas. No final abençoou cada um individualmente e colocou uma pulseirinha de boa sorte. Até eu que não costumo ser muito espiritual fiquei emocionada com a cerimónia. Acendi uma vela a Buda e saiu-me o número 7…diz o Nikon (guia q nos acompanhou nesta parte) que vou ter muita sorte e dinheiro até Abril 2012 (passados meses concluo que o dinheiro deveria ser a indemnização que recebi da empresa …e sorte provavelmente foi ter saído de lá e começar uma vida nova…justamente no final de Março…mas estas interpretações podem estar erradas!).
Na altura escrevi o seguinte no meu caderninho “trocava o $ por um amor novo. Pensei muito em Portugal e no que ando a fazer da minha vida”.
No resto do dia visitámos o Mercado, o Arco do Triunfo (mais uma influência francesa, mas este com acabamentos budistas, eheheh) e acabámos a ver o pôr-do-sol no Mekong e a beber vinho branco com snaks…delicioso.
20 de Outubro 2011 – Vientiane – Vang Vieng (LAOS)
Às 09h30 já estávamos no public Bus para Vang Vieng, aproveito para conversar com o Con e o Andrew (que tínhamos conhecido na noite anterior). As paisagens continuam deslumbrantes, estes caminhos são viagens em si mesmos. Jantámos numa “quinta” biológica e fomos ao famoso QBar…que na realidade é um bar cheio de jovens (muitoooo jovens), muitooo bêbados, com música aos gritos, festa rija e …mais umas coisinhas.
Vang Vieng é uma cidade para turistas [a original foi reconstruída uns poucos kms + à frente para o povo laoense] que vêm disfrutar das actividades na Natureza e …sobretudo…beber copos e comer cogumelos mágicos, entre outros, enquanto se desce o rio numa bóia – o famoso Tubbing! A paisagem à volta da terra é brutal, montanhas de Limestone rock, um rio com grandes correntes e verde, muitooo verde, com uma ilhota ali no meio e casinhas de madeira tradicionais suspensas (mas há pouca habitação uma vez que a população se mudou + para norte para não viver no meio dos turistas). Há imensa coisa que se pode fazer a partir dali.
Gosto imediatamente do local…é super laid back.
A história do Laos persegue-me cada vez que olho para um barco.
Convenci a Karen (foi fácil) e fomos fazer uma massagem p recuperar das várias horas de estrada que já levávamos…magnífico!
21 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
[não me lembro do nome da Guest House, mas era super simples, limpinha e tranquila, com uma varanda fixe p estar no relax]
Saímos de manhã cedo para a caverna Phom (Caverna da Água) com um cenário de cortar a respiração. A gruta foi uma grande surpresa, entrámos deitados nas bóias e puxando cabos que estavam nas paredes…e nunca pensei gostar tanto, cheia de formações rochosas coloridas e variadas. Almoçámos uma refeição tradicional, divinal, numa cabana de madeira, tendo folhas de banana como pratos (amo esta versão ecológica e gostava de importar).
As 2 inglesas, + os holandeses, que tínhamos conhecido seguiram para os cayakes e nós para o tubbing.
Descer o rio numa bóia com um cenário destes é indescritível. O tubbing de Vang Vieng é conhecido por todos os viajantes do sudoeste asiático…e essa fama vem do facto de à beira-rio durante os primeiros kms do rio, existirem bares em casinhas de madeira suspensas com mega festas e actividades aquáticas para fazer (eu andei nos escorregas artesanais de azulejos que caem para o meio do rio e de onde se tem de ser “pescado” imediatamente por causa da corrente), por cada shot recebe-se um carimbo no corpo ou uma tatuagem de tinta e muitos não chegam a conseguir descer o rio nas bóias …que têm de ser entregues até às 18h… dado o estado final.
Começa-se a descer o rio e os empregados dos bares atiram bóias feitas de garrafas com paus para “pescar” os interessados nas festas.
Cheguei a ouvir barbaridades cá em Portugal como “não vão a Vang Vieng que é perigoso”…cada um sabe de si e faz o que quer, ninguém mete o álcool ou as drogas pela boca se não quiser. É tudo acessível e barato, mas é à vontade do freguês! (as ementas têm cigarros de ópio e batidos de cogumelos mágicos) Eu fiquei-me pelas jolas de bar em bar pois queria mesmo fazer o tubbing até ao final, o rio é deslumbrante e seria uma pena perder aquilo.
O Herman aceitou um Happy Shake sem saber o que era e foi muito divertido…ehhehe…em Vang Vieng TUDO o que diga “HAPPY” significa que é feito com cogumelos mágicos (pizzas, batidos, etc etc) mas não explicam isso à cabeça e o pobre (ou não) curtiu a moca da vida dele numa bóia sem perceber porquê! Eheheheh.
Eu e a Karen jantámos com a Kat e Rosie (as 2 inglesas) num hostel muito fixe na rua principal e dp fomos a um copo à beira-rio. Pela 1ª vez encontrei um grupo de espanhóis da minha idade. Qbar & home.
22 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
Um dia que viria também ele a ser muito especial quando de início a ideia era ficar apenas no relax!
Passámos a manhã muito laid-back, junto ao rio…e resolvemos alugar umas biclas p ir dar uma volta ali à volta…sem grandes planos descobrimos descendo junto ao rio uma caverna no topo de uma montanha…absolutamente fabulosa, inserida num parque natural e com um templo budista lá dentro. Começámos por um mergulho no rio gelado e subimos ao templo….uma surpresa de facto incrível pois a caverna era lindaaaaa..cheia de pedras claras, formas diferentes, água, luz e cor…pedi um desejo e acendi uma vela no templo. A vista sobre Vang Vieng é maravilhosa e ficámos muito felizes de ter descoberto este lugar recôndito na montanha.
De regresso à terrinha vemos um passeio de balão de ar quente…experiência nova quer para mim quer para a Karen….e decidimos ir.
O balão tinha a capacidade para 4 passageiros + piloto e o grupo foi per si surreal: um Lituano gigante – o Ivo - dono de uma loja de tatuagens (Wickedneedles.com) e de uma jibóia e uma Boa como bichinhos de estimação, preparado para se ir enfiar na selva do Laos sozinho durante semanas – e um americano não assumido como tal, dizia que era de Taiwan pois era anti-América e auto-intitulava-se professor de uma Ciência Superior que, segundo ele, iluminava os Homens e permitia que passassem para outro Planeta…”there’s a program…” repetia ele...um doido varrido que supostamente era muito zen e no final veio fazer um filme porque lhe serviram um arroz sem gambas e ele não queria pagar…irritações muito mundanas para um cromo que se dizia tão espiritualmente superior…eheheh…foi uma risada.
Quanto ao passeio de balão ao pôr-do-sol…vibrámos loucamente, a paisagem é qualquer coisa de extraordinária e voar ao sabor do vento é de facto muito diferente e bom. A aterragem é que foi meio desastrosa pois aterrámos numa árvore e tinha uma colmeia de vespas, mas eu e a Karen não conseguíamos parar de rir e em vez de pânico demos por nós de joelhos no balão agarradas à barriga e à cerveja. Lol.
A sensação de voar num balão é demais, uma paz e um sentido de tranquilidade superior que apenas nos leva de novo à realidade ao som ensurdecedor do gás quente que lhe dá devir. Único e inolvidável.
Jantámos com o nosso grupo-base e fomos beber um copo com o Ivo depois. Boa música e boa conversa. + um dia perfeito.
23 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS) – Luang Prabang (LAOS)
8 horas de caminho pelas extraordinárias montanhas do Laos e pela sua história, povoada por agentes da CIA, comunistas rebeldes, muitas bombas, muito sofrimento. O povo da montanha – Lao Son – é simpático e aparenta viver em tranquilidade, fazem as suas casas sem janelas e organizam toda a sua vida na berma da estrada. Passámos por tribos Hmong (monges mobilizados pela CIA para combater os comunistas) e chegámos a Luang Prabang já ao final do dia. Ainda não antevia a cidade que aí esperava a minha visita…uma das mais bonitas e a que mais me encantou desde o início desta viagem.
24 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
05h30 da manhã e saio para uma cerimónia especial…alimentar os monges…ou melhor, fazer oferendas de arroz “stiky” e doces. Sentada nuns panos especiais à berma da estrada e ornamentada com lenços específicos, lá me fascinei com a vinda de dezenas de monges de cabeça rapada e vestidos laranja, com olhar humilde e distante, em fila indiana e de pote nas mãos, que recebiam as nossas oferendas e partiam muito direitinhos de volta aos templos onde partilhariam a comida recebida e fariam a sua única refeição do dia. Foi muito giro e especial.
Dali segui para um passeio pelo mercado matinal, com tudo o que se possa imaginar à venda, vivo e morto. Faz-me alguma confusão a falta de sensibilidade que os povos têm com o sofrimento dos animais: os lagoenses mantém-nos vivos para os venderem, mas sem qualquer condição: os peixes fora de água a agonizar, as rãs espetadas por paus ainda vivas, as larvas assadas mas ainda a mexerem dentro de casulos…
O Palácio Real convertido em Museu fica-me na memória pelo seu complexo arquitectónico e pela belíssima exposição temporária de fotografia sobre meditação budista, de um artista alemão contemporâneo.
Com o grupo-base decidimos chamar um tuk-tuk grande e ir visitar as waterfalls a 1h de Luang Prabang. Muito bonitas e com água gelada, estas quedas-de-água são também uma reserva de ursos, tendo vários pendurados nas árvores. Regressámos em cima da hora para um duche rápido e seguir para o teatro ver peças tradicionais…são muito infantis e tremendamente aborrecidas pois a música é demasiado zen e sem luz e com calor ia adormecendo…mas valeu a experiência.
Nesta noite jantámos as girls no Utopia, um restaurante-bar muito giro à beira-rio com grande som, boa comida, turístico, mas soube mesmo muito bem uma noite assim, um bocadinho de ocidente…no final, estava ko de ter levantado de madrugada e dormi que nem um bebé! :)
25 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
Luang Prabang encantou-me. Nesta manhã alugámos umas biclas e fomos (eu e Karen) descobrir os recantos da cidade e arredores, tivemos logo de início uma senhora argentina eléctrica que se colou ao passeio e ainda fizemos a ponte nova com ela, até a conseguirmos impingir a uns miúdos franceses que passavam, ehehehe. Era uma avó fantástica mas não se calava um segundo! Passámos então a ponte velha e fomos dar a uma zona da cidade sem turistas, onde encontrámos um templo-escola-casa de uns meninos-monge lindos e super simpáticos (estes sim, sorriram e conversaram connosco). Um lugar mágico.
Descemos à beira-rio e onde o Mekong e o Kham Pham se cruzam almocámos um belíssimo manjar Laoense. Depois visitámos o templo principal e subimos ao monte que caracteriza o centro da cidade, com muitooooos degraus e uma vista absolutamente deslumbrante de 360º pela cidade.
Nesta subida comprámos um passarinho enjaulado e a Karen libertou-o lá em cima, fazendo um desejo que, embora a mim me tivesse parecido uma infantilidade romântica… mais tarde se concretizou! Um rapaz que ela conhecera uma noite no Laos (e apenas uma noite de passagem), que andava a viajar pela SEA, voltou a contactá-la meses mais tarde na Nova Zelândia e estão agora noivos!!!!
Às vezes penso que a vida me foi tirando esta crença no amor e no romance e fez-me acreditar que é assim com toda a gente e em todo o lado…e depois vejo-me enganada e volto a ter dúvidas. A Karen, na sua ingenuidade de miúda do campo romântica vive com uma intensidade e simplicidade que na nossa Europa cosmopolita não têm lugar, ora por excessiva euforia de liberdade inconsequente ora por total descrédito do amor simples. Terei de imigrar? ;)
Terminei o dia a passear à beira do Mekong na minha bicla, a Karen quis ir a uma aula de culinária e eu precisava do meu momento sozinha….desci para a zona residencial e fui explorar o quotidiano daquele povo tão simpático…vi os pais a irem buscar os meninos à escola (a pé, de bicla e de moto), vi os lojistas a fecharem as suas lojas, vi a vida de quem deseja uma existência simples e feliz.
Acabei a beber um copo numa esplanada na rua principal e num súbito ataque de saudades liguei o meu skype e liguei para Portugal. :)
Porém, a uma semana e meia de regressar não me sinto ainda preparada. Tenho vontade de adiar o voo e perder-me um pouco mais por aqui. Não estou curada, não ganhei a distância emocional que preciso para me proteger. Ao mesmo tempo, esta viagem está a ser um sonho.
20h30 e segui para o Utopia onde tinha marcado jantar com a karen. Conhecemos a Zoe, uma holandês Barmaid em AMS muito cool. Falámos muito da droga que alucina os turistas no Laos: os cogumelos mágicos. Temos uma opinião consensual embora elas já tivessem experimentado e eu não.
26 de Outubro de 2011 – Luang Prabang (LAOS) – Pakbang (LAOS)
8h da manhã e entramos num dos vários barcos típicos que fazem o Mekong nos seus muitos kms e 6 países. Tem cerca de 30 mts de comprimento e uns meros 3mts de largura, em madeira clara e tecto baixo, sem vidros nas janelas, ficamos sentados muito junto à água. Adoro. Comecei a subida de 2 dias pelos “mighty Mekong”.
8h a 10h de viagem por dia a um ritmo lento e num silêncio respeitoso pela paisagem ludibriante que as suas margens nos mostram. Paisagem e vida. Animais (búfalos e cabras), crianças, alguns, poucos, adultos (que onde a selva é menos intensa se dedicam a lavrar os terrenos), vão surgindo ocasionalmente daquela selva magnífica e fazem as suas vidas à beira-rio. Não imaginei que pudesse haver areia tão branca nas margens de um rio…e olhando para os meninos que rebolam pelas mini-dunas abaixo em direcção à água lembro-me de como é bom ser criança :).
Sinto-me “overwelmed”, rendida.
Parámos numa gruta usada como templo budista cheia de amuletos e mini estátuas do buda e uma luz dourada do sol a reflectir no rio e nas paredes deste lugar sagrado para os asiáticos.
Antes de entrar a bordo, ainda em Luang Prabang, tinha encontrado uns miúdos espanhóis que conheci na noite anterior. Estavam ainda de garrafas na mão e curtiam a sua embriaguez. Não entendo como se desperdiça uma vivência do Laos em troca de copos. Nunca irei entender.
Todos os dias conheço pessoas de todos os cantos do Mundo e vejo novas visões da vida. É bom.
Paramos em Pakbang para comer e dormir. Uma terra de meia dúzia de casinhas convertidas em hostels e restaurantes que sobe uma vereda na montanha...literalmente no meio da selva e à beira-rio. Constato que a electricidade tinha chegado há pouco tempo a Pakbang e que até então a terra usava geradores e tinha horas de blackouts gerais. Agora já conseguiam ter uns bares com música para entreter os mochileiros de passagem e melhor que tudo: frigoríficos! :) pézinho de dança e toca a dormir que a manhã seguinte vislumbra-se muito cedo!
27 de Outubro de 2011 – Pakbang (LAOS) – Huay Xai (TAILÂNDIA)
Saímos da aldeia às 06h30 da matina no meio de um nevoeiro místico à volta das montanhas circundantes. Um cenário belíssimo para começar o dia!
São mais 9h até à fronteira com a Tailândia.
Esta beleza quase que dói à vista. O verde tropical dos montes, a areia branca, a vida nas margens.
Almoço a bordo e pequena paragem numa aldeola onde as crianças nos invadiram o barco.
Continuo a minha leitura que me têm irremediavelmente ligado ainda mais a estes povos: “First They Killed My Father” (Loung Ung)…uma filha do Cambodja relembra a sua infância de terror e tortura pelo Regime dos Khmer Rouge. Uma realidade brutal a apenas 40 anos de distância. Ando muito sensível à história cruel e dura destes países. Sinto a dor deles, revolto-me contra o próprio Homem. Sou limitada pela minha existência de criança feliz e gostava de acreditar que este horror seria inconcebível. Mas não é. Não foi. Existiu.
Não sei onde vou dormir amanhã nem nos dias seguintes, não sei para onde vou rumar a seguir. [Em todos os sentidos].
Chegamos a Huay Xai após as formalidades de fronteira que nos obrigaram a ir primeiro a terra na margem norte dar a nossa saída do Laos e apanhar um micro-barco-jangada-atolhado-de-malas para dar entrada na Tailândia. SAWASDEE KA!!!!
Huay Xai Uma simples terra de fronteira com muito comércio e alguns hostels à beira-rio. Caótica e sem grande interesse.
Factos da Tailândia:
513.115 kms2 . 65,4 milhões de habitantes, maioritariamente budista. GMT+6. Capital – Bangkok (8,16 Milhões habitantes)
1€= 42 THB (Bath)
28 de Outubro de 2011 – Huay Xai (TAILÂNDIA) – CHIANG RAI (TAILÂNDIA) – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Saímos de madrugada da aldeia fronteiriça em direcção a Chiang Mai, não sem antes pararmos na região de Chiang Rai para visitar uma plantação de cajus e o famoso Wat Rong Khun – o templo branco, futurista, da autoria de um jovem arquitecto budista desejoso de contribuir para uma nova perspectiva dos templos budistas…and a weird one I must say…mas sem dúvida vale a pena ouvir um guia na explicação do caminho até ao Nirvana (sobretudo porque sem essa explicação apenas vemos mãos espetadas no chão como um purgatório, paredes com cenas desenhadas do cinema norte-americano contemporâneo e outros elementos surrealistas…envoltos num templo de puro branco).
Chegámos ao nosso destino ao final do dia. Fizemos um jantar de despedida dos canadianos e das australianas num mercado de peixe óptimo e fomos todos beber umas Chang ao pé do night market.
Chiang Mai continua a ser uma cidade cheia de vida e da qual gosto muito. Apesar de já ser uma segunda visita a esta terra decido ficar os meus restantes dias por lá e visitar algumas zonas à volta que não conhecia ainda.
A Karen decidiu ficar comigo também e passámos o dia a procurar um hostel simpático e com piscina para podermos descansar, matar o calor e acabar a nossa longa trip em zen.
29 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Chiang Mai Eco Resort – um hostel muito sui generis com jardins enormes etiquetados, mini-ginásio, mega piscina e restaurante eco-integrado. GIRO e ultra confortável. Um pouco mais caro que os outros hostels mas mesmo assim, ficou em 9€ por pessoa/noite em quarto duplo, com pequeno-almoço incluído. E parecia um hotel 4*!
Passámos um dia ultra-relax entre piscina e passeio na cidade com jantarinho divinal num jardim dentro das muralhas da zona antiga. Depois de 17 dias sem parar um dia destes sabe mesmo bem para devolver ao corpo alguma energia.
Conhecemos umas raparigas – americana (Matty), francesa (Laeticia) e brasileira (Lígia) –que estavam na cidade a tirar cursos de massagem profissionais. Não há dúvida que a Tailândia é o topo neste campo e a conversa abriu-me o apetite para eu própria lá voltar para fazer um curso. Sunshine Massage School! A Matty é uma figura incrível de uma miúda cheia de vida e energia. Love&Compassion.
E penso que a vida me abre tantas portas e eu ando a insistir em abrir a única janela fechada. Acho que no fundo sou capaz de tudo desde que tenha amor. Tenho dificuldade em aceitar que estou de novo sozinha, sem alguém que olhe por mim, e o passado recente ainda me custa a ultrapassar.
A Karen já dorme há horas e eu perco-me na conversa com estas miúdas que se espelham tão seguras e tranquilas quanto às suas decisões de vida que fico a pensar se serei apenas eu que tem tantas dúvidas!
30 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – DOI SAKET (TAILÂNDIA)– CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Os acontecimentos fluem na nossa vida sem esforço, naturalmente, e fui parar à Fundação Asia’s Hope: um orfanato com sede a 2h de Chiang Mai e que apoia cerca de 200 meninos e meninas de várias idades e de 4 etnias (Hmong, Karen, Ak, L – não assentei os nomes completos destas últimas duas).
A Fundação é gerida pelo Mike e a Debbie, 2 extraordinários anciães norte-americanos que vivem e apoiam crianças tailandesas há mais de 10 anos. Somos 5 convidados especiais para a sua missa de domingo onde reúnem todas as crianças das diferentes casas ao redor da Sede. O Mike apresenta-nos um-a-um e as crianças depois da missa cantaram em grupos para os presentes e vieram brincar connosco no final e mostrar os seus dormitórios.
Estou emocionada. Sinto-me egoísta, por não ser capaz de me libertar dos meus problemas mundanos e mesquinhos e dar mais apoio a causas desta natureza, realmente importantes.
Love & Compassion outra vez.Desde a conversa de ontem com a Matty que estas 2 palavras parecem significar todo o essencial da nossa vivência.
O grupo dos 5 integrava, para além de mim e da Karen, 2 americanas (uma delas tinha aberto uma Asia’s Hope no Cambodja havia já 2 anos e estava a dar formação local a professores para poderem dar continuidade ao ensino escolar dentro do orfanato) e 1 jornalista Australiano – o Scott – que ia para mais uma das suas missões perigosas na Birmânia, onde se infiltrava com a ajuda dos rebeldes locais, para poder documentar a opressão que o povo de Myanmar ainda vive.
Que faço eu neste mundo de relevante?
…
Depois do orfanato a aventura continuou e fomos as duas ao Tiger World, a norte de Chiang Mai. Foi um espanto. Apesar dos coitados dos tigres estarem o dia inteiro rodeados de turistas, amei. Os bebés tinham 2-3 meses e podíamos enroscar-nos neles, dar beijinhos, tocar-lhes ainda mais que a um gato normal. Os “grandes” impunham outro respeito, mas não tive medo, foi mesmo espectacular! O maior tinha 22 meses e ainda “só” 160kgs, mas segundo o tratador, iria chegar aos 250kgs. Coisa pouca. OMB!!! (Oh My Buda).
De noite fomos ao outro night Bazar regatear mais souvenirs e jantar, como sempre, lindamente. O último jantar na Ásia nos próximos tempos.
31 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – BANGKOK – LONDRES – LISBOA
Último dia. Piscina. Despedida da Karen que seguiu para o outro lado do Mundo. É estranho as inúmeras vezes em que percorro kms, partilho vivências, gostos, dúvidas, medos, felicidades com pessoas que entram e saem aleatoriamente da minha vida. A Karen esteve 17 dos meus 20 dias pela SEA quase sempre comigo e agora segue o seu rumo e eu o meu. Pontos opostos no globo. 180º. A maioria das vezes não volto mais a ver estas pessoas e contudo, elas tiveram um papel tão importante nestas minhas caminhadas pelo Mundo.
Vou fazer um passeio pela cidade e tenho o meu já histórico acidente de percurso…caí num bueiro da estrada e fiquei com a perna enfiada num buraco de esgoto seco até à cintura. Além de me ter doído imenso e ter ficado com a lombar magoada, fiquei com uns belos cortes que tive de rapidamente desinfectar numa parafarmácia “a la asiática” onde consegui apenas explicar “ALCOOL” e gritei como uma maluca com o líquido nas pernas com uma família de thais a olharem para mim surpreendidos com a turista doida. :P
Passado umas horas escrevi: “estou agora na porta de embarque já em Bangkok para voar para Londres e depois Lisboa. Estou muito cansada mas esta viagem foi brutal. Fiz de tudo, vi de tudo. Só não consegui ainda mudar o meu mindset. Volto, contudo, mais certa de que tenho de mudar. Em tudo. A começar por mim.” …
“estou a chegar a Londres. Quero ir para casa mas não sei como me vou sentir. É tão difícil viver sozinha em Portugal e ser feliz. Estão sempre a cobrar-me um estatuto. Toda a sociedade é estabelecida com base em casais, filhos, obrigações. Na Ásia tudo é tão simples. Ninguém tem de provar nada. Estar sozinha é fácil, não dói, não nos sentimos desajustados…há uma multidão como nós. Toda a gente se junta e separa conforme os seus objectivos diários das suas viagens individuais. Não há muitas perguntas. Não há exigências. Todos os dias são 100% preenchidos, a vida é vivida ao minuto, sabai. O regresso a casa é agora uma confusão de sentimentos...quero estar com a minha família e amigos mas ainda não me sinto preparada para tudo o resto.
Aos 34 anos continuo num limbo, no trabalho vamos novamente ter cortes e despedimentos e eu estou cansada de não aplicar quase nenhuma das minhas competências e depender sempre das vontades dos administradores. Na vida pessoal não consigo deixar o meu passado nem andar para a frente. Estou num beco sem saída e não sei o que aí vem. MAS…para tudo na vida há uma solução.
Love & compassion.
Foi o que aprendi com esta viagem."
S
ps- esta crónica foi escrita entre Out. e Nov. de 2011, vários acontecimentos decorreram depois e dei de facto uma volta de 180º ao rumo da minha vida. Certo, agora, só as minhas viagens...
De regresso à Ásia.
Sou fanática por esta parte do globo. Acredito que o espírito que se vive ali é a versão mais positiva da vida, mais verdadeira e, no fundo, a mais simples de se alcançar a felicidade…ou o mais próximo dela possível.
Ia emocionalmente instável e determinada a pôr no campo das memórias o último capítulo da minha vida. Das boas memórias diga-se, mas que nem sempre têm um final feliz.
Pensei que ia sozinha, tinha um plano muito simples em mente…voar até Londres, passear e visitar uma amiga e depois seguir para Hanói, alojar-me num hostel algures no centro da cidade e ver as próximas saídas para Halong Bay. Mais não sabia o q me esperava, nem queria saber. Sozinha foi efectivamente o que quase nunca estive!
Antes não pensava assim, mas quanto mais viajo mais acredito que quanto menos lemos, menos pesquisamos imagens na internet, menos expectativa criamos e maior é a nossa surpresa e admiração do desconhecido. Quando uma paisagem, um templo, uma cidade, uma rua já nos passou várias vezes pela retina através de um ecrã, o seu real confronto nunca é tão intenso.
Vou transcrever parte do meu livrinho tal como senti e vi tudo naqueles dias….acrescentando o que o tempo, por escassear às vezes, não me permitiu pôr por palavras, mas que ainda me recordo tão bem…
13 Outubro 2011 – Lisboa -Londres
Arranco para mais uma aventura, que começa logo com uma boa surpresa no aeroporto: a companhia inesperada, na mesma fila do avião para Londres, da Maria Domingas, tio Pedro e tia Rita (pai e madrasta da Mingas).
O caminho deles aqui separa-se do meu – eles seguem para a Índia – mas foi um bom prenúncio.
Londres é uma cidade tão acelerada e cosmopolita, vamos ver o que reserva hoje para mim…para começar, está sol!
Penso que estou finalmente sozinha e eis que, ao chegar ao controlo de passaportes encontro a Sara, uma rapariga que tinha conhecido 15 dias antes em Portugal, numa saída de amigos ao cinema. Lá tive companhia até ao metro…again, um Mundo T0 :)
O passeio em Londres foi muito bom e deu para fazer o típico: Picadilly, Trafalgar square, Big Ben, Westminster, Convent Garden e visita à National Gallery (sempre que lá vou pergunto a mim mesma quando é que Portugal terá este tipo de cultura gratuita também, disponível para o povo).… e descansar finalmente num Wifi Café a ver o rush desta cidade enquanto converso com amigos na net e aguardo a Sofia Rocha para um cup-of-tea!
O metro pregou-me uma pequena partida e atrasou 40 minutos, tempo suficiente para ter de correr loucamente para a porta de embarque…quando tinha tido uma escala de 9h! unbeliavable…final feliz , parece que os meus treinos de jogging estão a dar resultado :)
E estou a bordo da Qantas para Bangkok…2nd round!
A aterrar em Bangkok vi os campos inundados pelas enormes cheias que o país atravessava, as estradas metade afundadas, as plantações gigantes submergidas…que sensação de impotência perante a mãe Natureza. Mas as chuvas tinham parado e estava sol. Sol e esperança.
14 de Outubro 2011 – chegada a Hanói (VIETNAME)
Cheguei a Hanoi no dia 14 de Outubro de noite. Tinha perdido um dia. Vi o “Breakfast at Tiffany’s” e aterro um bocado nostálgica, uma sensação que vem das muitas horas e da distância que começo a ter de Portugal.
Feeling em Hanói: estou tranquila, cansada, curiosa. Dormi o voo inteiro de Londres para Bkk mas não o de Bkk para Hanói…preciso de uma cama. Escolhi o Hanói Backpackers, quarto dormitório feminino, com mais 5 raparigas. Conheci apenas uma delas, holandesa, que ainda dormia quando saí de manhã. A visita à cidade iria ficar para uns dias mais tarde pois senão perderia a trip a Halong Bay.
Factos
Voos:
LIS-LON – 2h30 + 9h de escala
LON-BKK – 11h (dormi 7h30)
BKK – HANOI – 1h30
Hostel: Hanoi Backpackers (6$/noite)
Aeroporto – centro da cidade – NÃO é preciso mesmo ir de táxi (que custa 18$ cada percurso)…há umas mini vans que levam os locals para o centro, óptimas e com A/C, que custam…2$! Mesmo à saída do aeroporto do lado direito, just ask!!
Visto: tirei em Madrid (60€) mas podia ter feito o visa online request e havia um desk mesmo à chegada…
Vietname: 329.560 kms2 . 86,1 milhões de habitantes. Capital: Hanói: 3 milhões.
1 EUR = a 30.000 VND (Dong Vietnamita). GMT+7.
15 Outubro 2011 – Halong Bay (VIETNAME)
Esta manhã conheci o Fernando, um miúdo 5* de Saragoza, backpacker sozinho como eu…pena já ter vindo a Halong Bay, senão teria sido uma excelente companhia. Tomámos o pequeno-almoço juntos, fomos dar um passeio rápido e separámo-nos pois eu tinha de arrancar para Halong Bay, uma das 7 Maravilhas do Mundo!
….
Este lugar é lindo. Lindo. Lindo. Lindo. Estamos no barco, uma réplica perfeita dos tradicionais barcos vietnamitas, onde vamos passar os próximos 2 dias.
Não está sol mas muito calor. O grupo é porreiro, na maioria mais novos, como em todo o sudoeste asiático, australianos e ingleses, mas também holandeses, alemães e checos.
A música podia estar mais baixa, ou então eu é que estou a ficar velha :P
Roomate no barco: Mariola, uma dutsh girl com uma voz estridente mas muito simpática.
Com o jet lag sinto-me cansada e não consigo pensar muito, mas isso pode ser bom. Não pensar de mais, sobretudo num lugar fabuloso destes.
Depois de almoço juntámos 2 barcos braça-a-braça e foi tudo ao banho naquelas águas quentes e turquesa, gr salto do 3 andar (…até doeu). Espectáculo! Afinal não estou assim tão velha . Sessão de caiaque pela baía com este cenário idílico de fundo…
…e Mundo T0 novamente: dentro de uma caverna ia a conversar com um israelita e falo-lhe num amigo que tenho em Tel Aviv, que conheci na Costa Rica no ano 2010, o Danny Djanoly, e ouvimos alguém gritar do fundo da caverna: era outro israelita que tinha estudado com o Danny :).
Estas coincidências que me acontecem constantemente na vida deixam-me ainda perplexa e maravilhada com a pequena-grande dimensão da nossa existência.
No grupo do barco somos imensos, gosto particularmente do Mick (Australia), da Emma, Peter e Thomas (os 3 GB), mas ainda conheço mal os outros. Há 3 alemães de Munique e uma holandesa, todos muito porreiros (com quem acabei por passar quase o resto do tempo).
A minha vida leva-me sempre por caminhos que não entendo. Nunca são os mais fáceis. Exigem sempre de mim partir, estar sozinha, procurar a beleza e a diferença no Mundo. Só que este ano também me mostrou que a felicidade em casa pode ser perfeita, e isso faz com que o meu entusiasmo para viajar seja agora diferente, menos expectante.
Mega festa a bordo, acabei a ver as estrelas no deck superior e a conversar com um americano novíssimo que me surpreendeu pela positiva: culto e sem preconceitos com o mundo…Ben, foste um excelente exemplo da excepção à regra.
Amanhã ao final do dia vou conhecer o grupo com quem vou passar as seguintes 14 noites. I’m curious.
16 de Outubro 2011- Halong Bay –Hanói (VIETNAME)
Este tour foi genial. O grupo tem pessoas mesmo fantásticas e adoro este mix cultural. O cenário indescritível. A água quente. Dormi que nem um bebé. Não tenho tido um segundo, nem sequer para ler o guia (aliás, este facto ocorreu o resto da viagem inteira e acabei por desistir de ler guias, lol). Há sempre alguém.
E no meio desta gente que celebrava a vida encontro um grupo de 3 colegas que trabalhavam na Honda e estavam no sudoeste asiático por uma razão chocante: a sua fábrica na Tailândia encontrava-se inundada pelas enormes cheias que o país sentia neste momento e procuravam uma alternativa de produção…gorada… uma tragédia que punha os seus empregos, e de muitos outros trabalhadores, seriamente em risco.
O caminho (agora de regresso a Hanói) foi uma surpresa, pelo meio dos campos de arrozais, das incríveis e típicas casas vietnamitas de influência – claramente – francesa. Não esperava esta arquitectura e o efeito no meio do campo é extraordinário.
Chegamos a Hanói.
Hanói foi uma cidade que me surpreendeu muito. Adorei a energia. Adorei o antigo e o novo, as ruelas caóticas e as grandes mansões francesas, museus (como o Museu da Mulher, que gostei mesmo muito) e vendedores ambulantes, mercados de rua e hotéis de charme e luxo…uma cidade cheia de vida.
Fui conhecer o grupo com quem ia começar a parte Intrepid da viagem:
- A Megan (Australiana) – que passaria os restantes dias quase sempre de garrafa de cerveja na mão, sem sapatos, sem grande consciência da vida mas muito animada com amigos novos a cada noite! Eheheh. A cada um o que lhe faz feliz!...a meu ver, ela é muito nova e perdeu algumas coisas essenciais da trip, mas com certeza que se divertiu – e muito – no resto ;)
- A Jennifer – uma aussie de Perth tipo mamã super cool, onda meio hippie, com quem dividi quarto muitas noites …e que adorava acordar-me de madrugada com perguntas essenciais apenas à sua existência! Lol…mas uma querida à mesma :)
- A Karen – my best friend in the all trip , e com quem continuei depois a viagem mais tarde, só as duas, pelo norte da Tailândia. Uma Kiwi de Wellington – NZ – completamente diferente de mim (a Jennifer costumava dizer “tu és a europeia cosmopolita e poliglota que vive pelo mundo, ela a menina do campo que tem sonhos cor-de-rosa” e era verdade, mas acho que os opostos atraem-se mesmo nas amizades. Estivemos quase sempre juntas.
- O Milles e o Herman: 2 senhores canadianos, já nada novos, que tinham dado aulas juntos uma vida inteira e que apostaram que um dia que se reformassem iriam fazer uma viagem radical juntos, deixando as mulheres e filhos em casa. E foi. Para mim foram um exemplo de descontracção, de aceitação, de espelho de experiência de vida vivida mesmo quando não conhecem metade do mundo…sempre cool, sempre de garrafa de vodka na mão quando os via ao final do dia.
-last, but not least, a NOK, uma thai gordinha que fez de guia e que nos surpreendeu pela sua dedicação e boa vontade.
Por agora, deixo-os a todos e corro a ter com o Mick e Stephanie para uma volta pelo lago de Hanói, os seus mercados e ruelas do bairro antigo. Juntámo-nos aos 3 alemães de Munique e fomos jantar.
…aqui tive uma peripécia que vou deixar escrita apenas para minha recordação…eheheh…como não tinham nada sem carne no restaurante disse-lhes que ia buscar uma sandes e voltava…mas conheci na rua um neozelandês (giro) e um casal de ingleses (já com os copos) e acabámos a jantar os 4 noutro restaurante, :P…juntei-me ao meu grupo inicial a seguir pois já estavam à minha espera na rua, no bar em frente, para umas Bia Hois (cervejas). Não lhes contei que tinha jantado com os outros, lol. Mas fiquei convencida que a Nova Zelândia é um país a ir muito em breve, :p
17 de Outubro 2011 – Hanói – Vinh (VIETNAME)
A manhã foi a passear em Hanói. Que já descrevi acima e que adorei. Entusiasmei-me e perdi-me pelas ruelas… fiz atrasar ligeiramente a saída do bus, lol, que saía ao início da tarde…mas depois a viagem até Vinh foi tranquila, era uma etapa da viagem sem grandes marcos pois é uma cidade feia, na costa do Vietname, para pernoitar antes de iniciar as 12h de bus para Vientiane, a capital do LAOS.
18 de Outubro 2011 – Vinh – Vientiane (LAOS)
São 12h de caminho incríveis. A viagem não é um meio para um fim, mas um fim em si mesma. As montanhas do Laos, os seus rios de correntes castanhas e poderosas (mais de 80% do Laos é montanha e vivem, para além do ópio, da venda de Energia), as suas aldeias de cabanas em palafitas altas, a vida rural, o povo sempre sorrindo. Não há nada mas há tudo.
Seguimos ao lado do grande Mekong, através do famoso caminho de Ho Chi Min, palco dos maiores bombardeamentos da história da Humanidade.
O Laos foi o país mais bombardeado no Mundo e ninguém fala nele. Os B52 caíram dos céus aos milhões, muitos deles libertaram minas que estão ainda hoje por explodir. Das 260 milhões de bombas lançadas 1/3 ainda não explodiu! Ainda hoje há pessoas inocentes a ficarem mutiladas e a perder a vida. Um povo que nada fez e tanto sofreu é hoje, contudo, uma surpresa de felicidade e paz.
Nos rios há dezenas de embarcações feitas de carcaças de B52, é impressionante.
Há um silêncio que me envolve e deixa redimida em simultâneo. Gosto deste país de imediato.
Nota: Na fronteira há que ser discreto e respeitar a cultura conservadora deste povo. Roupas simples e sem grandes decotes, nada que lhe possa provocar um choque cultural. Afinal, estamos no seu país.
De peripécias neste trajecto apenas um furo que tivemos no caminho, mas que rapidamente foi solucionado…pela velocidade a que seguíamos acredito que o motorista já o sabia há muito tempo mas estava a tentar chegar a uma zona em que pudesse reparar o furo. Naquelas estradas esburacadas é mais que expectável…
Chegámos por fim a Vientiane, a capital do Laos, com 442.000 habitantes.
Factos Laos:
236.800 kms2 . 6 milhões de habitantes, maioritariamente budista. Capital: Vientiane - 442.000 habitantes. GMT+7.
1€=10.800 LAK (KIP Laoense)
Depois de um jantar magnífico fui beber um copo com a Karen e…engoli um mosquito! Fiquei preocupada com as doenças e despejei um Gin Tónico de penálti…ehehehe, parece que a água tónica tem quinina…e sabe sempre bem um Gin a acompanhar. :) conhecemos um casal gay de ingleses que tinha chegado à Ásia de Transiberiano, aí está uma viagem a fazer também um dia, bem acompanhada, passando pelas paisagens inóspitas da Mongólia numa carruagem-cama com uma boa leitura ao lado. Um dia. Mais tarde. Por agora “chocámos” com um concerto hip-hop Laoense…que não consigo descrever, lol, mas q deu p uma boa risada.
O Laos era dividido em 3 reinos, daí que além da flor, tenha como símbolo 3 elefantes. A influência francesa também é enorme, mas não domina a arquitectura como no Vietname.
Gostei deste 1º impacto da cidade.
19 de Outubro 2011 – Vientiane (LAOS)
O dia foi dedicado a conhecer a cidade. Tivemos um momento único (provavelmente na vida), em que no templo Wat Sakef (bem no centro) fomos recebidos por um monge em privado, que rezou connosco e a quem fizemos oferendas. No final abençoou cada um individualmente e colocou uma pulseirinha de boa sorte. Até eu que não costumo ser muito espiritual fiquei emocionada com a cerimónia. Acendi uma vela a Buda e saiu-me o número 7…diz o Nikon (guia q nos acompanhou nesta parte) que vou ter muita sorte e dinheiro até Abril 2012 (passados meses concluo que o dinheiro deveria ser a indemnização que recebi da empresa …e sorte provavelmente foi ter saído de lá e começar uma vida nova…justamente no final de Março…mas estas interpretações podem estar erradas!).
Na altura escrevi o seguinte no meu caderninho “trocava o $ por um amor novo. Pensei muito em Portugal e no que ando a fazer da minha vida”.
No resto do dia visitámos o Mercado, o Arco do Triunfo (mais uma influência francesa, mas este com acabamentos budistas, eheheh) e acabámos a ver o pôr-do-sol no Mekong e a beber vinho branco com snaks…delicioso.
20 de Outubro 2011 – Vientiane – Vang Vieng (LAOS)
Às 09h30 já estávamos no public Bus para Vang Vieng, aproveito para conversar com o Con e o Andrew (que tínhamos conhecido na noite anterior). As paisagens continuam deslumbrantes, estes caminhos são viagens em si mesmos. Jantámos numa “quinta” biológica e fomos ao famoso QBar…que na realidade é um bar cheio de jovens (muitoooo jovens), muitooo bêbados, com música aos gritos, festa rija e …mais umas coisinhas.
Vang Vieng é uma cidade para turistas [a original foi reconstruída uns poucos kms + à frente para o povo laoense] que vêm disfrutar das actividades na Natureza e …sobretudo…beber copos e comer cogumelos mágicos, entre outros, enquanto se desce o rio numa bóia – o famoso Tubbing! A paisagem à volta da terra é brutal, montanhas de Limestone rock, um rio com grandes correntes e verde, muitooo verde, com uma ilhota ali no meio e casinhas de madeira tradicionais suspensas (mas há pouca habitação uma vez que a população se mudou + para norte para não viver no meio dos turistas). Há imensa coisa que se pode fazer a partir dali.
Gosto imediatamente do local…é super laid back.
A história do Laos persegue-me cada vez que olho para um barco.
Convenci a Karen (foi fácil) e fomos fazer uma massagem p recuperar das várias horas de estrada que já levávamos…magnífico!
21 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
[não me lembro do nome da Guest House, mas era super simples, limpinha e tranquila, com uma varanda fixe p estar no relax]
Saímos de manhã cedo para a caverna Phom (Caverna da Água) com um cenário de cortar a respiração. A gruta foi uma grande surpresa, entrámos deitados nas bóias e puxando cabos que estavam nas paredes…e nunca pensei gostar tanto, cheia de formações rochosas coloridas e variadas. Almoçámos uma refeição tradicional, divinal, numa cabana de madeira, tendo folhas de banana como pratos (amo esta versão ecológica e gostava de importar).
As 2 inglesas, + os holandeses, que tínhamos conhecido seguiram para os cayakes e nós para o tubbing.
Descer o rio numa bóia com um cenário destes é indescritível. O tubbing de Vang Vieng é conhecido por todos os viajantes do sudoeste asiático…e essa fama vem do facto de à beira-rio durante os primeiros kms do rio, existirem bares em casinhas de madeira suspensas com mega festas e actividades aquáticas para fazer (eu andei nos escorregas artesanais de azulejos que caem para o meio do rio e de onde se tem de ser “pescado” imediatamente por causa da corrente), por cada shot recebe-se um carimbo no corpo ou uma tatuagem de tinta e muitos não chegam a conseguir descer o rio nas bóias …que têm de ser entregues até às 18h… dado o estado final.
Começa-se a descer o rio e os empregados dos bares atiram bóias feitas de garrafas com paus para “pescar” os interessados nas festas.
Cheguei a ouvir barbaridades cá em Portugal como “não vão a Vang Vieng que é perigoso”…cada um sabe de si e faz o que quer, ninguém mete o álcool ou as drogas pela boca se não quiser. É tudo acessível e barato, mas é à vontade do freguês! (as ementas têm cigarros de ópio e batidos de cogumelos mágicos) Eu fiquei-me pelas jolas de bar em bar pois queria mesmo fazer o tubbing até ao final, o rio é deslumbrante e seria uma pena perder aquilo.
O Herman aceitou um Happy Shake sem saber o que era e foi muito divertido…ehhehe…em Vang Vieng TUDO o que diga “HAPPY” significa que é feito com cogumelos mágicos (pizzas, batidos, etc etc) mas não explicam isso à cabeça e o pobre (ou não) curtiu a moca da vida dele numa bóia sem perceber porquê! Eheheheh.
Eu e a Karen jantámos com a Kat e Rosie (as 2 inglesas) num hostel muito fixe na rua principal e dp fomos a um copo à beira-rio. Pela 1ª vez encontrei um grupo de espanhóis da minha idade. Qbar & home.
22 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
Um dia que viria também ele a ser muito especial quando de início a ideia era ficar apenas no relax!
Passámos a manhã muito laid-back, junto ao rio…e resolvemos alugar umas biclas p ir dar uma volta ali à volta…sem grandes planos descobrimos descendo junto ao rio uma caverna no topo de uma montanha…absolutamente fabulosa, inserida num parque natural e com um templo budista lá dentro. Começámos por um mergulho no rio gelado e subimos ao templo….uma surpresa de facto incrível pois a caverna era lindaaaaa..cheia de pedras claras, formas diferentes, água, luz e cor…pedi um desejo e acendi uma vela no templo. A vista sobre Vang Vieng é maravilhosa e ficámos muito felizes de ter descoberto este lugar recôndito na montanha.
De regresso à terrinha vemos um passeio de balão de ar quente…experiência nova quer para mim quer para a Karen….e decidimos ir.
O balão tinha a capacidade para 4 passageiros + piloto e o grupo foi per si surreal: um Lituano gigante – o Ivo - dono de uma loja de tatuagens (Wickedneedles.com) e de uma jibóia e uma Boa como bichinhos de estimação, preparado para se ir enfiar na selva do Laos sozinho durante semanas – e um americano não assumido como tal, dizia que era de Taiwan pois era anti-América e auto-intitulava-se professor de uma Ciência Superior que, segundo ele, iluminava os Homens e permitia que passassem para outro Planeta…”there’s a program…” repetia ele...um doido varrido que supostamente era muito zen e no final veio fazer um filme porque lhe serviram um arroz sem gambas e ele não queria pagar…irritações muito mundanas para um cromo que se dizia tão espiritualmente superior…eheheh…foi uma risada.
Quanto ao passeio de balão ao pôr-do-sol…vibrámos loucamente, a paisagem é qualquer coisa de extraordinária e voar ao sabor do vento é de facto muito diferente e bom. A aterragem é que foi meio desastrosa pois aterrámos numa árvore e tinha uma colmeia de vespas, mas eu e a Karen não conseguíamos parar de rir e em vez de pânico demos por nós de joelhos no balão agarradas à barriga e à cerveja. Lol.
A sensação de voar num balão é demais, uma paz e um sentido de tranquilidade superior que apenas nos leva de novo à realidade ao som ensurdecedor do gás quente que lhe dá devir. Único e inolvidável.
Jantámos com o nosso grupo-base e fomos beber um copo com o Ivo depois. Boa música e boa conversa. + um dia perfeito.
23 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS) – Luang Prabang (LAOS)
8 horas de caminho pelas extraordinárias montanhas do Laos e pela sua história, povoada por agentes da CIA, comunistas rebeldes, muitas bombas, muito sofrimento. O povo da montanha – Lao Son – é simpático e aparenta viver em tranquilidade, fazem as suas casas sem janelas e organizam toda a sua vida na berma da estrada. Passámos por tribos Hmong (monges mobilizados pela CIA para combater os comunistas) e chegámos a Luang Prabang já ao final do dia. Ainda não antevia a cidade que aí esperava a minha visita…uma das mais bonitas e a que mais me encantou desde o início desta viagem.
24 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
05h30 da manhã e saio para uma cerimónia especial…alimentar os monges…ou melhor, fazer oferendas de arroz “stiky” e doces. Sentada nuns panos especiais à berma da estrada e ornamentada com lenços específicos, lá me fascinei com a vinda de dezenas de monges de cabeça rapada e vestidos laranja, com olhar humilde e distante, em fila indiana e de pote nas mãos, que recebiam as nossas oferendas e partiam muito direitinhos de volta aos templos onde partilhariam a comida recebida e fariam a sua única refeição do dia. Foi muito giro e especial.
Dali segui para um passeio pelo mercado matinal, com tudo o que se possa imaginar à venda, vivo e morto. Faz-me alguma confusão a falta de sensibilidade que os povos têm com o sofrimento dos animais: os lagoenses mantém-nos vivos para os venderem, mas sem qualquer condição: os peixes fora de água a agonizar, as rãs espetadas por paus ainda vivas, as larvas assadas mas ainda a mexerem dentro de casulos…
O Palácio Real convertido em Museu fica-me na memória pelo seu complexo arquitectónico e pela belíssima exposição temporária de fotografia sobre meditação budista, de um artista alemão contemporâneo.
Com o grupo-base decidimos chamar um tuk-tuk grande e ir visitar as waterfalls a 1h de Luang Prabang. Muito bonitas e com água gelada, estas quedas-de-água são também uma reserva de ursos, tendo vários pendurados nas árvores. Regressámos em cima da hora para um duche rápido e seguir para o teatro ver peças tradicionais…são muito infantis e tremendamente aborrecidas pois a música é demasiado zen e sem luz e com calor ia adormecendo…mas valeu a experiência.
Nesta noite jantámos as girls no Utopia, um restaurante-bar muito giro à beira-rio com grande som, boa comida, turístico, mas soube mesmo muito bem uma noite assim, um bocadinho de ocidente…no final, estava ko de ter levantado de madrugada e dormi que nem um bebé! :)
25 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
Luang Prabang encantou-me. Nesta manhã alugámos umas biclas e fomos (eu e Karen) descobrir os recantos da cidade e arredores, tivemos logo de início uma senhora argentina eléctrica que se colou ao passeio e ainda fizemos a ponte nova com ela, até a conseguirmos impingir a uns miúdos franceses que passavam, ehehehe. Era uma avó fantástica mas não se calava um segundo! Passámos então a ponte velha e fomos dar a uma zona da cidade sem turistas, onde encontrámos um templo-escola-casa de uns meninos-monge lindos e super simpáticos (estes sim, sorriram e conversaram connosco). Um lugar mágico.
Descemos à beira-rio e onde o Mekong e o Kham Pham se cruzam almocámos um belíssimo manjar Laoense. Depois visitámos o templo principal e subimos ao monte que caracteriza o centro da cidade, com muitooooos degraus e uma vista absolutamente deslumbrante de 360º pela cidade.
Nesta subida comprámos um passarinho enjaulado e a Karen libertou-o lá em cima, fazendo um desejo que, embora a mim me tivesse parecido uma infantilidade romântica… mais tarde se concretizou! Um rapaz que ela conhecera uma noite no Laos (e apenas uma noite de passagem), que andava a viajar pela SEA, voltou a contactá-la meses mais tarde na Nova Zelândia e estão agora noivos!!!!
Às vezes penso que a vida me foi tirando esta crença no amor e no romance e fez-me acreditar que é assim com toda a gente e em todo o lado…e depois vejo-me enganada e volto a ter dúvidas. A Karen, na sua ingenuidade de miúda do campo romântica vive com uma intensidade e simplicidade que na nossa Europa cosmopolita não têm lugar, ora por excessiva euforia de liberdade inconsequente ora por total descrédito do amor simples. Terei de imigrar? ;)
Terminei o dia a passear à beira do Mekong na minha bicla, a Karen quis ir a uma aula de culinária e eu precisava do meu momento sozinha….desci para a zona residencial e fui explorar o quotidiano daquele povo tão simpático…vi os pais a irem buscar os meninos à escola (a pé, de bicla e de moto), vi os lojistas a fecharem as suas lojas, vi a vida de quem deseja uma existência simples e feliz.
Acabei a beber um copo numa esplanada na rua principal e num súbito ataque de saudades liguei o meu skype e liguei para Portugal. :)
Porém, a uma semana e meia de regressar não me sinto ainda preparada. Tenho vontade de adiar o voo e perder-me um pouco mais por aqui. Não estou curada, não ganhei a distância emocional que preciso para me proteger. Ao mesmo tempo, esta viagem está a ser um sonho.
20h30 e segui para o Utopia onde tinha marcado jantar com a karen. Conhecemos a Zoe, uma holandês Barmaid em AMS muito cool. Falámos muito da droga que alucina os turistas no Laos: os cogumelos mágicos. Temos uma opinião consensual embora elas já tivessem experimentado e eu não.
26 de Outubro de 2011 – Luang Prabang (LAOS) – Pakbang (LAOS)
8h da manhã e entramos num dos vários barcos típicos que fazem o Mekong nos seus muitos kms e 6 países. Tem cerca de 30 mts de comprimento e uns meros 3mts de largura, em madeira clara e tecto baixo, sem vidros nas janelas, ficamos sentados muito junto à água. Adoro. Comecei a subida de 2 dias pelos “mighty Mekong”.
8h a 10h de viagem por dia a um ritmo lento e num silêncio respeitoso pela paisagem ludibriante que as suas margens nos mostram. Paisagem e vida. Animais (búfalos e cabras), crianças, alguns, poucos, adultos (que onde a selva é menos intensa se dedicam a lavrar os terrenos), vão surgindo ocasionalmente daquela selva magnífica e fazem as suas vidas à beira-rio. Não imaginei que pudesse haver areia tão branca nas margens de um rio…e olhando para os meninos que rebolam pelas mini-dunas abaixo em direcção à água lembro-me de como é bom ser criança :).
Sinto-me “overwelmed”, rendida.
Parámos numa gruta usada como templo budista cheia de amuletos e mini estátuas do buda e uma luz dourada do sol a reflectir no rio e nas paredes deste lugar sagrado para os asiáticos.
Antes de entrar a bordo, ainda em Luang Prabang, tinha encontrado uns miúdos espanhóis que conheci na noite anterior. Estavam ainda de garrafas na mão e curtiam a sua embriaguez. Não entendo como se desperdiça uma vivência do Laos em troca de copos. Nunca irei entender.
Todos os dias conheço pessoas de todos os cantos do Mundo e vejo novas visões da vida. É bom.
Paramos em Pakbang para comer e dormir. Uma terra de meia dúzia de casinhas convertidas em hostels e restaurantes que sobe uma vereda na montanha...literalmente no meio da selva e à beira-rio. Constato que a electricidade tinha chegado há pouco tempo a Pakbang e que até então a terra usava geradores e tinha horas de blackouts gerais. Agora já conseguiam ter uns bares com música para entreter os mochileiros de passagem e melhor que tudo: frigoríficos! :) pézinho de dança e toca a dormir que a manhã seguinte vislumbra-se muito cedo!
27 de Outubro de 2011 – Pakbang (LAOS) – Huay Xai (TAILÂNDIA)
Saímos da aldeia às 06h30 da matina no meio de um nevoeiro místico à volta das montanhas circundantes. Um cenário belíssimo para começar o dia!
São mais 9h até à fronteira com a Tailândia.
Esta beleza quase que dói à vista. O verde tropical dos montes, a areia branca, a vida nas margens.
Almoço a bordo e pequena paragem numa aldeola onde as crianças nos invadiram o barco.
Continuo a minha leitura que me têm irremediavelmente ligado ainda mais a estes povos: “First They Killed My Father” (Loung Ung)…uma filha do Cambodja relembra a sua infância de terror e tortura pelo Regime dos Khmer Rouge. Uma realidade brutal a apenas 40 anos de distância. Ando muito sensível à história cruel e dura destes países. Sinto a dor deles, revolto-me contra o próprio Homem. Sou limitada pela minha existência de criança feliz e gostava de acreditar que este horror seria inconcebível. Mas não é. Não foi. Existiu.
Não sei onde vou dormir amanhã nem nos dias seguintes, não sei para onde vou rumar a seguir. [Em todos os sentidos].
Chegamos a Huay Xai após as formalidades de fronteira que nos obrigaram a ir primeiro a terra na margem norte dar a nossa saída do Laos e apanhar um micro-barco-jangada-atolhado-de-malas para dar entrada na Tailândia. SAWASDEE KA!!!!
Huay Xai Uma simples terra de fronteira com muito comércio e alguns hostels à beira-rio. Caótica e sem grande interesse.
Factos da Tailândia:
513.115 kms2 . 65,4 milhões de habitantes, maioritariamente budista. GMT+6. Capital – Bangkok (8,16 Milhões habitantes)
1€= 42 THB (Bath)
28 de Outubro de 2011 – Huay Xai (TAILÂNDIA) – CHIANG RAI (TAILÂNDIA) – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Saímos de madrugada da aldeia fronteiriça em direcção a Chiang Mai, não sem antes pararmos na região de Chiang Rai para visitar uma plantação de cajus e o famoso Wat Rong Khun – o templo branco, futurista, da autoria de um jovem arquitecto budista desejoso de contribuir para uma nova perspectiva dos templos budistas…and a weird one I must say…mas sem dúvida vale a pena ouvir um guia na explicação do caminho até ao Nirvana (sobretudo porque sem essa explicação apenas vemos mãos espetadas no chão como um purgatório, paredes com cenas desenhadas do cinema norte-americano contemporâneo e outros elementos surrealistas…envoltos num templo de puro branco).
Chegámos ao nosso destino ao final do dia. Fizemos um jantar de despedida dos canadianos e das australianas num mercado de peixe óptimo e fomos todos beber umas Chang ao pé do night market.
Chiang Mai continua a ser uma cidade cheia de vida e da qual gosto muito. Apesar de já ser uma segunda visita a esta terra decido ficar os meus restantes dias por lá e visitar algumas zonas à volta que não conhecia ainda.
A Karen decidiu ficar comigo também e passámos o dia a procurar um hostel simpático e com piscina para podermos descansar, matar o calor e acabar a nossa longa trip em zen.
29 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Chiang Mai Eco Resort – um hostel muito sui generis com jardins enormes etiquetados, mini-ginásio, mega piscina e restaurante eco-integrado. GIRO e ultra confortável. Um pouco mais caro que os outros hostels mas mesmo assim, ficou em 9€ por pessoa/noite em quarto duplo, com pequeno-almoço incluído. E parecia um hotel 4*!
Passámos um dia ultra-relax entre piscina e passeio na cidade com jantarinho divinal num jardim dentro das muralhas da zona antiga. Depois de 17 dias sem parar um dia destes sabe mesmo bem para devolver ao corpo alguma energia.
Conhecemos umas raparigas – americana (Matty), francesa (Laeticia) e brasileira (Lígia) –que estavam na cidade a tirar cursos de massagem profissionais. Não há dúvida que a Tailândia é o topo neste campo e a conversa abriu-me o apetite para eu própria lá voltar para fazer um curso. Sunshine Massage School! A Matty é uma figura incrível de uma miúda cheia de vida e energia. Love&Compassion.
E penso que a vida me abre tantas portas e eu ando a insistir em abrir a única janela fechada. Acho que no fundo sou capaz de tudo desde que tenha amor. Tenho dificuldade em aceitar que estou de novo sozinha, sem alguém que olhe por mim, e o passado recente ainda me custa a ultrapassar.
A Karen já dorme há horas e eu perco-me na conversa com estas miúdas que se espelham tão seguras e tranquilas quanto às suas decisões de vida que fico a pensar se serei apenas eu que tem tantas dúvidas!
30 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – DOI SAKET (TAILÂNDIA)– CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Os acontecimentos fluem na nossa vida sem esforço, naturalmente, e fui parar à Fundação Asia’s Hope: um orfanato com sede a 2h de Chiang Mai e que apoia cerca de 200 meninos e meninas de várias idades e de 4 etnias (Hmong, Karen, Ak, L – não assentei os nomes completos destas últimas duas).
A Fundação é gerida pelo Mike e a Debbie, 2 extraordinários anciães norte-americanos que vivem e apoiam crianças tailandesas há mais de 10 anos. Somos 5 convidados especiais para a sua missa de domingo onde reúnem todas as crianças das diferentes casas ao redor da Sede. O Mike apresenta-nos um-a-um e as crianças depois da missa cantaram em grupos para os presentes e vieram brincar connosco no final e mostrar os seus dormitórios.
Estou emocionada. Sinto-me egoísta, por não ser capaz de me libertar dos meus problemas mundanos e mesquinhos e dar mais apoio a causas desta natureza, realmente importantes.
Love & Compassion outra vez.Desde a conversa de ontem com a Matty que estas 2 palavras parecem significar todo o essencial da nossa vivência.
O grupo dos 5 integrava, para além de mim e da Karen, 2 americanas (uma delas tinha aberto uma Asia’s Hope no Cambodja havia já 2 anos e estava a dar formação local a professores para poderem dar continuidade ao ensino escolar dentro do orfanato) e 1 jornalista Australiano – o Scott – que ia para mais uma das suas missões perigosas na Birmânia, onde se infiltrava com a ajuda dos rebeldes locais, para poder documentar a opressão que o povo de Myanmar ainda vive.
Que faço eu neste mundo de relevante?
…
Depois do orfanato a aventura continuou e fomos as duas ao Tiger World, a norte de Chiang Mai. Foi um espanto. Apesar dos coitados dos tigres estarem o dia inteiro rodeados de turistas, amei. Os bebés tinham 2-3 meses e podíamos enroscar-nos neles, dar beijinhos, tocar-lhes ainda mais que a um gato normal. Os “grandes” impunham outro respeito, mas não tive medo, foi mesmo espectacular! O maior tinha 22 meses e ainda “só” 160kgs, mas segundo o tratador, iria chegar aos 250kgs. Coisa pouca. OMB!!! (Oh My Buda).
De noite fomos ao outro night Bazar regatear mais souvenirs e jantar, como sempre, lindamente. O último jantar na Ásia nos próximos tempos.
31 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – BANGKOK – LONDRES – LISBOA
Último dia. Piscina. Despedida da Karen que seguiu para o outro lado do Mundo. É estranho as inúmeras vezes em que percorro kms, partilho vivências, gostos, dúvidas, medos, felicidades com pessoas que entram e saem aleatoriamente da minha vida. A Karen esteve 17 dos meus 20 dias pela SEA quase sempre comigo e agora segue o seu rumo e eu o meu. Pontos opostos no globo. 180º. A maioria das vezes não volto mais a ver estas pessoas e contudo, elas tiveram um papel tão importante nestas minhas caminhadas pelo Mundo.
Vou fazer um passeio pela cidade e tenho o meu já histórico acidente de percurso…caí num bueiro da estrada e fiquei com a perna enfiada num buraco de esgoto seco até à cintura. Além de me ter doído imenso e ter ficado com a lombar magoada, fiquei com uns belos cortes que tive de rapidamente desinfectar numa parafarmácia “a la asiática” onde consegui apenas explicar “ALCOOL” e gritei como uma maluca com o líquido nas pernas com uma família de thais a olharem para mim surpreendidos com a turista doida. :P
Passado umas horas escrevi: “estou agora na porta de embarque já em Bangkok para voar para Londres e depois Lisboa. Estou muito cansada mas esta viagem foi brutal. Fiz de tudo, vi de tudo. Só não consegui ainda mudar o meu mindset. Volto, contudo, mais certa de que tenho de mudar. Em tudo. A começar por mim.” …
“estou a chegar a Londres. Quero ir para casa mas não sei como me vou sentir. É tão difícil viver sozinha em Portugal e ser feliz. Estão sempre a cobrar-me um estatuto. Toda a sociedade é estabelecida com base em casais, filhos, obrigações. Na Ásia tudo é tão simples. Ninguém tem de provar nada. Estar sozinha é fácil, não dói, não nos sentimos desajustados…há uma multidão como nós. Toda a gente se junta e separa conforme os seus objectivos diários das suas viagens individuais. Não há muitas perguntas. Não há exigências. Todos os dias são 100% preenchidos, a vida é vivida ao minuto, sabai. O regresso a casa é agora uma confusão de sentimentos...quero estar com a minha família e amigos mas ainda não me sinto preparada para tudo o resto.
Aos 34 anos continuo num limbo, no trabalho vamos novamente ter cortes e despedimentos e eu estou cansada de não aplicar quase nenhuma das minhas competências e depender sempre das vontades dos administradores. Na vida pessoal não consigo deixar o meu passado nem andar para a frente. Estou num beco sem saída e não sei o que aí vem. MAS…para tudo na vida há uma solução.
Love & compassion.
Foi o que aprendi com esta viagem."
S
ps- esta crónica foi escrita entre Out. e Nov. de 2011, vários acontecimentos decorreram depois e dei de facto uma volta de 180º ao rumo da minha vida. Certo, agora, só as minhas viagens...
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Em breve...
Tenho de voltar à escrita, este meu T0 está desactualizado e o bichinho da escrita anda a rondar outra vez!
Em viagens, depois de Agosto, já tive uma mega aventura pela Ásia (Vietnamen, Laos e Thai) e uma ida curtinha à neve, aqui ao lado aos nuestros hermanos.
No horizonte já vejo a cidade maravilhos cheia de encantos mil a acenar do seu Cristo Rei....muito em breve!!!
Tenho as notas todas nos meus caderninhos, mas os altos e baixos dos meus últimos meses tiraram-me alguma disponibilidade mental para a escrita, mas prometo voltar em BREVE!
:):)
S
so many ways
Em viagens, depois de Agosto, já tive uma mega aventura pela Ásia (Vietnamen, Laos e Thai) e uma ida curtinha à neve, aqui ao lado aos nuestros hermanos.
No horizonte já vejo a cidade maravilhos cheia de encantos mil a acenar do seu Cristo Rei....muito em breve!!!
Tenho as notas todas nos meus caderninhos, mas os altos e baixos dos meus últimos meses tiraram-me alguma disponibilidade mental para a escrita, mas prometo voltar em BREVE!
:):)
S
so many ways
quarta-feira, agosto 03, 2011
Impressões - PT
Depois da Síria andei uns tempos por cá, com o pretexto de mostrar ao Francesco algumas zonas lindíssimas de Portugal, fui reconhecer tantas e tantas aldeias, encostas, praias desertas, sabores puros, que há anos não revivia.
Estivemos pela magnífica península de Tróia, onde em Fev. fiz o meu primeiro dia de praia do ano! Descemos a costa alentejana devagar, falésia a falésia, até dobrar a costa vicentina. Percorremos o interior, alentejano também, descendo pelo seu outro lado: junto ao Guadiana.
Subimos ao Baleal, dormimos na praia, e fomos ao Algarve, de Tavira a Sagres!
ok, sem parar muito no meio onde estão alguns horrores desta modernidade sem escrúpulos que autorizou construção desenfreada em troca de prestígio e dinheiro, ignorando o crime que, para mim, ela representa).
Sempre parando e aproveitando cada lugar, e eu pensando que às vezes procuramos lá fora aquilo que temos cá dentro. Portugal é belíssimo.
S
Estivemos pela magnífica península de Tróia, onde em Fev. fiz o meu primeiro dia de praia do ano! Descemos a costa alentejana devagar, falésia a falésia, até dobrar a costa vicentina. Percorremos o interior, alentejano também, descendo pelo seu outro lado: junto ao Guadiana.
Subimos ao Baleal, dormimos na praia, e fomos ao Algarve, de Tavira a Sagres!
ok, sem parar muito no meio onde estão alguns horrores desta modernidade sem escrúpulos que autorizou construção desenfreada em troca de prestígio e dinheiro, ignorando o crime que, para mim, ela representa).
Sempre parando e aproveitando cada lugar, e eu pensando que às vezes procuramos lá fora aquilo que temos cá dentro. Portugal é belíssimo.
S
Maria Domingas: vamos por o papo para o ar na República?
E assim foi…uma semana de férias, não uma “viagem” no meu conceito, mas uma excelente semana bem passada numa praia maravilhosa, com uma amiga genial e bem-disposta, incluindo caminhadas matinais à beira-mar, passeios de cross-kart no meio da lama, danças na praia e algum álcool (moderado).
Gostei muito my dear friend, espero ter mais oportunidades de viajar contigo, és o espírito do “alinhanço” em versão tia, muitooooo cool!!! ..onde foram estes dias? na República Dominicana :)
S
Gostei muito my dear friend, espero ter mais oportunidades de viajar contigo, és o espírito do “alinhanço” em versão tia, muitooooo cool!!! ..onde foram estes dias? na República Dominicana :)
S
Síria – uma visita marcante e um regresso a 4 dias do “Dia da Ira”
Em Fev. 2011 fui à Síria. O Médio Oriente ainda é uma zona bastante desconhecida para mim e a oportunidade de aprofundar um pouco o conhecimento sobre as regiões-berço da civilização deixaram-me em êxtase e cheia de vontade de ir.
Começámos por Damasco, cidade estranha, suja, pobre, sem qualquer sentido de organização urbana nem conservação do património histórico. O Museu Nacional é interessantíssimo mas desorganizado, com milhares de estátuas por classificar e ordenar… as ruas da zona antiga são o ponto alto e sem dúvida a melhor parte de Damascus, tipicamente árabes, estreitas, com comércio, restaurantes e bares giros (onde se vê apenas homens sírios ou turistas).
Ainda na zona antiga, a mesquita principal (Omeya) é sem dúvida belíssima…aliás, à parte da Mesquita Azul, em Istambul, esta é a mais bonita que visitei até hoje.
A montanha que envolve a cidade, de terra cinzenta, está pejada de favela, numa extensão imensa, misturada com muito betão por acabar de construir e uma névoa permanente. É um cenário estranho imaginar que a poucos kms dali se encontra o monte Goulão, onde de um lado temos esta miséria Síria e do outro uma paisagem verdejante e bem aproveitada em cultivo pelo eterno inimigo, Israel.
Desde logo entendemos a pobreza deste povo. Desde logo se sente a diferença de ser mulher em terras muçulmanas. O povo foi extremamente correcto e amigável, nunca nos fazendo sentir em momento algum que nos consideravam inferiores. Dos vários países muçulmanos que já visitei, este foi sem dúvida o que tem mais mulheres tapadas até aos olhos, de preto de ponta-a-ponta…eu diria que são mesmo raras as excepções… que se por um lado intimidam, por outro reflectem a profunda influência do Islão.
Rumámos 210 kms norte em direcção ao deserto e à famosa cidade de Palmyra, outrora limite do império romano, destruída pelo mesmo num acto de pura demonstração do seu poder e das consequências que sofriam quem não o respeitasse e obedecesse…Palmyra é uma imagem do que foi…e foi estrondosa.
Para mim foi o lugar mais incrível da Síria, ali mesmo a poucos kms do Iraque (100km), no meio do deserto, rodeada de nada, apenas um palmeiral que lhe justificou o nome. Imponente, majestosa. O pôr-do-sol sobre as ruínas é um momento emocionante, daqueles em que ficamos longos minutos sem pensar em nada…pura contemplação.
Seguiu-se Crac des Chevaliers (castelo-fortaleza da época dos cruzados), já bem mais perto da costa, mudança radical de paisagem, de organização urbana, de povo. Uma imponente construção, palco da eterna luta cristãos-muçulmanos, muito bem conservada.
Passámos então pela terra onde estão as noras mais antigas do mundo…Hama…e veêm-se miúdos pendurados naquelas relíquias a brincar, sem qualquer cuidado de conservação, de consciência de preservação desta património que é de todos. Mas as noras são enormes e impressionantes.
Já a chegar a Aleppo, considerada por muitos como a cidade mais antiga do mundo, existente há 10.000 anos, assistimos a uma mudança radical na paisagem e no desenvolvimento desta zona do país: finalmente há culturas agrícolas, exploração pecuária, lojas, alguma organização urbanística…Aleppo é uma cidade moderna para o país, a mais desenvolvida em que estive e a que mais próximo das nossas realidades está. É uma cidade fortificada, mas o seu maior interesse interior, para mim, é a sua cidadela, impressionantemente bem conservada e lindíssima.
Fizemos ainda uma visita nos seus arredores, ao enorme mosteiro de S. Simeon, um santo cristão turco que resolveu viver 39 anos no cimo de um pilar (há malucos para tudo de facto…) e escolheu um monte na Síria para erguer o seu mosteiro, com uma vista panorâmica a 360º, foi casa de muitos retiros.
A Síria foi um destino inesperado. O seu povo, que desde então sofre um genocídio por parte do seu rei-líder imposto, deseja apenas um destino melhor. E tal como todos nós, merece-o. Por enquanto vivem subjugados numa mentira política mas acredito que, pela vontade e bondade que vi neles, o futuro só poderá ser melhor. O Mundo é que não se pode esquecer deste país, parente-pobre sem petróleo mas com pessoas, humanas, iguais a todas as outras, que só querem viver em dignidade.
أفضل أيام
(Até melhores dias)
S
Começámos por Damasco, cidade estranha, suja, pobre, sem qualquer sentido de organização urbana nem conservação do património histórico. O Museu Nacional é interessantíssimo mas desorganizado, com milhares de estátuas por classificar e ordenar… as ruas da zona antiga são o ponto alto e sem dúvida a melhor parte de Damascus, tipicamente árabes, estreitas, com comércio, restaurantes e bares giros (onde se vê apenas homens sírios ou turistas).
Ainda na zona antiga, a mesquita principal (Omeya) é sem dúvida belíssima…aliás, à parte da Mesquita Azul, em Istambul, esta é a mais bonita que visitei até hoje.
A montanha que envolve a cidade, de terra cinzenta, está pejada de favela, numa extensão imensa, misturada com muito betão por acabar de construir e uma névoa permanente. É um cenário estranho imaginar que a poucos kms dali se encontra o monte Goulão, onde de um lado temos esta miséria Síria e do outro uma paisagem verdejante e bem aproveitada em cultivo pelo eterno inimigo, Israel.
Desde logo entendemos a pobreza deste povo. Desde logo se sente a diferença de ser mulher em terras muçulmanas. O povo foi extremamente correcto e amigável, nunca nos fazendo sentir em momento algum que nos consideravam inferiores. Dos vários países muçulmanos que já visitei, este foi sem dúvida o que tem mais mulheres tapadas até aos olhos, de preto de ponta-a-ponta…eu diria que são mesmo raras as excepções… que se por um lado intimidam, por outro reflectem a profunda influência do Islão.
Rumámos 210 kms norte em direcção ao deserto e à famosa cidade de Palmyra, outrora limite do império romano, destruída pelo mesmo num acto de pura demonstração do seu poder e das consequências que sofriam quem não o respeitasse e obedecesse…Palmyra é uma imagem do que foi…e foi estrondosa.
Para mim foi o lugar mais incrível da Síria, ali mesmo a poucos kms do Iraque (100km), no meio do deserto, rodeada de nada, apenas um palmeiral que lhe justificou o nome. Imponente, majestosa. O pôr-do-sol sobre as ruínas é um momento emocionante, daqueles em que ficamos longos minutos sem pensar em nada…pura contemplação.
Seguiu-se Crac des Chevaliers (castelo-fortaleza da época dos cruzados), já bem mais perto da costa, mudança radical de paisagem, de organização urbana, de povo. Uma imponente construção, palco da eterna luta cristãos-muçulmanos, muito bem conservada.
Passámos então pela terra onde estão as noras mais antigas do mundo…Hama…e veêm-se miúdos pendurados naquelas relíquias a brincar, sem qualquer cuidado de conservação, de consciência de preservação desta património que é de todos. Mas as noras são enormes e impressionantes.
Já a chegar a Aleppo, considerada por muitos como a cidade mais antiga do mundo, existente há 10.000 anos, assistimos a uma mudança radical na paisagem e no desenvolvimento desta zona do país: finalmente há culturas agrícolas, exploração pecuária, lojas, alguma organização urbanística…Aleppo é uma cidade moderna para o país, a mais desenvolvida em que estive e a que mais próximo das nossas realidades está. É uma cidade fortificada, mas o seu maior interesse interior, para mim, é a sua cidadela, impressionantemente bem conservada e lindíssima.
Fizemos ainda uma visita nos seus arredores, ao enorme mosteiro de S. Simeon, um santo cristão turco que resolveu viver 39 anos no cimo de um pilar (há malucos para tudo de facto…) e escolheu um monte na Síria para erguer o seu mosteiro, com uma vista panorâmica a 360º, foi casa de muitos retiros.
A Síria foi um destino inesperado. O seu povo, que desde então sofre um genocídio por parte do seu rei-líder imposto, deseja apenas um destino melhor. E tal como todos nós, merece-o. Por enquanto vivem subjugados numa mentira política mas acredito que, pela vontade e bondade que vi neles, o futuro só poderá ser melhor. O Mundo é que não se pode esquecer deste país, parente-pobre sem petróleo mas com pessoas, humanas, iguais a todas as outras, que só querem viver em dignidade.
أفضل أيام
(Até melhores dias)
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