Passaram 2 anos desde a última vez que escrevi aqui…tenho pensado muito em como a escrita, que sempre foi tão importante para mim, passou a segundo plano neste período da minha vida. Tanta coisa aconteceu, tantas viagens mas também tantas decisões, mudanças de vida, de trabalho, de hobbies, de amor.
Houve um corte radical entre a minha última viagem aqui (à Ásia) e todo o meu caminho seguinte…quando regressei soube que daí a uns meses iria ficar sem trabalho, como já previa…e resolvi aproveitar esse período para viver algumas experiências.
Comecei por ir umas semanas para o Brasil, mochila às costas, amigos por lá…um corte no stress desse inverno que estava a por em causa muitos anos de confiança no meu trabalho. Rio, Angra, Parati, Trindade…Voltei óptima e decidida. Voltei e conheci a Tina, da Starboard, e aceitei o que o destino me estava a trazer: a oportunidade de trabalhar apenas quando queria, mantendo a minha cabeça sã e dando tempo para todos os planos que tinha. TEMPO. Eis o que eu mais ansiava!
Comecei a planear a minha viagem de 3 meses pela América do Sul…ou pelo menos a idealiza-la na minha cabeça. Porque não iria marcar nada além do primeiro voo e das 2 primeiras noites na Colômbia. Como voei por Nova Iorque, pedi um coushsurf host para me receber e tive uma experiência incrível!!! daí para a frente começou uma das maiores aventuras da minha vida…até ao momento, claro, muitas mais estão por vir ainda! ;)
Tenho um caderno com os 3 meses do meu percurso pela terra mais abençoada do planeta em beleza natural. Tenho a vontade de escrever finalmente o meu livro. Até hoje não sabia se seria capaz…na realidade, ainda não sei, mas vou finalmente tentar…
Até lá…vou saltar por cima dessa minha viagem e referir apenas que desde que voltei, há 1 ano e meio atrás...fiz mais umas voltinhas pelo Mundo e mantenho ainda a certeza que é aqui, em Portugal, que gosto de viver :).
180º sobre 180º e o meu mundo volta ao mesmo …ou não…tenho cada vez mais a certeza de que estou a construir a minha vida à medida daquilo que sempre quis e, mesmo por vezes pelas portas mais travessas e mais difíceis tenho sido feliz.
Para o ano há vários projectos no meu horizonte e, se antes estavam no plano teórico, agora começam a parecer-se mais reais e possíveis. Let it flow. It will come
S,
Back on track!!!
A minha ideia é colocar aqui um bocadinho das minhas aventuras pela vida.... O Mundo é um T0, tão grande em distâncias e tão perto em comunicação. Encontramos um amigo, um amigo de um amigo, um vizinho, um conhecido, em qualquer lugar que vamos. E digo mesmo em qualquer lugar!!! toda a gente tem 1 ou 2 histórias destas p contar, eu tenho várias :P... mas vou tentar centrar-me no tema das viagens...algumas com fotos e tudo! Aguardo comentários! :) Sofes
segunda-feira, novembro 24, 2014
segunda-feira, setembro 10, 2012
Ásia 2011 – OMB (Oh My Buda) – 13 Out a 01 Nov. Vietnam – Laos – Thailand 20 dias pelo sudeste asiático, [by myself?]
[FOTOS CLICAR AQUI]
De regresso à Ásia.
Sou fanática por esta parte do globo. Acredito que o espírito que se vive ali é a versão mais positiva da vida, mais verdadeira e, no fundo, a mais simples de se alcançar a felicidade…ou o mais próximo dela possível.
Ia emocionalmente instável e determinada a pôr no campo das memórias o último capítulo da minha vida. Das boas memórias diga-se, mas que nem sempre têm um final feliz.
Pensei que ia sozinha, tinha um plano muito simples em mente…voar até Londres, passear e visitar uma amiga e depois seguir para Hanói, alojar-me num hostel algures no centro da cidade e ver as próximas saídas para Halong Bay. Mais não sabia o q me esperava, nem queria saber. Sozinha foi efectivamente o que quase nunca estive!
Antes não pensava assim, mas quanto mais viajo mais acredito que quanto menos lemos, menos pesquisamos imagens na internet, menos expectativa criamos e maior é a nossa surpresa e admiração do desconhecido. Quando uma paisagem, um templo, uma cidade, uma rua já nos passou várias vezes pela retina através de um ecrã, o seu real confronto nunca é tão intenso.
Vou transcrever parte do meu livrinho tal como senti e vi tudo naqueles dias….acrescentando o que o tempo, por escassear às vezes, não me permitiu pôr por palavras, mas que ainda me recordo tão bem…
13 Outubro 2011 – Lisboa -Londres
Arranco para mais uma aventura, que começa logo com uma boa surpresa no aeroporto: a companhia inesperada, na mesma fila do avião para Londres, da Maria Domingas, tio Pedro e tia Rita (pai e madrasta da Mingas).
O caminho deles aqui separa-se do meu – eles seguem para a Índia – mas foi um bom prenúncio.
Londres é uma cidade tão acelerada e cosmopolita, vamos ver o que reserva hoje para mim…para começar, está sol!
Penso que estou finalmente sozinha e eis que, ao chegar ao controlo de passaportes encontro a Sara, uma rapariga que tinha conhecido 15 dias antes em Portugal, numa saída de amigos ao cinema. Lá tive companhia até ao metro…again, um Mundo T0 :)
O passeio em Londres foi muito bom e deu para fazer o típico: Picadilly, Trafalgar square, Big Ben, Westminster, Convent Garden e visita à National Gallery (sempre que lá vou pergunto a mim mesma quando é que Portugal terá este tipo de cultura gratuita também, disponível para o povo).… e descansar finalmente num Wifi Café a ver o rush desta cidade enquanto converso com amigos na net e aguardo a Sofia Rocha para um cup-of-tea!
O metro pregou-me uma pequena partida e atrasou 40 minutos, tempo suficiente para ter de correr loucamente para a porta de embarque…quando tinha tido uma escala de 9h! unbeliavable…final feliz , parece que os meus treinos de jogging estão a dar resultado :)
E estou a bordo da Qantas para Bangkok…2nd round!
A aterrar em Bangkok vi os campos inundados pelas enormes cheias que o país atravessava, as estradas metade afundadas, as plantações gigantes submergidas…que sensação de impotência perante a mãe Natureza. Mas as chuvas tinham parado e estava sol. Sol e esperança.
14 de Outubro 2011 – chegada a Hanói (VIETNAME)
Cheguei a Hanoi no dia 14 de Outubro de noite. Tinha perdido um dia. Vi o “Breakfast at Tiffany’s” e aterro um bocado nostálgica, uma sensação que vem das muitas horas e da distância que começo a ter de Portugal.
Feeling em Hanói: estou tranquila, cansada, curiosa. Dormi o voo inteiro de Londres para Bkk mas não o de Bkk para Hanói…preciso de uma cama. Escolhi o Hanói Backpackers, quarto dormitório feminino, com mais 5 raparigas. Conheci apenas uma delas, holandesa, que ainda dormia quando saí de manhã. A visita à cidade iria ficar para uns dias mais tarde pois senão perderia a trip a Halong Bay.
Factos
Voos:
LIS-LON – 2h30 + 9h de escala
LON-BKK – 11h (dormi 7h30)
BKK – HANOI – 1h30
Hostel: Hanoi Backpackers (6$/noite)
Aeroporto – centro da cidade – NÃO é preciso mesmo ir de táxi (que custa 18$ cada percurso)…há umas mini vans que levam os locals para o centro, óptimas e com A/C, que custam…2$! Mesmo à saída do aeroporto do lado direito, just ask!!
Visto: tirei em Madrid (60€) mas podia ter feito o visa online request e havia um desk mesmo à chegada…
Vietname: 329.560 kms2 . 86,1 milhões de habitantes. Capital: Hanói: 3 milhões.
1 EUR = a 30.000 VND (Dong Vietnamita). GMT+7.
15 Outubro 2011 – Halong Bay (VIETNAME)
Esta manhã conheci o Fernando, um miúdo 5* de Saragoza, backpacker sozinho como eu…pena já ter vindo a Halong Bay, senão teria sido uma excelente companhia. Tomámos o pequeno-almoço juntos, fomos dar um passeio rápido e separámo-nos pois eu tinha de arrancar para Halong Bay, uma das 7 Maravilhas do Mundo!
….
Este lugar é lindo. Lindo. Lindo. Lindo. Estamos no barco, uma réplica perfeita dos tradicionais barcos vietnamitas, onde vamos passar os próximos 2 dias.
Não está sol mas muito calor. O grupo é porreiro, na maioria mais novos, como em todo o sudoeste asiático, australianos e ingleses, mas também holandeses, alemães e checos.
A música podia estar mais baixa, ou então eu é que estou a ficar velha :P
Roomate no barco: Mariola, uma dutsh girl com uma voz estridente mas muito simpática.
Com o jet lag sinto-me cansada e não consigo pensar muito, mas isso pode ser bom. Não pensar de mais, sobretudo num lugar fabuloso destes.
Depois de almoço juntámos 2 barcos braça-a-braça e foi tudo ao banho naquelas águas quentes e turquesa, gr salto do 3 andar (…até doeu). Espectáculo! Afinal não estou assim tão velha . Sessão de caiaque pela baía com este cenário idílico de fundo…
…e Mundo T0 novamente: dentro de uma caverna ia a conversar com um israelita e falo-lhe num amigo que tenho em Tel Aviv, que conheci na Costa Rica no ano 2010, o Danny Djanoly, e ouvimos alguém gritar do fundo da caverna: era outro israelita que tinha estudado com o Danny :).
Estas coincidências que me acontecem constantemente na vida deixam-me ainda perplexa e maravilhada com a pequena-grande dimensão da nossa existência.
No grupo do barco somos imensos, gosto particularmente do Mick (Australia), da Emma, Peter e Thomas (os 3 GB), mas ainda conheço mal os outros. Há 3 alemães de Munique e uma holandesa, todos muito porreiros (com quem acabei por passar quase o resto do tempo).
A minha vida leva-me sempre por caminhos que não entendo. Nunca são os mais fáceis. Exigem sempre de mim partir, estar sozinha, procurar a beleza e a diferença no Mundo. Só que este ano também me mostrou que a felicidade em casa pode ser perfeita, e isso faz com que o meu entusiasmo para viajar seja agora diferente, menos expectante.
Mega festa a bordo, acabei a ver as estrelas no deck superior e a conversar com um americano novíssimo que me surpreendeu pela positiva: culto e sem preconceitos com o mundo…Ben, foste um excelente exemplo da excepção à regra.
Amanhã ao final do dia vou conhecer o grupo com quem vou passar as seguintes 14 noites. I’m curious.
16 de Outubro 2011- Halong Bay –Hanói (VIETNAME)
Este tour foi genial. O grupo tem pessoas mesmo fantásticas e adoro este mix cultural. O cenário indescritível. A água quente. Dormi que nem um bebé. Não tenho tido um segundo, nem sequer para ler o guia (aliás, este facto ocorreu o resto da viagem inteira e acabei por desistir de ler guias, lol). Há sempre alguém.
E no meio desta gente que celebrava a vida encontro um grupo de 3 colegas que trabalhavam na Honda e estavam no sudoeste asiático por uma razão chocante: a sua fábrica na Tailândia encontrava-se inundada pelas enormes cheias que o país sentia neste momento e procuravam uma alternativa de produção…gorada… uma tragédia que punha os seus empregos, e de muitos outros trabalhadores, seriamente em risco.
O caminho (agora de regresso a Hanói) foi uma surpresa, pelo meio dos campos de arrozais, das incríveis e típicas casas vietnamitas de influência – claramente – francesa. Não esperava esta arquitectura e o efeito no meio do campo é extraordinário.
Chegamos a Hanói.
Hanói foi uma cidade que me surpreendeu muito. Adorei a energia. Adorei o antigo e o novo, as ruelas caóticas e as grandes mansões francesas, museus (como o Museu da Mulher, que gostei mesmo muito) e vendedores ambulantes, mercados de rua e hotéis de charme e luxo…uma cidade cheia de vida.
Fui conhecer o grupo com quem ia começar a parte Intrepid da viagem:
- A Megan (Australiana) – que passaria os restantes dias quase sempre de garrafa de cerveja na mão, sem sapatos, sem grande consciência da vida mas muito animada com amigos novos a cada noite! Eheheh. A cada um o que lhe faz feliz!...a meu ver, ela é muito nova e perdeu algumas coisas essenciais da trip, mas com certeza que se divertiu – e muito – no resto ;)
- A Jennifer – uma aussie de Perth tipo mamã super cool, onda meio hippie, com quem dividi quarto muitas noites …e que adorava acordar-me de madrugada com perguntas essenciais apenas à sua existência! Lol…mas uma querida à mesma :)
- A Karen – my best friend in the all trip , e com quem continuei depois a viagem mais tarde, só as duas, pelo norte da Tailândia. Uma Kiwi de Wellington – NZ – completamente diferente de mim (a Jennifer costumava dizer “tu és a europeia cosmopolita e poliglota que vive pelo mundo, ela a menina do campo que tem sonhos cor-de-rosa” e era verdade, mas acho que os opostos atraem-se mesmo nas amizades. Estivemos quase sempre juntas.
- O Milles e o Herman: 2 senhores canadianos, já nada novos, que tinham dado aulas juntos uma vida inteira e que apostaram que um dia que se reformassem iriam fazer uma viagem radical juntos, deixando as mulheres e filhos em casa. E foi. Para mim foram um exemplo de descontracção, de aceitação, de espelho de experiência de vida vivida mesmo quando não conhecem metade do mundo…sempre cool, sempre de garrafa de vodka na mão quando os via ao final do dia.
-last, but not least, a NOK, uma thai gordinha que fez de guia e que nos surpreendeu pela sua dedicação e boa vontade.
Por agora, deixo-os a todos e corro a ter com o Mick e Stephanie para uma volta pelo lago de Hanói, os seus mercados e ruelas do bairro antigo. Juntámo-nos aos 3 alemães de Munique e fomos jantar.
…aqui tive uma peripécia que vou deixar escrita apenas para minha recordação…eheheh…como não tinham nada sem carne no restaurante disse-lhes que ia buscar uma sandes e voltava…mas conheci na rua um neozelandês (giro) e um casal de ingleses (já com os copos) e acabámos a jantar os 4 noutro restaurante, :P…juntei-me ao meu grupo inicial a seguir pois já estavam à minha espera na rua, no bar em frente, para umas Bia Hois (cervejas). Não lhes contei que tinha jantado com os outros, lol. Mas fiquei convencida que a Nova Zelândia é um país a ir muito em breve, :p
17 de Outubro 2011 – Hanói – Vinh (VIETNAME)
A manhã foi a passear em Hanói. Que já descrevi acima e que adorei. Entusiasmei-me e perdi-me pelas ruelas… fiz atrasar ligeiramente a saída do bus, lol, que saía ao início da tarde…mas depois a viagem até Vinh foi tranquila, era uma etapa da viagem sem grandes marcos pois é uma cidade feia, na costa do Vietname, para pernoitar antes de iniciar as 12h de bus para Vientiane, a capital do LAOS.
18 de Outubro 2011 – Vinh – Vientiane (LAOS)
São 12h de caminho incríveis. A viagem não é um meio para um fim, mas um fim em si mesma. As montanhas do Laos, os seus rios de correntes castanhas e poderosas (mais de 80% do Laos é montanha e vivem, para além do ópio, da venda de Energia), as suas aldeias de cabanas em palafitas altas, a vida rural, o povo sempre sorrindo. Não há nada mas há tudo.
Seguimos ao lado do grande Mekong, através do famoso caminho de Ho Chi Min, palco dos maiores bombardeamentos da história da Humanidade.
O Laos foi o país mais bombardeado no Mundo e ninguém fala nele. Os B52 caíram dos céus aos milhões, muitos deles libertaram minas que estão ainda hoje por explodir. Das 260 milhões de bombas lançadas 1/3 ainda não explodiu! Ainda hoje há pessoas inocentes a ficarem mutiladas e a perder a vida. Um povo que nada fez e tanto sofreu é hoje, contudo, uma surpresa de felicidade e paz.
Nos rios há dezenas de embarcações feitas de carcaças de B52, é impressionante.
Há um silêncio que me envolve e deixa redimida em simultâneo. Gosto deste país de imediato.
Nota: Na fronteira há que ser discreto e respeitar a cultura conservadora deste povo. Roupas simples e sem grandes decotes, nada que lhe possa provocar um choque cultural. Afinal, estamos no seu país.
De peripécias neste trajecto apenas um furo que tivemos no caminho, mas que rapidamente foi solucionado…pela velocidade a que seguíamos acredito que o motorista já o sabia há muito tempo mas estava a tentar chegar a uma zona em que pudesse reparar o furo. Naquelas estradas esburacadas é mais que expectável…
Chegámos por fim a Vientiane, a capital do Laos, com 442.000 habitantes.
Factos Laos:
236.800 kms2 . 6 milhões de habitantes, maioritariamente budista. Capital: Vientiane - 442.000 habitantes. GMT+7.
1€=10.800 LAK (KIP Laoense)
Depois de um jantar magnífico fui beber um copo com a Karen e…engoli um mosquito! Fiquei preocupada com as doenças e despejei um Gin Tónico de penálti…ehehehe, parece que a água tónica tem quinina…e sabe sempre bem um Gin a acompanhar. :) conhecemos um casal gay de ingleses que tinha chegado à Ásia de Transiberiano, aí está uma viagem a fazer também um dia, bem acompanhada, passando pelas paisagens inóspitas da Mongólia numa carruagem-cama com uma boa leitura ao lado. Um dia. Mais tarde. Por agora “chocámos” com um concerto hip-hop Laoense…que não consigo descrever, lol, mas q deu p uma boa risada.
O Laos era dividido em 3 reinos, daí que além da flor, tenha como símbolo 3 elefantes. A influência francesa também é enorme, mas não domina a arquitectura como no Vietname.
Gostei deste 1º impacto da cidade.
19 de Outubro 2011 – Vientiane (LAOS)
O dia foi dedicado a conhecer a cidade. Tivemos um momento único (provavelmente na vida), em que no templo Wat Sakef (bem no centro) fomos recebidos por um monge em privado, que rezou connosco e a quem fizemos oferendas. No final abençoou cada um individualmente e colocou uma pulseirinha de boa sorte. Até eu que não costumo ser muito espiritual fiquei emocionada com a cerimónia. Acendi uma vela a Buda e saiu-me o número 7…diz o Nikon (guia q nos acompanhou nesta parte) que vou ter muita sorte e dinheiro até Abril 2012 (passados meses concluo que o dinheiro deveria ser a indemnização que recebi da empresa …e sorte provavelmente foi ter saído de lá e começar uma vida nova…justamente no final de Março…mas estas interpretações podem estar erradas!).
Na altura escrevi o seguinte no meu caderninho “trocava o $ por um amor novo. Pensei muito em Portugal e no que ando a fazer da minha vida”.
No resto do dia visitámos o Mercado, o Arco do Triunfo (mais uma influência francesa, mas este com acabamentos budistas, eheheh) e acabámos a ver o pôr-do-sol no Mekong e a beber vinho branco com snaks…delicioso.
20 de Outubro 2011 – Vientiane – Vang Vieng (LAOS)
Às 09h30 já estávamos no public Bus para Vang Vieng, aproveito para conversar com o Con e o Andrew (que tínhamos conhecido na noite anterior). As paisagens continuam deslumbrantes, estes caminhos são viagens em si mesmos. Jantámos numa “quinta” biológica e fomos ao famoso QBar…que na realidade é um bar cheio de jovens (muitoooo jovens), muitooo bêbados, com música aos gritos, festa rija e …mais umas coisinhas.
Vang Vieng é uma cidade para turistas [a original foi reconstruída uns poucos kms + à frente para o povo laoense] que vêm disfrutar das actividades na Natureza e …sobretudo…beber copos e comer cogumelos mágicos, entre outros, enquanto se desce o rio numa bóia – o famoso Tubbing! A paisagem à volta da terra é brutal, montanhas de Limestone rock, um rio com grandes correntes e verde, muitooo verde, com uma ilhota ali no meio e casinhas de madeira tradicionais suspensas (mas há pouca habitação uma vez que a população se mudou + para norte para não viver no meio dos turistas). Há imensa coisa que se pode fazer a partir dali.
Gosto imediatamente do local…é super laid back.
A história do Laos persegue-me cada vez que olho para um barco.
Convenci a Karen (foi fácil) e fomos fazer uma massagem p recuperar das várias horas de estrada que já levávamos…magnífico!
21 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
[não me lembro do nome da Guest House, mas era super simples, limpinha e tranquila, com uma varanda fixe p estar no relax]
Saímos de manhã cedo para a caverna Phom (Caverna da Água) com um cenário de cortar a respiração. A gruta foi uma grande surpresa, entrámos deitados nas bóias e puxando cabos que estavam nas paredes…e nunca pensei gostar tanto, cheia de formações rochosas coloridas e variadas. Almoçámos uma refeição tradicional, divinal, numa cabana de madeira, tendo folhas de banana como pratos (amo esta versão ecológica e gostava de importar).
As 2 inglesas, + os holandeses, que tínhamos conhecido seguiram para os cayakes e nós para o tubbing.
Descer o rio numa bóia com um cenário destes é indescritível. O tubbing de Vang Vieng é conhecido por todos os viajantes do sudoeste asiático…e essa fama vem do facto de à beira-rio durante os primeiros kms do rio, existirem bares em casinhas de madeira suspensas com mega festas e actividades aquáticas para fazer (eu andei nos escorregas artesanais de azulejos que caem para o meio do rio e de onde se tem de ser “pescado” imediatamente por causa da corrente), por cada shot recebe-se um carimbo no corpo ou uma tatuagem de tinta e muitos não chegam a conseguir descer o rio nas bóias …que têm de ser entregues até às 18h… dado o estado final.
Começa-se a descer o rio e os empregados dos bares atiram bóias feitas de garrafas com paus para “pescar” os interessados nas festas.
Cheguei a ouvir barbaridades cá em Portugal como “não vão a Vang Vieng que é perigoso”…cada um sabe de si e faz o que quer, ninguém mete o álcool ou as drogas pela boca se não quiser. É tudo acessível e barato, mas é à vontade do freguês! (as ementas têm cigarros de ópio e batidos de cogumelos mágicos) Eu fiquei-me pelas jolas de bar em bar pois queria mesmo fazer o tubbing até ao final, o rio é deslumbrante e seria uma pena perder aquilo.
O Herman aceitou um Happy Shake sem saber o que era e foi muito divertido…ehhehe…em Vang Vieng TUDO o que diga “HAPPY” significa que é feito com cogumelos mágicos (pizzas, batidos, etc etc) mas não explicam isso à cabeça e o pobre (ou não) curtiu a moca da vida dele numa bóia sem perceber porquê! Eheheheh.
Eu e a Karen jantámos com a Kat e Rosie (as 2 inglesas) num hostel muito fixe na rua principal e dp fomos a um copo à beira-rio. Pela 1ª vez encontrei um grupo de espanhóis da minha idade. Qbar & home.
22 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
Um dia que viria também ele a ser muito especial quando de início a ideia era ficar apenas no relax!
Passámos a manhã muito laid-back, junto ao rio…e resolvemos alugar umas biclas p ir dar uma volta ali à volta…sem grandes planos descobrimos descendo junto ao rio uma caverna no topo de uma montanha…absolutamente fabulosa, inserida num parque natural e com um templo budista lá dentro. Começámos por um mergulho no rio gelado e subimos ao templo….uma surpresa de facto incrível pois a caverna era lindaaaaa..cheia de pedras claras, formas diferentes, água, luz e cor…pedi um desejo e acendi uma vela no templo. A vista sobre Vang Vieng é maravilhosa e ficámos muito felizes de ter descoberto este lugar recôndito na montanha.
De regresso à terrinha vemos um passeio de balão de ar quente…experiência nova quer para mim quer para a Karen….e decidimos ir.
O balão tinha a capacidade para 4 passageiros + piloto e o grupo foi per si surreal: um Lituano gigante – o Ivo - dono de uma loja de tatuagens (Wickedneedles.com) e de uma jibóia e uma Boa como bichinhos de estimação, preparado para se ir enfiar na selva do Laos sozinho durante semanas – e um americano não assumido como tal, dizia que era de Taiwan pois era anti-América e auto-intitulava-se professor de uma Ciência Superior que, segundo ele, iluminava os Homens e permitia que passassem para outro Planeta…”there’s a program…” repetia ele...um doido varrido que supostamente era muito zen e no final veio fazer um filme porque lhe serviram um arroz sem gambas e ele não queria pagar…irritações muito mundanas para um cromo que se dizia tão espiritualmente superior…eheheh…foi uma risada.
Quanto ao passeio de balão ao pôr-do-sol…vibrámos loucamente, a paisagem é qualquer coisa de extraordinária e voar ao sabor do vento é de facto muito diferente e bom. A aterragem é que foi meio desastrosa pois aterrámos numa árvore e tinha uma colmeia de vespas, mas eu e a Karen não conseguíamos parar de rir e em vez de pânico demos por nós de joelhos no balão agarradas à barriga e à cerveja. Lol.
A sensação de voar num balão é demais, uma paz e um sentido de tranquilidade superior que apenas nos leva de novo à realidade ao som ensurdecedor do gás quente que lhe dá devir. Único e inolvidável.
Jantámos com o nosso grupo-base e fomos beber um copo com o Ivo depois. Boa música e boa conversa. + um dia perfeito.
23 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS) – Luang Prabang (LAOS)
8 horas de caminho pelas extraordinárias montanhas do Laos e pela sua história, povoada por agentes da CIA, comunistas rebeldes, muitas bombas, muito sofrimento. O povo da montanha – Lao Son – é simpático e aparenta viver em tranquilidade, fazem as suas casas sem janelas e organizam toda a sua vida na berma da estrada. Passámos por tribos Hmong (monges mobilizados pela CIA para combater os comunistas) e chegámos a Luang Prabang já ao final do dia. Ainda não antevia a cidade que aí esperava a minha visita…uma das mais bonitas e a que mais me encantou desde o início desta viagem.
24 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
05h30 da manhã e saio para uma cerimónia especial…alimentar os monges…ou melhor, fazer oferendas de arroz “stiky” e doces. Sentada nuns panos especiais à berma da estrada e ornamentada com lenços específicos, lá me fascinei com a vinda de dezenas de monges de cabeça rapada e vestidos laranja, com olhar humilde e distante, em fila indiana e de pote nas mãos, que recebiam as nossas oferendas e partiam muito direitinhos de volta aos templos onde partilhariam a comida recebida e fariam a sua única refeição do dia. Foi muito giro e especial.
Dali segui para um passeio pelo mercado matinal, com tudo o que se possa imaginar à venda, vivo e morto. Faz-me alguma confusão a falta de sensibilidade que os povos têm com o sofrimento dos animais: os lagoenses mantém-nos vivos para os venderem, mas sem qualquer condição: os peixes fora de água a agonizar, as rãs espetadas por paus ainda vivas, as larvas assadas mas ainda a mexerem dentro de casulos…
O Palácio Real convertido em Museu fica-me na memória pelo seu complexo arquitectónico e pela belíssima exposição temporária de fotografia sobre meditação budista, de um artista alemão contemporâneo.
Com o grupo-base decidimos chamar um tuk-tuk grande e ir visitar as waterfalls a 1h de Luang Prabang. Muito bonitas e com água gelada, estas quedas-de-água são também uma reserva de ursos, tendo vários pendurados nas árvores. Regressámos em cima da hora para um duche rápido e seguir para o teatro ver peças tradicionais…são muito infantis e tremendamente aborrecidas pois a música é demasiado zen e sem luz e com calor ia adormecendo…mas valeu a experiência.
Nesta noite jantámos as girls no Utopia, um restaurante-bar muito giro à beira-rio com grande som, boa comida, turístico, mas soube mesmo muito bem uma noite assim, um bocadinho de ocidente…no final, estava ko de ter levantado de madrugada e dormi que nem um bebé! :)
25 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
Luang Prabang encantou-me. Nesta manhã alugámos umas biclas e fomos (eu e Karen) descobrir os recantos da cidade e arredores, tivemos logo de início uma senhora argentina eléctrica que se colou ao passeio e ainda fizemos a ponte nova com ela, até a conseguirmos impingir a uns miúdos franceses que passavam, ehehehe. Era uma avó fantástica mas não se calava um segundo! Passámos então a ponte velha e fomos dar a uma zona da cidade sem turistas, onde encontrámos um templo-escola-casa de uns meninos-monge lindos e super simpáticos (estes sim, sorriram e conversaram connosco). Um lugar mágico.
Descemos à beira-rio e onde o Mekong e o Kham Pham se cruzam almocámos um belíssimo manjar Laoense. Depois visitámos o templo principal e subimos ao monte que caracteriza o centro da cidade, com muitooooos degraus e uma vista absolutamente deslumbrante de 360º pela cidade.
Nesta subida comprámos um passarinho enjaulado e a Karen libertou-o lá em cima, fazendo um desejo que, embora a mim me tivesse parecido uma infantilidade romântica… mais tarde se concretizou! Um rapaz que ela conhecera uma noite no Laos (e apenas uma noite de passagem), que andava a viajar pela SEA, voltou a contactá-la meses mais tarde na Nova Zelândia e estão agora noivos!!!!
Às vezes penso que a vida me foi tirando esta crença no amor e no romance e fez-me acreditar que é assim com toda a gente e em todo o lado…e depois vejo-me enganada e volto a ter dúvidas. A Karen, na sua ingenuidade de miúda do campo romântica vive com uma intensidade e simplicidade que na nossa Europa cosmopolita não têm lugar, ora por excessiva euforia de liberdade inconsequente ora por total descrédito do amor simples. Terei de imigrar? ;)
Terminei o dia a passear à beira do Mekong na minha bicla, a Karen quis ir a uma aula de culinária e eu precisava do meu momento sozinha….desci para a zona residencial e fui explorar o quotidiano daquele povo tão simpático…vi os pais a irem buscar os meninos à escola (a pé, de bicla e de moto), vi os lojistas a fecharem as suas lojas, vi a vida de quem deseja uma existência simples e feliz.
Acabei a beber um copo numa esplanada na rua principal e num súbito ataque de saudades liguei o meu skype e liguei para Portugal. :)
Porém, a uma semana e meia de regressar não me sinto ainda preparada. Tenho vontade de adiar o voo e perder-me um pouco mais por aqui. Não estou curada, não ganhei a distância emocional que preciso para me proteger. Ao mesmo tempo, esta viagem está a ser um sonho.
20h30 e segui para o Utopia onde tinha marcado jantar com a karen. Conhecemos a Zoe, uma holandês Barmaid em AMS muito cool. Falámos muito da droga que alucina os turistas no Laos: os cogumelos mágicos. Temos uma opinião consensual embora elas já tivessem experimentado e eu não.
26 de Outubro de 2011 – Luang Prabang (LAOS) – Pakbang (LAOS)
8h da manhã e entramos num dos vários barcos típicos que fazem o Mekong nos seus muitos kms e 6 países. Tem cerca de 30 mts de comprimento e uns meros 3mts de largura, em madeira clara e tecto baixo, sem vidros nas janelas, ficamos sentados muito junto à água. Adoro. Comecei a subida de 2 dias pelos “mighty Mekong”.
8h a 10h de viagem por dia a um ritmo lento e num silêncio respeitoso pela paisagem ludibriante que as suas margens nos mostram. Paisagem e vida. Animais (búfalos e cabras), crianças, alguns, poucos, adultos (que onde a selva é menos intensa se dedicam a lavrar os terrenos), vão surgindo ocasionalmente daquela selva magnífica e fazem as suas vidas à beira-rio. Não imaginei que pudesse haver areia tão branca nas margens de um rio…e olhando para os meninos que rebolam pelas mini-dunas abaixo em direcção à água lembro-me de como é bom ser criança :).
Sinto-me “overwelmed”, rendida.
Parámos numa gruta usada como templo budista cheia de amuletos e mini estátuas do buda e uma luz dourada do sol a reflectir no rio e nas paredes deste lugar sagrado para os asiáticos.
Antes de entrar a bordo, ainda em Luang Prabang, tinha encontrado uns miúdos espanhóis que conheci na noite anterior. Estavam ainda de garrafas na mão e curtiam a sua embriaguez. Não entendo como se desperdiça uma vivência do Laos em troca de copos. Nunca irei entender.
Todos os dias conheço pessoas de todos os cantos do Mundo e vejo novas visões da vida. É bom.
Paramos em Pakbang para comer e dormir. Uma terra de meia dúzia de casinhas convertidas em hostels e restaurantes que sobe uma vereda na montanha...literalmente no meio da selva e à beira-rio. Constato que a electricidade tinha chegado há pouco tempo a Pakbang e que até então a terra usava geradores e tinha horas de blackouts gerais. Agora já conseguiam ter uns bares com música para entreter os mochileiros de passagem e melhor que tudo: frigoríficos! :) pézinho de dança e toca a dormir que a manhã seguinte vislumbra-se muito cedo!
27 de Outubro de 2011 – Pakbang (LAOS) – Huay Xai (TAILÂNDIA)
Saímos da aldeia às 06h30 da matina no meio de um nevoeiro místico à volta das montanhas circundantes. Um cenário belíssimo para começar o dia!
São mais 9h até à fronteira com a Tailândia.
Esta beleza quase que dói à vista. O verde tropical dos montes, a areia branca, a vida nas margens.
Almoço a bordo e pequena paragem numa aldeola onde as crianças nos invadiram o barco.
Continuo a minha leitura que me têm irremediavelmente ligado ainda mais a estes povos: “First They Killed My Father” (Loung Ung)…uma filha do Cambodja relembra a sua infância de terror e tortura pelo Regime dos Khmer Rouge. Uma realidade brutal a apenas 40 anos de distância. Ando muito sensível à história cruel e dura destes países. Sinto a dor deles, revolto-me contra o próprio Homem. Sou limitada pela minha existência de criança feliz e gostava de acreditar que este horror seria inconcebível. Mas não é. Não foi. Existiu.
Não sei onde vou dormir amanhã nem nos dias seguintes, não sei para onde vou rumar a seguir. [Em todos os sentidos].
Chegamos a Huay Xai após as formalidades de fronteira que nos obrigaram a ir primeiro a terra na margem norte dar a nossa saída do Laos e apanhar um micro-barco-jangada-atolhado-de-malas para dar entrada na Tailândia. SAWASDEE KA!!!!
Huay Xai Uma simples terra de fronteira com muito comércio e alguns hostels à beira-rio. Caótica e sem grande interesse.
Factos da Tailândia:
513.115 kms2 . 65,4 milhões de habitantes, maioritariamente budista. GMT+6. Capital – Bangkok (8,16 Milhões habitantes)
1€= 42 THB (Bath)
28 de Outubro de 2011 – Huay Xai (TAILÂNDIA) – CHIANG RAI (TAILÂNDIA) – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Saímos de madrugada da aldeia fronteiriça em direcção a Chiang Mai, não sem antes pararmos na região de Chiang Rai para visitar uma plantação de cajus e o famoso Wat Rong Khun – o templo branco, futurista, da autoria de um jovem arquitecto budista desejoso de contribuir para uma nova perspectiva dos templos budistas…and a weird one I must say…mas sem dúvida vale a pena ouvir um guia na explicação do caminho até ao Nirvana (sobretudo porque sem essa explicação apenas vemos mãos espetadas no chão como um purgatório, paredes com cenas desenhadas do cinema norte-americano contemporâneo e outros elementos surrealistas…envoltos num templo de puro branco).
Chegámos ao nosso destino ao final do dia. Fizemos um jantar de despedida dos canadianos e das australianas num mercado de peixe óptimo e fomos todos beber umas Chang ao pé do night market.
Chiang Mai continua a ser uma cidade cheia de vida e da qual gosto muito. Apesar de já ser uma segunda visita a esta terra decido ficar os meus restantes dias por lá e visitar algumas zonas à volta que não conhecia ainda.
A Karen decidiu ficar comigo também e passámos o dia a procurar um hostel simpático e com piscina para podermos descansar, matar o calor e acabar a nossa longa trip em zen.
29 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Chiang Mai Eco Resort – um hostel muito sui generis com jardins enormes etiquetados, mini-ginásio, mega piscina e restaurante eco-integrado. GIRO e ultra confortável. Um pouco mais caro que os outros hostels mas mesmo assim, ficou em 9€ por pessoa/noite em quarto duplo, com pequeno-almoço incluído. E parecia um hotel 4*!
Passámos um dia ultra-relax entre piscina e passeio na cidade com jantarinho divinal num jardim dentro das muralhas da zona antiga. Depois de 17 dias sem parar um dia destes sabe mesmo bem para devolver ao corpo alguma energia.
Conhecemos umas raparigas – americana (Matty), francesa (Laeticia) e brasileira (Lígia) –que estavam na cidade a tirar cursos de massagem profissionais. Não há dúvida que a Tailândia é o topo neste campo e a conversa abriu-me o apetite para eu própria lá voltar para fazer um curso. Sunshine Massage School! A Matty é uma figura incrível de uma miúda cheia de vida e energia. Love&Compassion.
E penso que a vida me abre tantas portas e eu ando a insistir em abrir a única janela fechada. Acho que no fundo sou capaz de tudo desde que tenha amor. Tenho dificuldade em aceitar que estou de novo sozinha, sem alguém que olhe por mim, e o passado recente ainda me custa a ultrapassar.
A Karen já dorme há horas e eu perco-me na conversa com estas miúdas que se espelham tão seguras e tranquilas quanto às suas decisões de vida que fico a pensar se serei apenas eu que tem tantas dúvidas!
30 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – DOI SAKET (TAILÂNDIA)– CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Os acontecimentos fluem na nossa vida sem esforço, naturalmente, e fui parar à Fundação Asia’s Hope: um orfanato com sede a 2h de Chiang Mai e que apoia cerca de 200 meninos e meninas de várias idades e de 4 etnias (Hmong, Karen, Ak, L – não assentei os nomes completos destas últimas duas).
A Fundação é gerida pelo Mike e a Debbie, 2 extraordinários anciães norte-americanos que vivem e apoiam crianças tailandesas há mais de 10 anos. Somos 5 convidados especiais para a sua missa de domingo onde reúnem todas as crianças das diferentes casas ao redor da Sede. O Mike apresenta-nos um-a-um e as crianças depois da missa cantaram em grupos para os presentes e vieram brincar connosco no final e mostrar os seus dormitórios.
Estou emocionada. Sinto-me egoísta, por não ser capaz de me libertar dos meus problemas mundanos e mesquinhos e dar mais apoio a causas desta natureza, realmente importantes.
Love & Compassion outra vez.Desde a conversa de ontem com a Matty que estas 2 palavras parecem significar todo o essencial da nossa vivência.
O grupo dos 5 integrava, para além de mim e da Karen, 2 americanas (uma delas tinha aberto uma Asia’s Hope no Cambodja havia já 2 anos e estava a dar formação local a professores para poderem dar continuidade ao ensino escolar dentro do orfanato) e 1 jornalista Australiano – o Scott – que ia para mais uma das suas missões perigosas na Birmânia, onde se infiltrava com a ajuda dos rebeldes locais, para poder documentar a opressão que o povo de Myanmar ainda vive.
Que faço eu neste mundo de relevante?
…
Depois do orfanato a aventura continuou e fomos as duas ao Tiger World, a norte de Chiang Mai. Foi um espanto. Apesar dos coitados dos tigres estarem o dia inteiro rodeados de turistas, amei. Os bebés tinham 2-3 meses e podíamos enroscar-nos neles, dar beijinhos, tocar-lhes ainda mais que a um gato normal. Os “grandes” impunham outro respeito, mas não tive medo, foi mesmo espectacular! O maior tinha 22 meses e ainda “só” 160kgs, mas segundo o tratador, iria chegar aos 250kgs. Coisa pouca. OMB!!! (Oh My Buda).
De noite fomos ao outro night Bazar regatear mais souvenirs e jantar, como sempre, lindamente. O último jantar na Ásia nos próximos tempos.
31 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – BANGKOK – LONDRES – LISBOA
Último dia. Piscina. Despedida da Karen que seguiu para o outro lado do Mundo. É estranho as inúmeras vezes em que percorro kms, partilho vivências, gostos, dúvidas, medos, felicidades com pessoas que entram e saem aleatoriamente da minha vida. A Karen esteve 17 dos meus 20 dias pela SEA quase sempre comigo e agora segue o seu rumo e eu o meu. Pontos opostos no globo. 180º. A maioria das vezes não volto mais a ver estas pessoas e contudo, elas tiveram um papel tão importante nestas minhas caminhadas pelo Mundo.
Vou fazer um passeio pela cidade e tenho o meu já histórico acidente de percurso…caí num bueiro da estrada e fiquei com a perna enfiada num buraco de esgoto seco até à cintura. Além de me ter doído imenso e ter ficado com a lombar magoada, fiquei com uns belos cortes que tive de rapidamente desinfectar numa parafarmácia “a la asiática” onde consegui apenas explicar “ALCOOL” e gritei como uma maluca com o líquido nas pernas com uma família de thais a olharem para mim surpreendidos com a turista doida. :P
Passado umas horas escrevi: “estou agora na porta de embarque já em Bangkok para voar para Londres e depois Lisboa. Estou muito cansada mas esta viagem foi brutal. Fiz de tudo, vi de tudo. Só não consegui ainda mudar o meu mindset. Volto, contudo, mais certa de que tenho de mudar. Em tudo. A começar por mim.” …
“estou a chegar a Londres. Quero ir para casa mas não sei como me vou sentir. É tão difícil viver sozinha em Portugal e ser feliz. Estão sempre a cobrar-me um estatuto. Toda a sociedade é estabelecida com base em casais, filhos, obrigações. Na Ásia tudo é tão simples. Ninguém tem de provar nada. Estar sozinha é fácil, não dói, não nos sentimos desajustados…há uma multidão como nós. Toda a gente se junta e separa conforme os seus objectivos diários das suas viagens individuais. Não há muitas perguntas. Não há exigências. Todos os dias são 100% preenchidos, a vida é vivida ao minuto, sabai. O regresso a casa é agora uma confusão de sentimentos...quero estar com a minha família e amigos mas ainda não me sinto preparada para tudo o resto.
Aos 34 anos continuo num limbo, no trabalho vamos novamente ter cortes e despedimentos e eu estou cansada de não aplicar quase nenhuma das minhas competências e depender sempre das vontades dos administradores. Na vida pessoal não consigo deixar o meu passado nem andar para a frente. Estou num beco sem saída e não sei o que aí vem. MAS…para tudo na vida há uma solução.
Love & compassion.
Foi o que aprendi com esta viagem."
S
ps- esta crónica foi escrita entre Out. e Nov. de 2011, vários acontecimentos decorreram depois e dei de facto uma volta de 180º ao rumo da minha vida. Certo, agora, só as minhas viagens...
De regresso à Ásia.
Sou fanática por esta parte do globo. Acredito que o espírito que se vive ali é a versão mais positiva da vida, mais verdadeira e, no fundo, a mais simples de se alcançar a felicidade…ou o mais próximo dela possível.
Ia emocionalmente instável e determinada a pôr no campo das memórias o último capítulo da minha vida. Das boas memórias diga-se, mas que nem sempre têm um final feliz.
Pensei que ia sozinha, tinha um plano muito simples em mente…voar até Londres, passear e visitar uma amiga e depois seguir para Hanói, alojar-me num hostel algures no centro da cidade e ver as próximas saídas para Halong Bay. Mais não sabia o q me esperava, nem queria saber. Sozinha foi efectivamente o que quase nunca estive!
Antes não pensava assim, mas quanto mais viajo mais acredito que quanto menos lemos, menos pesquisamos imagens na internet, menos expectativa criamos e maior é a nossa surpresa e admiração do desconhecido. Quando uma paisagem, um templo, uma cidade, uma rua já nos passou várias vezes pela retina através de um ecrã, o seu real confronto nunca é tão intenso.
Vou transcrever parte do meu livrinho tal como senti e vi tudo naqueles dias….acrescentando o que o tempo, por escassear às vezes, não me permitiu pôr por palavras, mas que ainda me recordo tão bem…
13 Outubro 2011 – Lisboa -Londres
Arranco para mais uma aventura, que começa logo com uma boa surpresa no aeroporto: a companhia inesperada, na mesma fila do avião para Londres, da Maria Domingas, tio Pedro e tia Rita (pai e madrasta da Mingas).
O caminho deles aqui separa-se do meu – eles seguem para a Índia – mas foi um bom prenúncio.
Londres é uma cidade tão acelerada e cosmopolita, vamos ver o que reserva hoje para mim…para começar, está sol!
Penso que estou finalmente sozinha e eis que, ao chegar ao controlo de passaportes encontro a Sara, uma rapariga que tinha conhecido 15 dias antes em Portugal, numa saída de amigos ao cinema. Lá tive companhia até ao metro…again, um Mundo T0 :)
O passeio em Londres foi muito bom e deu para fazer o típico: Picadilly, Trafalgar square, Big Ben, Westminster, Convent Garden e visita à National Gallery (sempre que lá vou pergunto a mim mesma quando é que Portugal terá este tipo de cultura gratuita também, disponível para o povo).… e descansar finalmente num Wifi Café a ver o rush desta cidade enquanto converso com amigos na net e aguardo a Sofia Rocha para um cup-of-tea!
O metro pregou-me uma pequena partida e atrasou 40 minutos, tempo suficiente para ter de correr loucamente para a porta de embarque…quando tinha tido uma escala de 9h! unbeliavable…final feliz , parece que os meus treinos de jogging estão a dar resultado :)
E estou a bordo da Qantas para Bangkok…2nd round!
A aterrar em Bangkok vi os campos inundados pelas enormes cheias que o país atravessava, as estradas metade afundadas, as plantações gigantes submergidas…que sensação de impotência perante a mãe Natureza. Mas as chuvas tinham parado e estava sol. Sol e esperança.
14 de Outubro 2011 – chegada a Hanói (VIETNAME)
Cheguei a Hanoi no dia 14 de Outubro de noite. Tinha perdido um dia. Vi o “Breakfast at Tiffany’s” e aterro um bocado nostálgica, uma sensação que vem das muitas horas e da distância que começo a ter de Portugal.
Feeling em Hanói: estou tranquila, cansada, curiosa. Dormi o voo inteiro de Londres para Bkk mas não o de Bkk para Hanói…preciso de uma cama. Escolhi o Hanói Backpackers, quarto dormitório feminino, com mais 5 raparigas. Conheci apenas uma delas, holandesa, que ainda dormia quando saí de manhã. A visita à cidade iria ficar para uns dias mais tarde pois senão perderia a trip a Halong Bay.
Factos
Voos:
LIS-LON – 2h30 + 9h de escala
LON-BKK – 11h (dormi 7h30)
BKK – HANOI – 1h30
Hostel: Hanoi Backpackers (6$/noite)
Aeroporto – centro da cidade – NÃO é preciso mesmo ir de táxi (que custa 18$ cada percurso)…há umas mini vans que levam os locals para o centro, óptimas e com A/C, que custam…2$! Mesmo à saída do aeroporto do lado direito, just ask!!
Visto: tirei em Madrid (60€) mas podia ter feito o visa online request e havia um desk mesmo à chegada…
Vietname: 329.560 kms2 . 86,1 milhões de habitantes. Capital: Hanói: 3 milhões.
1 EUR = a 30.000 VND (Dong Vietnamita). GMT+7.
15 Outubro 2011 – Halong Bay (VIETNAME)
Esta manhã conheci o Fernando, um miúdo 5* de Saragoza, backpacker sozinho como eu…pena já ter vindo a Halong Bay, senão teria sido uma excelente companhia. Tomámos o pequeno-almoço juntos, fomos dar um passeio rápido e separámo-nos pois eu tinha de arrancar para Halong Bay, uma das 7 Maravilhas do Mundo!
….
Este lugar é lindo. Lindo. Lindo. Lindo. Estamos no barco, uma réplica perfeita dos tradicionais barcos vietnamitas, onde vamos passar os próximos 2 dias.
Não está sol mas muito calor. O grupo é porreiro, na maioria mais novos, como em todo o sudoeste asiático, australianos e ingleses, mas também holandeses, alemães e checos.
A música podia estar mais baixa, ou então eu é que estou a ficar velha :P
Roomate no barco: Mariola, uma dutsh girl com uma voz estridente mas muito simpática.
Com o jet lag sinto-me cansada e não consigo pensar muito, mas isso pode ser bom. Não pensar de mais, sobretudo num lugar fabuloso destes.
Depois de almoço juntámos 2 barcos braça-a-braça e foi tudo ao banho naquelas águas quentes e turquesa, gr salto do 3 andar (…até doeu). Espectáculo! Afinal não estou assim tão velha . Sessão de caiaque pela baía com este cenário idílico de fundo…
…e Mundo T0 novamente: dentro de uma caverna ia a conversar com um israelita e falo-lhe num amigo que tenho em Tel Aviv, que conheci na Costa Rica no ano 2010, o Danny Djanoly, e ouvimos alguém gritar do fundo da caverna: era outro israelita que tinha estudado com o Danny :).
Estas coincidências que me acontecem constantemente na vida deixam-me ainda perplexa e maravilhada com a pequena-grande dimensão da nossa existência.
No grupo do barco somos imensos, gosto particularmente do Mick (Australia), da Emma, Peter e Thomas (os 3 GB), mas ainda conheço mal os outros. Há 3 alemães de Munique e uma holandesa, todos muito porreiros (com quem acabei por passar quase o resto do tempo).
A minha vida leva-me sempre por caminhos que não entendo. Nunca são os mais fáceis. Exigem sempre de mim partir, estar sozinha, procurar a beleza e a diferença no Mundo. Só que este ano também me mostrou que a felicidade em casa pode ser perfeita, e isso faz com que o meu entusiasmo para viajar seja agora diferente, menos expectante.
Mega festa a bordo, acabei a ver as estrelas no deck superior e a conversar com um americano novíssimo que me surpreendeu pela positiva: culto e sem preconceitos com o mundo…Ben, foste um excelente exemplo da excepção à regra.
Amanhã ao final do dia vou conhecer o grupo com quem vou passar as seguintes 14 noites. I’m curious.
16 de Outubro 2011- Halong Bay –Hanói (VIETNAME)
Este tour foi genial. O grupo tem pessoas mesmo fantásticas e adoro este mix cultural. O cenário indescritível. A água quente. Dormi que nem um bebé. Não tenho tido um segundo, nem sequer para ler o guia (aliás, este facto ocorreu o resto da viagem inteira e acabei por desistir de ler guias, lol). Há sempre alguém.
E no meio desta gente que celebrava a vida encontro um grupo de 3 colegas que trabalhavam na Honda e estavam no sudoeste asiático por uma razão chocante: a sua fábrica na Tailândia encontrava-se inundada pelas enormes cheias que o país sentia neste momento e procuravam uma alternativa de produção…gorada… uma tragédia que punha os seus empregos, e de muitos outros trabalhadores, seriamente em risco.
O caminho (agora de regresso a Hanói) foi uma surpresa, pelo meio dos campos de arrozais, das incríveis e típicas casas vietnamitas de influência – claramente – francesa. Não esperava esta arquitectura e o efeito no meio do campo é extraordinário.
Chegamos a Hanói.
Hanói foi uma cidade que me surpreendeu muito. Adorei a energia. Adorei o antigo e o novo, as ruelas caóticas e as grandes mansões francesas, museus (como o Museu da Mulher, que gostei mesmo muito) e vendedores ambulantes, mercados de rua e hotéis de charme e luxo…uma cidade cheia de vida.
Fui conhecer o grupo com quem ia começar a parte Intrepid da viagem:
- A Megan (Australiana) – que passaria os restantes dias quase sempre de garrafa de cerveja na mão, sem sapatos, sem grande consciência da vida mas muito animada com amigos novos a cada noite! Eheheh. A cada um o que lhe faz feliz!...a meu ver, ela é muito nova e perdeu algumas coisas essenciais da trip, mas com certeza que se divertiu – e muito – no resto ;)
- A Jennifer – uma aussie de Perth tipo mamã super cool, onda meio hippie, com quem dividi quarto muitas noites …e que adorava acordar-me de madrugada com perguntas essenciais apenas à sua existência! Lol…mas uma querida à mesma :)
- A Karen – my best friend in the all trip , e com quem continuei depois a viagem mais tarde, só as duas, pelo norte da Tailândia. Uma Kiwi de Wellington – NZ – completamente diferente de mim (a Jennifer costumava dizer “tu és a europeia cosmopolita e poliglota que vive pelo mundo, ela a menina do campo que tem sonhos cor-de-rosa” e era verdade, mas acho que os opostos atraem-se mesmo nas amizades. Estivemos quase sempre juntas.
- O Milles e o Herman: 2 senhores canadianos, já nada novos, que tinham dado aulas juntos uma vida inteira e que apostaram que um dia que se reformassem iriam fazer uma viagem radical juntos, deixando as mulheres e filhos em casa. E foi. Para mim foram um exemplo de descontracção, de aceitação, de espelho de experiência de vida vivida mesmo quando não conhecem metade do mundo…sempre cool, sempre de garrafa de vodka na mão quando os via ao final do dia.
-last, but not least, a NOK, uma thai gordinha que fez de guia e que nos surpreendeu pela sua dedicação e boa vontade.
Por agora, deixo-os a todos e corro a ter com o Mick e Stephanie para uma volta pelo lago de Hanói, os seus mercados e ruelas do bairro antigo. Juntámo-nos aos 3 alemães de Munique e fomos jantar.
…aqui tive uma peripécia que vou deixar escrita apenas para minha recordação…eheheh…como não tinham nada sem carne no restaurante disse-lhes que ia buscar uma sandes e voltava…mas conheci na rua um neozelandês (giro) e um casal de ingleses (já com os copos) e acabámos a jantar os 4 noutro restaurante, :P…juntei-me ao meu grupo inicial a seguir pois já estavam à minha espera na rua, no bar em frente, para umas Bia Hois (cervejas). Não lhes contei que tinha jantado com os outros, lol. Mas fiquei convencida que a Nova Zelândia é um país a ir muito em breve, :p
17 de Outubro 2011 – Hanói – Vinh (VIETNAME)
A manhã foi a passear em Hanói. Que já descrevi acima e que adorei. Entusiasmei-me e perdi-me pelas ruelas… fiz atrasar ligeiramente a saída do bus, lol, que saía ao início da tarde…mas depois a viagem até Vinh foi tranquila, era uma etapa da viagem sem grandes marcos pois é uma cidade feia, na costa do Vietname, para pernoitar antes de iniciar as 12h de bus para Vientiane, a capital do LAOS.
18 de Outubro 2011 – Vinh – Vientiane (LAOS)
São 12h de caminho incríveis. A viagem não é um meio para um fim, mas um fim em si mesma. As montanhas do Laos, os seus rios de correntes castanhas e poderosas (mais de 80% do Laos é montanha e vivem, para além do ópio, da venda de Energia), as suas aldeias de cabanas em palafitas altas, a vida rural, o povo sempre sorrindo. Não há nada mas há tudo.
Seguimos ao lado do grande Mekong, através do famoso caminho de Ho Chi Min, palco dos maiores bombardeamentos da história da Humanidade.
O Laos foi o país mais bombardeado no Mundo e ninguém fala nele. Os B52 caíram dos céus aos milhões, muitos deles libertaram minas que estão ainda hoje por explodir. Das 260 milhões de bombas lançadas 1/3 ainda não explodiu! Ainda hoje há pessoas inocentes a ficarem mutiladas e a perder a vida. Um povo que nada fez e tanto sofreu é hoje, contudo, uma surpresa de felicidade e paz.
Nos rios há dezenas de embarcações feitas de carcaças de B52, é impressionante.
Há um silêncio que me envolve e deixa redimida em simultâneo. Gosto deste país de imediato.
Nota: Na fronteira há que ser discreto e respeitar a cultura conservadora deste povo. Roupas simples e sem grandes decotes, nada que lhe possa provocar um choque cultural. Afinal, estamos no seu país.
De peripécias neste trajecto apenas um furo que tivemos no caminho, mas que rapidamente foi solucionado…pela velocidade a que seguíamos acredito que o motorista já o sabia há muito tempo mas estava a tentar chegar a uma zona em que pudesse reparar o furo. Naquelas estradas esburacadas é mais que expectável…
Chegámos por fim a Vientiane, a capital do Laos, com 442.000 habitantes.
Factos Laos:
236.800 kms2 . 6 milhões de habitantes, maioritariamente budista. Capital: Vientiane - 442.000 habitantes. GMT+7.
1€=10.800 LAK (KIP Laoense)
Depois de um jantar magnífico fui beber um copo com a Karen e…engoli um mosquito! Fiquei preocupada com as doenças e despejei um Gin Tónico de penálti…ehehehe, parece que a água tónica tem quinina…e sabe sempre bem um Gin a acompanhar. :) conhecemos um casal gay de ingleses que tinha chegado à Ásia de Transiberiano, aí está uma viagem a fazer também um dia, bem acompanhada, passando pelas paisagens inóspitas da Mongólia numa carruagem-cama com uma boa leitura ao lado. Um dia. Mais tarde. Por agora “chocámos” com um concerto hip-hop Laoense…que não consigo descrever, lol, mas q deu p uma boa risada.
O Laos era dividido em 3 reinos, daí que além da flor, tenha como símbolo 3 elefantes. A influência francesa também é enorme, mas não domina a arquitectura como no Vietname.
Gostei deste 1º impacto da cidade.
19 de Outubro 2011 – Vientiane (LAOS)
O dia foi dedicado a conhecer a cidade. Tivemos um momento único (provavelmente na vida), em que no templo Wat Sakef (bem no centro) fomos recebidos por um monge em privado, que rezou connosco e a quem fizemos oferendas. No final abençoou cada um individualmente e colocou uma pulseirinha de boa sorte. Até eu que não costumo ser muito espiritual fiquei emocionada com a cerimónia. Acendi uma vela a Buda e saiu-me o número 7…diz o Nikon (guia q nos acompanhou nesta parte) que vou ter muita sorte e dinheiro até Abril 2012 (passados meses concluo que o dinheiro deveria ser a indemnização que recebi da empresa …e sorte provavelmente foi ter saído de lá e começar uma vida nova…justamente no final de Março…mas estas interpretações podem estar erradas!).
Na altura escrevi o seguinte no meu caderninho “trocava o $ por um amor novo. Pensei muito em Portugal e no que ando a fazer da minha vida”.
No resto do dia visitámos o Mercado, o Arco do Triunfo (mais uma influência francesa, mas este com acabamentos budistas, eheheh) e acabámos a ver o pôr-do-sol no Mekong e a beber vinho branco com snaks…delicioso.
20 de Outubro 2011 – Vientiane – Vang Vieng (LAOS)
Às 09h30 já estávamos no public Bus para Vang Vieng, aproveito para conversar com o Con e o Andrew (que tínhamos conhecido na noite anterior). As paisagens continuam deslumbrantes, estes caminhos são viagens em si mesmos. Jantámos numa “quinta” biológica e fomos ao famoso QBar…que na realidade é um bar cheio de jovens (muitoooo jovens), muitooo bêbados, com música aos gritos, festa rija e …mais umas coisinhas.
Vang Vieng é uma cidade para turistas [a original foi reconstruída uns poucos kms + à frente para o povo laoense] que vêm disfrutar das actividades na Natureza e …sobretudo…beber copos e comer cogumelos mágicos, entre outros, enquanto se desce o rio numa bóia – o famoso Tubbing! A paisagem à volta da terra é brutal, montanhas de Limestone rock, um rio com grandes correntes e verde, muitooo verde, com uma ilhota ali no meio e casinhas de madeira tradicionais suspensas (mas há pouca habitação uma vez que a população se mudou + para norte para não viver no meio dos turistas). Há imensa coisa que se pode fazer a partir dali.
Gosto imediatamente do local…é super laid back.
A história do Laos persegue-me cada vez que olho para um barco.
Convenci a Karen (foi fácil) e fomos fazer uma massagem p recuperar das várias horas de estrada que já levávamos…magnífico!
21 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
[não me lembro do nome da Guest House, mas era super simples, limpinha e tranquila, com uma varanda fixe p estar no relax]
Saímos de manhã cedo para a caverna Phom (Caverna da Água) com um cenário de cortar a respiração. A gruta foi uma grande surpresa, entrámos deitados nas bóias e puxando cabos que estavam nas paredes…e nunca pensei gostar tanto, cheia de formações rochosas coloridas e variadas. Almoçámos uma refeição tradicional, divinal, numa cabana de madeira, tendo folhas de banana como pratos (amo esta versão ecológica e gostava de importar).
As 2 inglesas, + os holandeses, que tínhamos conhecido seguiram para os cayakes e nós para o tubbing.
Descer o rio numa bóia com um cenário destes é indescritível. O tubbing de Vang Vieng é conhecido por todos os viajantes do sudoeste asiático…e essa fama vem do facto de à beira-rio durante os primeiros kms do rio, existirem bares em casinhas de madeira suspensas com mega festas e actividades aquáticas para fazer (eu andei nos escorregas artesanais de azulejos que caem para o meio do rio e de onde se tem de ser “pescado” imediatamente por causa da corrente), por cada shot recebe-se um carimbo no corpo ou uma tatuagem de tinta e muitos não chegam a conseguir descer o rio nas bóias …que têm de ser entregues até às 18h… dado o estado final.
Começa-se a descer o rio e os empregados dos bares atiram bóias feitas de garrafas com paus para “pescar” os interessados nas festas.
Cheguei a ouvir barbaridades cá em Portugal como “não vão a Vang Vieng que é perigoso”…cada um sabe de si e faz o que quer, ninguém mete o álcool ou as drogas pela boca se não quiser. É tudo acessível e barato, mas é à vontade do freguês! (as ementas têm cigarros de ópio e batidos de cogumelos mágicos) Eu fiquei-me pelas jolas de bar em bar pois queria mesmo fazer o tubbing até ao final, o rio é deslumbrante e seria uma pena perder aquilo.
O Herman aceitou um Happy Shake sem saber o que era e foi muito divertido…ehhehe…em Vang Vieng TUDO o que diga “HAPPY” significa que é feito com cogumelos mágicos (pizzas, batidos, etc etc) mas não explicam isso à cabeça e o pobre (ou não) curtiu a moca da vida dele numa bóia sem perceber porquê! Eheheheh.
Eu e a Karen jantámos com a Kat e Rosie (as 2 inglesas) num hostel muito fixe na rua principal e dp fomos a um copo à beira-rio. Pela 1ª vez encontrei um grupo de espanhóis da minha idade. Qbar & home.
22 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS)
Um dia que viria também ele a ser muito especial quando de início a ideia era ficar apenas no relax!
Passámos a manhã muito laid-back, junto ao rio…e resolvemos alugar umas biclas p ir dar uma volta ali à volta…sem grandes planos descobrimos descendo junto ao rio uma caverna no topo de uma montanha…absolutamente fabulosa, inserida num parque natural e com um templo budista lá dentro. Começámos por um mergulho no rio gelado e subimos ao templo….uma surpresa de facto incrível pois a caverna era lindaaaaa..cheia de pedras claras, formas diferentes, água, luz e cor…pedi um desejo e acendi uma vela no templo. A vista sobre Vang Vieng é maravilhosa e ficámos muito felizes de ter descoberto este lugar recôndito na montanha.
De regresso à terrinha vemos um passeio de balão de ar quente…experiência nova quer para mim quer para a Karen….e decidimos ir.
O balão tinha a capacidade para 4 passageiros + piloto e o grupo foi per si surreal: um Lituano gigante – o Ivo - dono de uma loja de tatuagens (Wickedneedles.com) e de uma jibóia e uma Boa como bichinhos de estimação, preparado para se ir enfiar na selva do Laos sozinho durante semanas – e um americano não assumido como tal, dizia que era de Taiwan pois era anti-América e auto-intitulava-se professor de uma Ciência Superior que, segundo ele, iluminava os Homens e permitia que passassem para outro Planeta…”there’s a program…” repetia ele...um doido varrido que supostamente era muito zen e no final veio fazer um filme porque lhe serviram um arroz sem gambas e ele não queria pagar…irritações muito mundanas para um cromo que se dizia tão espiritualmente superior…eheheh…foi uma risada.
Quanto ao passeio de balão ao pôr-do-sol…vibrámos loucamente, a paisagem é qualquer coisa de extraordinária e voar ao sabor do vento é de facto muito diferente e bom. A aterragem é que foi meio desastrosa pois aterrámos numa árvore e tinha uma colmeia de vespas, mas eu e a Karen não conseguíamos parar de rir e em vez de pânico demos por nós de joelhos no balão agarradas à barriga e à cerveja. Lol.
A sensação de voar num balão é demais, uma paz e um sentido de tranquilidade superior que apenas nos leva de novo à realidade ao som ensurdecedor do gás quente que lhe dá devir. Único e inolvidável.
Jantámos com o nosso grupo-base e fomos beber um copo com o Ivo depois. Boa música e boa conversa. + um dia perfeito.
23 de Outubro 2011 – Vang Vieng (LAOS) – Luang Prabang (LAOS)
8 horas de caminho pelas extraordinárias montanhas do Laos e pela sua história, povoada por agentes da CIA, comunistas rebeldes, muitas bombas, muito sofrimento. O povo da montanha – Lao Son – é simpático e aparenta viver em tranquilidade, fazem as suas casas sem janelas e organizam toda a sua vida na berma da estrada. Passámos por tribos Hmong (monges mobilizados pela CIA para combater os comunistas) e chegámos a Luang Prabang já ao final do dia. Ainda não antevia a cidade que aí esperava a minha visita…uma das mais bonitas e a que mais me encantou desde o início desta viagem.
24 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
05h30 da manhã e saio para uma cerimónia especial…alimentar os monges…ou melhor, fazer oferendas de arroz “stiky” e doces. Sentada nuns panos especiais à berma da estrada e ornamentada com lenços específicos, lá me fascinei com a vinda de dezenas de monges de cabeça rapada e vestidos laranja, com olhar humilde e distante, em fila indiana e de pote nas mãos, que recebiam as nossas oferendas e partiam muito direitinhos de volta aos templos onde partilhariam a comida recebida e fariam a sua única refeição do dia. Foi muito giro e especial.
Dali segui para um passeio pelo mercado matinal, com tudo o que se possa imaginar à venda, vivo e morto. Faz-me alguma confusão a falta de sensibilidade que os povos têm com o sofrimento dos animais: os lagoenses mantém-nos vivos para os venderem, mas sem qualquer condição: os peixes fora de água a agonizar, as rãs espetadas por paus ainda vivas, as larvas assadas mas ainda a mexerem dentro de casulos…
O Palácio Real convertido em Museu fica-me na memória pelo seu complexo arquitectónico e pela belíssima exposição temporária de fotografia sobre meditação budista, de um artista alemão contemporâneo.
Com o grupo-base decidimos chamar um tuk-tuk grande e ir visitar as waterfalls a 1h de Luang Prabang. Muito bonitas e com água gelada, estas quedas-de-água são também uma reserva de ursos, tendo vários pendurados nas árvores. Regressámos em cima da hora para um duche rápido e seguir para o teatro ver peças tradicionais…são muito infantis e tremendamente aborrecidas pois a música é demasiado zen e sem luz e com calor ia adormecendo…mas valeu a experiência.
Nesta noite jantámos as girls no Utopia, um restaurante-bar muito giro à beira-rio com grande som, boa comida, turístico, mas soube mesmo muito bem uma noite assim, um bocadinho de ocidente…no final, estava ko de ter levantado de madrugada e dormi que nem um bebé! :)
25 de Outubro 2011 – Luang Prabang (LAOS)
Luang Prabang encantou-me. Nesta manhã alugámos umas biclas e fomos (eu e Karen) descobrir os recantos da cidade e arredores, tivemos logo de início uma senhora argentina eléctrica que se colou ao passeio e ainda fizemos a ponte nova com ela, até a conseguirmos impingir a uns miúdos franceses que passavam, ehehehe. Era uma avó fantástica mas não se calava um segundo! Passámos então a ponte velha e fomos dar a uma zona da cidade sem turistas, onde encontrámos um templo-escola-casa de uns meninos-monge lindos e super simpáticos (estes sim, sorriram e conversaram connosco). Um lugar mágico.
Descemos à beira-rio e onde o Mekong e o Kham Pham se cruzam almocámos um belíssimo manjar Laoense. Depois visitámos o templo principal e subimos ao monte que caracteriza o centro da cidade, com muitooooos degraus e uma vista absolutamente deslumbrante de 360º pela cidade.
Nesta subida comprámos um passarinho enjaulado e a Karen libertou-o lá em cima, fazendo um desejo que, embora a mim me tivesse parecido uma infantilidade romântica… mais tarde se concretizou! Um rapaz que ela conhecera uma noite no Laos (e apenas uma noite de passagem), que andava a viajar pela SEA, voltou a contactá-la meses mais tarde na Nova Zelândia e estão agora noivos!!!!
Às vezes penso que a vida me foi tirando esta crença no amor e no romance e fez-me acreditar que é assim com toda a gente e em todo o lado…e depois vejo-me enganada e volto a ter dúvidas. A Karen, na sua ingenuidade de miúda do campo romântica vive com uma intensidade e simplicidade que na nossa Europa cosmopolita não têm lugar, ora por excessiva euforia de liberdade inconsequente ora por total descrédito do amor simples. Terei de imigrar? ;)
Terminei o dia a passear à beira do Mekong na minha bicla, a Karen quis ir a uma aula de culinária e eu precisava do meu momento sozinha….desci para a zona residencial e fui explorar o quotidiano daquele povo tão simpático…vi os pais a irem buscar os meninos à escola (a pé, de bicla e de moto), vi os lojistas a fecharem as suas lojas, vi a vida de quem deseja uma existência simples e feliz.
Acabei a beber um copo numa esplanada na rua principal e num súbito ataque de saudades liguei o meu skype e liguei para Portugal. :)
Porém, a uma semana e meia de regressar não me sinto ainda preparada. Tenho vontade de adiar o voo e perder-me um pouco mais por aqui. Não estou curada, não ganhei a distância emocional que preciso para me proteger. Ao mesmo tempo, esta viagem está a ser um sonho.
20h30 e segui para o Utopia onde tinha marcado jantar com a karen. Conhecemos a Zoe, uma holandês Barmaid em AMS muito cool. Falámos muito da droga que alucina os turistas no Laos: os cogumelos mágicos. Temos uma opinião consensual embora elas já tivessem experimentado e eu não.
26 de Outubro de 2011 – Luang Prabang (LAOS) – Pakbang (LAOS)
8h da manhã e entramos num dos vários barcos típicos que fazem o Mekong nos seus muitos kms e 6 países. Tem cerca de 30 mts de comprimento e uns meros 3mts de largura, em madeira clara e tecto baixo, sem vidros nas janelas, ficamos sentados muito junto à água. Adoro. Comecei a subida de 2 dias pelos “mighty Mekong”.
8h a 10h de viagem por dia a um ritmo lento e num silêncio respeitoso pela paisagem ludibriante que as suas margens nos mostram. Paisagem e vida. Animais (búfalos e cabras), crianças, alguns, poucos, adultos (que onde a selva é menos intensa se dedicam a lavrar os terrenos), vão surgindo ocasionalmente daquela selva magnífica e fazem as suas vidas à beira-rio. Não imaginei que pudesse haver areia tão branca nas margens de um rio…e olhando para os meninos que rebolam pelas mini-dunas abaixo em direcção à água lembro-me de como é bom ser criança :).
Sinto-me “overwelmed”, rendida.
Parámos numa gruta usada como templo budista cheia de amuletos e mini estátuas do buda e uma luz dourada do sol a reflectir no rio e nas paredes deste lugar sagrado para os asiáticos.
Antes de entrar a bordo, ainda em Luang Prabang, tinha encontrado uns miúdos espanhóis que conheci na noite anterior. Estavam ainda de garrafas na mão e curtiam a sua embriaguez. Não entendo como se desperdiça uma vivência do Laos em troca de copos. Nunca irei entender.
Todos os dias conheço pessoas de todos os cantos do Mundo e vejo novas visões da vida. É bom.
Paramos em Pakbang para comer e dormir. Uma terra de meia dúzia de casinhas convertidas em hostels e restaurantes que sobe uma vereda na montanha...literalmente no meio da selva e à beira-rio. Constato que a electricidade tinha chegado há pouco tempo a Pakbang e que até então a terra usava geradores e tinha horas de blackouts gerais. Agora já conseguiam ter uns bares com música para entreter os mochileiros de passagem e melhor que tudo: frigoríficos! :) pézinho de dança e toca a dormir que a manhã seguinte vislumbra-se muito cedo!
27 de Outubro de 2011 – Pakbang (LAOS) – Huay Xai (TAILÂNDIA)
Saímos da aldeia às 06h30 da matina no meio de um nevoeiro místico à volta das montanhas circundantes. Um cenário belíssimo para começar o dia!
São mais 9h até à fronteira com a Tailândia.
Esta beleza quase que dói à vista. O verde tropical dos montes, a areia branca, a vida nas margens.
Almoço a bordo e pequena paragem numa aldeola onde as crianças nos invadiram o barco.
Continuo a minha leitura que me têm irremediavelmente ligado ainda mais a estes povos: “First They Killed My Father” (Loung Ung)…uma filha do Cambodja relembra a sua infância de terror e tortura pelo Regime dos Khmer Rouge. Uma realidade brutal a apenas 40 anos de distância. Ando muito sensível à história cruel e dura destes países. Sinto a dor deles, revolto-me contra o próprio Homem. Sou limitada pela minha existência de criança feliz e gostava de acreditar que este horror seria inconcebível. Mas não é. Não foi. Existiu.
Não sei onde vou dormir amanhã nem nos dias seguintes, não sei para onde vou rumar a seguir. [Em todos os sentidos].
Chegamos a Huay Xai após as formalidades de fronteira que nos obrigaram a ir primeiro a terra na margem norte dar a nossa saída do Laos e apanhar um micro-barco-jangada-atolhado-de-malas para dar entrada na Tailândia. SAWASDEE KA!!!!
Huay Xai Uma simples terra de fronteira com muito comércio e alguns hostels à beira-rio. Caótica e sem grande interesse.
Factos da Tailândia:
513.115 kms2 . 65,4 milhões de habitantes, maioritariamente budista. GMT+6. Capital – Bangkok (8,16 Milhões habitantes)
1€= 42 THB (Bath)
28 de Outubro de 2011 – Huay Xai (TAILÂNDIA) – CHIANG RAI (TAILÂNDIA) – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Saímos de madrugada da aldeia fronteiriça em direcção a Chiang Mai, não sem antes pararmos na região de Chiang Rai para visitar uma plantação de cajus e o famoso Wat Rong Khun – o templo branco, futurista, da autoria de um jovem arquitecto budista desejoso de contribuir para uma nova perspectiva dos templos budistas…and a weird one I must say…mas sem dúvida vale a pena ouvir um guia na explicação do caminho até ao Nirvana (sobretudo porque sem essa explicação apenas vemos mãos espetadas no chão como um purgatório, paredes com cenas desenhadas do cinema norte-americano contemporâneo e outros elementos surrealistas…envoltos num templo de puro branco).
Chegámos ao nosso destino ao final do dia. Fizemos um jantar de despedida dos canadianos e das australianas num mercado de peixe óptimo e fomos todos beber umas Chang ao pé do night market.
Chiang Mai continua a ser uma cidade cheia de vida e da qual gosto muito. Apesar de já ser uma segunda visita a esta terra decido ficar os meus restantes dias por lá e visitar algumas zonas à volta que não conhecia ainda.
A Karen decidiu ficar comigo também e passámos o dia a procurar um hostel simpático e com piscina para podermos descansar, matar o calor e acabar a nossa longa trip em zen.
29 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Chiang Mai Eco Resort – um hostel muito sui generis com jardins enormes etiquetados, mini-ginásio, mega piscina e restaurante eco-integrado. GIRO e ultra confortável. Um pouco mais caro que os outros hostels mas mesmo assim, ficou em 9€ por pessoa/noite em quarto duplo, com pequeno-almoço incluído. E parecia um hotel 4*!
Passámos um dia ultra-relax entre piscina e passeio na cidade com jantarinho divinal num jardim dentro das muralhas da zona antiga. Depois de 17 dias sem parar um dia destes sabe mesmo bem para devolver ao corpo alguma energia.
Conhecemos umas raparigas – americana (Matty), francesa (Laeticia) e brasileira (Lígia) –que estavam na cidade a tirar cursos de massagem profissionais. Não há dúvida que a Tailândia é o topo neste campo e a conversa abriu-me o apetite para eu própria lá voltar para fazer um curso. Sunshine Massage School! A Matty é uma figura incrível de uma miúda cheia de vida e energia. Love&Compassion.
E penso que a vida me abre tantas portas e eu ando a insistir em abrir a única janela fechada. Acho que no fundo sou capaz de tudo desde que tenha amor. Tenho dificuldade em aceitar que estou de novo sozinha, sem alguém que olhe por mim, e o passado recente ainda me custa a ultrapassar.
A Karen já dorme há horas e eu perco-me na conversa com estas miúdas que se espelham tão seguras e tranquilas quanto às suas decisões de vida que fico a pensar se serei apenas eu que tem tantas dúvidas!
30 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – DOI SAKET (TAILÂNDIA)– CHIANG MAI (TAILÂNDIA)
Os acontecimentos fluem na nossa vida sem esforço, naturalmente, e fui parar à Fundação Asia’s Hope: um orfanato com sede a 2h de Chiang Mai e que apoia cerca de 200 meninos e meninas de várias idades e de 4 etnias (Hmong, Karen, Ak, L – não assentei os nomes completos destas últimas duas).
A Fundação é gerida pelo Mike e a Debbie, 2 extraordinários anciães norte-americanos que vivem e apoiam crianças tailandesas há mais de 10 anos. Somos 5 convidados especiais para a sua missa de domingo onde reúnem todas as crianças das diferentes casas ao redor da Sede. O Mike apresenta-nos um-a-um e as crianças depois da missa cantaram em grupos para os presentes e vieram brincar connosco no final e mostrar os seus dormitórios.
Estou emocionada. Sinto-me egoísta, por não ser capaz de me libertar dos meus problemas mundanos e mesquinhos e dar mais apoio a causas desta natureza, realmente importantes.
Love & Compassion outra vez.Desde a conversa de ontem com a Matty que estas 2 palavras parecem significar todo o essencial da nossa vivência.
O grupo dos 5 integrava, para além de mim e da Karen, 2 americanas (uma delas tinha aberto uma Asia’s Hope no Cambodja havia já 2 anos e estava a dar formação local a professores para poderem dar continuidade ao ensino escolar dentro do orfanato) e 1 jornalista Australiano – o Scott – que ia para mais uma das suas missões perigosas na Birmânia, onde se infiltrava com a ajuda dos rebeldes locais, para poder documentar a opressão que o povo de Myanmar ainda vive.
Que faço eu neste mundo de relevante?
…
Depois do orfanato a aventura continuou e fomos as duas ao Tiger World, a norte de Chiang Mai. Foi um espanto. Apesar dos coitados dos tigres estarem o dia inteiro rodeados de turistas, amei. Os bebés tinham 2-3 meses e podíamos enroscar-nos neles, dar beijinhos, tocar-lhes ainda mais que a um gato normal. Os “grandes” impunham outro respeito, mas não tive medo, foi mesmo espectacular! O maior tinha 22 meses e ainda “só” 160kgs, mas segundo o tratador, iria chegar aos 250kgs. Coisa pouca. OMB!!! (Oh My Buda).
De noite fomos ao outro night Bazar regatear mais souvenirs e jantar, como sempre, lindamente. O último jantar na Ásia nos próximos tempos.
31 de Outubro de 2011 – CHIANG MAI – BANGKOK – LONDRES – LISBOA
Último dia. Piscina. Despedida da Karen que seguiu para o outro lado do Mundo. É estranho as inúmeras vezes em que percorro kms, partilho vivências, gostos, dúvidas, medos, felicidades com pessoas que entram e saem aleatoriamente da minha vida. A Karen esteve 17 dos meus 20 dias pela SEA quase sempre comigo e agora segue o seu rumo e eu o meu. Pontos opostos no globo. 180º. A maioria das vezes não volto mais a ver estas pessoas e contudo, elas tiveram um papel tão importante nestas minhas caminhadas pelo Mundo.
Vou fazer um passeio pela cidade e tenho o meu já histórico acidente de percurso…caí num bueiro da estrada e fiquei com a perna enfiada num buraco de esgoto seco até à cintura. Além de me ter doído imenso e ter ficado com a lombar magoada, fiquei com uns belos cortes que tive de rapidamente desinfectar numa parafarmácia “a la asiática” onde consegui apenas explicar “ALCOOL” e gritei como uma maluca com o líquido nas pernas com uma família de thais a olharem para mim surpreendidos com a turista doida. :P
Passado umas horas escrevi: “estou agora na porta de embarque já em Bangkok para voar para Londres e depois Lisboa. Estou muito cansada mas esta viagem foi brutal. Fiz de tudo, vi de tudo. Só não consegui ainda mudar o meu mindset. Volto, contudo, mais certa de que tenho de mudar. Em tudo. A começar por mim.” …
“estou a chegar a Londres. Quero ir para casa mas não sei como me vou sentir. É tão difícil viver sozinha em Portugal e ser feliz. Estão sempre a cobrar-me um estatuto. Toda a sociedade é estabelecida com base em casais, filhos, obrigações. Na Ásia tudo é tão simples. Ninguém tem de provar nada. Estar sozinha é fácil, não dói, não nos sentimos desajustados…há uma multidão como nós. Toda a gente se junta e separa conforme os seus objectivos diários das suas viagens individuais. Não há muitas perguntas. Não há exigências. Todos os dias são 100% preenchidos, a vida é vivida ao minuto, sabai. O regresso a casa é agora uma confusão de sentimentos...quero estar com a minha família e amigos mas ainda não me sinto preparada para tudo o resto.
Aos 34 anos continuo num limbo, no trabalho vamos novamente ter cortes e despedimentos e eu estou cansada de não aplicar quase nenhuma das minhas competências e depender sempre das vontades dos administradores. Na vida pessoal não consigo deixar o meu passado nem andar para a frente. Estou num beco sem saída e não sei o que aí vem. MAS…para tudo na vida há uma solução.
Love & compassion.
Foi o que aprendi com esta viagem."
S
ps- esta crónica foi escrita entre Out. e Nov. de 2011, vários acontecimentos decorreram depois e dei de facto uma volta de 180º ao rumo da minha vida. Certo, agora, só as minhas viagens...
segunda-feira, janeiro 16, 2012
Em breve...
Tenho de voltar à escrita, este meu T0 está desactualizado e o bichinho da escrita anda a rondar outra vez!
Em viagens, depois de Agosto, já tive uma mega aventura pela Ásia (Vietnamen, Laos e Thai) e uma ida curtinha à neve, aqui ao lado aos nuestros hermanos.
No horizonte já vejo a cidade maravilhos cheia de encantos mil a acenar do seu Cristo Rei....muito em breve!!!
Tenho as notas todas nos meus caderninhos, mas os altos e baixos dos meus últimos meses tiraram-me alguma disponibilidade mental para a escrita, mas prometo voltar em BREVE!
:):)
S
so many ways
Em viagens, depois de Agosto, já tive uma mega aventura pela Ásia (Vietnamen, Laos e Thai) e uma ida curtinha à neve, aqui ao lado aos nuestros hermanos.
No horizonte já vejo a cidade maravilhos cheia de encantos mil a acenar do seu Cristo Rei....muito em breve!!!
Tenho as notas todas nos meus caderninhos, mas os altos e baixos dos meus últimos meses tiraram-me alguma disponibilidade mental para a escrita, mas prometo voltar em BREVE!
:):)
S
so many ways
quarta-feira, agosto 03, 2011
Impressões - PT
Depois da Síria andei uns tempos por cá, com o pretexto de mostrar ao Francesco algumas zonas lindíssimas de Portugal, fui reconhecer tantas e tantas aldeias, encostas, praias desertas, sabores puros, que há anos não revivia.
Estivemos pela magnífica península de Tróia, onde em Fev. fiz o meu primeiro dia de praia do ano! Descemos a costa alentejana devagar, falésia a falésia, até dobrar a costa vicentina. Percorremos o interior, alentejano também, descendo pelo seu outro lado: junto ao Guadiana.
Subimos ao Baleal, dormimos na praia, e fomos ao Algarve, de Tavira a Sagres!
ok, sem parar muito no meio onde estão alguns horrores desta modernidade sem escrúpulos que autorizou construção desenfreada em troca de prestígio e dinheiro, ignorando o crime que, para mim, ela representa).
Sempre parando e aproveitando cada lugar, e eu pensando que às vezes procuramos lá fora aquilo que temos cá dentro. Portugal é belíssimo.
S
Estivemos pela magnífica península de Tróia, onde em Fev. fiz o meu primeiro dia de praia do ano! Descemos a costa alentejana devagar, falésia a falésia, até dobrar a costa vicentina. Percorremos o interior, alentejano também, descendo pelo seu outro lado: junto ao Guadiana.
Subimos ao Baleal, dormimos na praia, e fomos ao Algarve, de Tavira a Sagres!
ok, sem parar muito no meio onde estão alguns horrores desta modernidade sem escrúpulos que autorizou construção desenfreada em troca de prestígio e dinheiro, ignorando o crime que, para mim, ela representa).
Sempre parando e aproveitando cada lugar, e eu pensando que às vezes procuramos lá fora aquilo que temos cá dentro. Portugal é belíssimo.
S
Maria Domingas: vamos por o papo para o ar na República?
E assim foi…uma semana de férias, não uma “viagem” no meu conceito, mas uma excelente semana bem passada numa praia maravilhosa, com uma amiga genial e bem-disposta, incluindo caminhadas matinais à beira-mar, passeios de cross-kart no meio da lama, danças na praia e algum álcool (moderado).
Gostei muito my dear friend, espero ter mais oportunidades de viajar contigo, és o espírito do “alinhanço” em versão tia, muitooooo cool!!! ..onde foram estes dias? na República Dominicana :)
S
Gostei muito my dear friend, espero ter mais oportunidades de viajar contigo, és o espírito do “alinhanço” em versão tia, muitooooo cool!!! ..onde foram estes dias? na República Dominicana :)
S
Síria – uma visita marcante e um regresso a 4 dias do “Dia da Ira”
Em Fev. 2011 fui à Síria. O Médio Oriente ainda é uma zona bastante desconhecida para mim e a oportunidade de aprofundar um pouco o conhecimento sobre as regiões-berço da civilização deixaram-me em êxtase e cheia de vontade de ir.
Começámos por Damasco, cidade estranha, suja, pobre, sem qualquer sentido de organização urbana nem conservação do património histórico. O Museu Nacional é interessantíssimo mas desorganizado, com milhares de estátuas por classificar e ordenar… as ruas da zona antiga são o ponto alto e sem dúvida a melhor parte de Damascus, tipicamente árabes, estreitas, com comércio, restaurantes e bares giros (onde se vê apenas homens sírios ou turistas).
Ainda na zona antiga, a mesquita principal (Omeya) é sem dúvida belíssima…aliás, à parte da Mesquita Azul, em Istambul, esta é a mais bonita que visitei até hoje.
A montanha que envolve a cidade, de terra cinzenta, está pejada de favela, numa extensão imensa, misturada com muito betão por acabar de construir e uma névoa permanente. É um cenário estranho imaginar que a poucos kms dali se encontra o monte Goulão, onde de um lado temos esta miséria Síria e do outro uma paisagem verdejante e bem aproveitada em cultivo pelo eterno inimigo, Israel.
Desde logo entendemos a pobreza deste povo. Desde logo se sente a diferença de ser mulher em terras muçulmanas. O povo foi extremamente correcto e amigável, nunca nos fazendo sentir em momento algum que nos consideravam inferiores. Dos vários países muçulmanos que já visitei, este foi sem dúvida o que tem mais mulheres tapadas até aos olhos, de preto de ponta-a-ponta…eu diria que são mesmo raras as excepções… que se por um lado intimidam, por outro reflectem a profunda influência do Islão.
Rumámos 210 kms norte em direcção ao deserto e à famosa cidade de Palmyra, outrora limite do império romano, destruída pelo mesmo num acto de pura demonstração do seu poder e das consequências que sofriam quem não o respeitasse e obedecesse…Palmyra é uma imagem do que foi…e foi estrondosa.
Para mim foi o lugar mais incrível da Síria, ali mesmo a poucos kms do Iraque (100km), no meio do deserto, rodeada de nada, apenas um palmeiral que lhe justificou o nome. Imponente, majestosa. O pôr-do-sol sobre as ruínas é um momento emocionante, daqueles em que ficamos longos minutos sem pensar em nada…pura contemplação.
Seguiu-se Crac des Chevaliers (castelo-fortaleza da época dos cruzados), já bem mais perto da costa, mudança radical de paisagem, de organização urbana, de povo. Uma imponente construção, palco da eterna luta cristãos-muçulmanos, muito bem conservada.
Passámos então pela terra onde estão as noras mais antigas do mundo…Hama…e veêm-se miúdos pendurados naquelas relíquias a brincar, sem qualquer cuidado de conservação, de consciência de preservação desta património que é de todos. Mas as noras são enormes e impressionantes.
Já a chegar a Aleppo, considerada por muitos como a cidade mais antiga do mundo, existente há 10.000 anos, assistimos a uma mudança radical na paisagem e no desenvolvimento desta zona do país: finalmente há culturas agrícolas, exploração pecuária, lojas, alguma organização urbanística…Aleppo é uma cidade moderna para o país, a mais desenvolvida em que estive e a que mais próximo das nossas realidades está. É uma cidade fortificada, mas o seu maior interesse interior, para mim, é a sua cidadela, impressionantemente bem conservada e lindíssima.
Fizemos ainda uma visita nos seus arredores, ao enorme mosteiro de S. Simeon, um santo cristão turco que resolveu viver 39 anos no cimo de um pilar (há malucos para tudo de facto…) e escolheu um monte na Síria para erguer o seu mosteiro, com uma vista panorâmica a 360º, foi casa de muitos retiros.
A Síria foi um destino inesperado. O seu povo, que desde então sofre um genocídio por parte do seu rei-líder imposto, deseja apenas um destino melhor. E tal como todos nós, merece-o. Por enquanto vivem subjugados numa mentira política mas acredito que, pela vontade e bondade que vi neles, o futuro só poderá ser melhor. O Mundo é que não se pode esquecer deste país, parente-pobre sem petróleo mas com pessoas, humanas, iguais a todas as outras, que só querem viver em dignidade.
أفضل أيام
(Até melhores dias)
S
Começámos por Damasco, cidade estranha, suja, pobre, sem qualquer sentido de organização urbana nem conservação do património histórico. O Museu Nacional é interessantíssimo mas desorganizado, com milhares de estátuas por classificar e ordenar… as ruas da zona antiga são o ponto alto e sem dúvida a melhor parte de Damascus, tipicamente árabes, estreitas, com comércio, restaurantes e bares giros (onde se vê apenas homens sírios ou turistas).
Ainda na zona antiga, a mesquita principal (Omeya) é sem dúvida belíssima…aliás, à parte da Mesquita Azul, em Istambul, esta é a mais bonita que visitei até hoje.
A montanha que envolve a cidade, de terra cinzenta, está pejada de favela, numa extensão imensa, misturada com muito betão por acabar de construir e uma névoa permanente. É um cenário estranho imaginar que a poucos kms dali se encontra o monte Goulão, onde de um lado temos esta miséria Síria e do outro uma paisagem verdejante e bem aproveitada em cultivo pelo eterno inimigo, Israel.
Desde logo entendemos a pobreza deste povo. Desde logo se sente a diferença de ser mulher em terras muçulmanas. O povo foi extremamente correcto e amigável, nunca nos fazendo sentir em momento algum que nos consideravam inferiores. Dos vários países muçulmanos que já visitei, este foi sem dúvida o que tem mais mulheres tapadas até aos olhos, de preto de ponta-a-ponta…eu diria que são mesmo raras as excepções… que se por um lado intimidam, por outro reflectem a profunda influência do Islão.
Rumámos 210 kms norte em direcção ao deserto e à famosa cidade de Palmyra, outrora limite do império romano, destruída pelo mesmo num acto de pura demonstração do seu poder e das consequências que sofriam quem não o respeitasse e obedecesse…Palmyra é uma imagem do que foi…e foi estrondosa.
Para mim foi o lugar mais incrível da Síria, ali mesmo a poucos kms do Iraque (100km), no meio do deserto, rodeada de nada, apenas um palmeiral que lhe justificou o nome. Imponente, majestosa. O pôr-do-sol sobre as ruínas é um momento emocionante, daqueles em que ficamos longos minutos sem pensar em nada…pura contemplação.
Seguiu-se Crac des Chevaliers (castelo-fortaleza da época dos cruzados), já bem mais perto da costa, mudança radical de paisagem, de organização urbana, de povo. Uma imponente construção, palco da eterna luta cristãos-muçulmanos, muito bem conservada.
Passámos então pela terra onde estão as noras mais antigas do mundo…Hama…e veêm-se miúdos pendurados naquelas relíquias a brincar, sem qualquer cuidado de conservação, de consciência de preservação desta património que é de todos. Mas as noras são enormes e impressionantes.
Já a chegar a Aleppo, considerada por muitos como a cidade mais antiga do mundo, existente há 10.000 anos, assistimos a uma mudança radical na paisagem e no desenvolvimento desta zona do país: finalmente há culturas agrícolas, exploração pecuária, lojas, alguma organização urbanística…Aleppo é uma cidade moderna para o país, a mais desenvolvida em que estive e a que mais próximo das nossas realidades está. É uma cidade fortificada, mas o seu maior interesse interior, para mim, é a sua cidadela, impressionantemente bem conservada e lindíssima.
Fizemos ainda uma visita nos seus arredores, ao enorme mosteiro de S. Simeon, um santo cristão turco que resolveu viver 39 anos no cimo de um pilar (há malucos para tudo de facto…) e escolheu um monte na Síria para erguer o seu mosteiro, com uma vista panorâmica a 360º, foi casa de muitos retiros.
A Síria foi um destino inesperado. O seu povo, que desde então sofre um genocídio por parte do seu rei-líder imposto, deseja apenas um destino melhor. E tal como todos nós, merece-o. Por enquanto vivem subjugados numa mentira política mas acredito que, pela vontade e bondade que vi neles, o futuro só poderá ser melhor. O Mundo é que não se pode esquecer deste país, parente-pobre sem petróleo mas com pessoas, humanas, iguais a todas as outras, que só querem viver em dignidade.
أفضل أيام
(Até melhores dias)
S
terça-feira, agosto 02, 2011
Serra Nevada – the best snowmates ever! :)
Logo seguido ao regresso da quente Indonésia, a aventura de descer pistas brancas a velocidade máxima levaram-me a ir 4 dias até às SN, só p matar o bichinho! :P some things never change!
A destacar aqui que, nestes 4 dias de pura adrenalina, a melhor parte foi ter encontrado os best snowmates ever: João e Carlos! A grande “família” de Pegões juntou-se na neve e eles eram imensos e mt divertidos, mas a acompanhar a babe nos desvarios de pista estiveram este dois, agora grandes, amigos :). Obrigada. Foi absolutamente genial!
O Mike e a Maggy foram uma excelente companhia em fora-de-pista e não fosse ela se ter magoado logo no primeiro dia, teriam sido seguramente em pista também….para o ano Maggy, se tiveres coragem lá estaremos novamente!
Até Dezembro 2011!!!!
S
A destacar aqui que, nestes 4 dias de pura adrenalina, a melhor parte foi ter encontrado os best snowmates ever: João e Carlos! A grande “família” de Pegões juntou-se na neve e eles eram imensos e mt divertidos, mas a acompanhar a babe nos desvarios de pista estiveram este dois, agora grandes, amigos :). Obrigada. Foi absolutamente genial!
O Mike e a Maggy foram uma excelente companhia em fora-de-pista e não fosse ela se ter magoado logo no primeiro dia, teriam sido seguramente em pista também….para o ano Maggy, se tiveres coragem lá estaremos novamente!
Até Dezembro 2011!!!!
S
De regresso ao blog!!! INDONÉSIA :):)
1 ano…quase um ano sem escrever uma linha no meu blog sobre viagens…e tudo por causa do Facebook!...confesso que me enerva ter-me desleixado com a escrita do que me dá mais prazer: relatar as minhas viagens, os meus mundos dentro deste T0.
Voltei. Não vou conseguir actualizar todas as viagens que fiz neste ano. Mas vou registar os momentos e locais que mais me marcaram.
Em Outubro a Indonésia foi o destino eleito. A companhia, do best, composta por my dearest friend e já companheira de várias viagens, Nélia, mais a menina do Porto, Sónia e o babe, entre as suas angels, Charlie-Fernando.
Em Java passámos por Jacarta a caminho de Yogyacarta (lê-se “jojocarta” ou então “yogi”) e os seus arredores: o mítico e lindíssimo templo de Borobudur – o mais budista do mundo – e os templos de Prambanan, rodeados pelo muito activo vulcão Merapi.
Aqui devia registar o dia /noite twigh light zone que eu e o Fernando passámos, com sugestões de leões perdidos nas ruas do nosso hostel, milícias em ponto de armar uma Beirute ali na bang (mini ruela) mais zen da ilha, seguidas de letreiros na porta do novo quarto com imagens de ratazanas (ler era impossível) e um jantar com uma família de uns 30 indonésios a cantar em palco um karaoke para os únicos clientes no restaurante (leia-se, nós). Tudo isto precedido de uma massagem Javanesa, feita por 2 homens que nos levaram às lágrimas de tanta dor, mas que firmemente mantivemos em sofrimento calado e consentido até ao final.
De seguida, separando-me das girls (que foram a Sulawesi) e ficando apenas com o meu caríssimo amigo, buddy, I Wayan Nandi-Run-Forest-Run Ferreira, rumámos a Bali para a costa este, onde passámos o melhor momento das nossas férias (pelo menos para mim foi o highlight): fizemos o PADI de mergulho e percebemos que debaixo de água há locais ainda mais bonitos que fora dela. Foi deslumbrante. Uma sensação que não consigo encontrar palavras adequadas para descrever, apenas beleza pura.
Dias descontraídos entre mergulho com água a 28º e jolas e mais jolas em casa de estrangeiros que fomos conhecendo por lá.
Passada esta semana fomos ter com as girls ao ponto mais turístico: o sul de Bali. Não é brutal, mesmo nada…mt confusão, mt poluição, mt turista. Mas os passeios que fizemos depois pelo interior da ilha valeram bem a pena, com Ubud e arredores a fazerem jus à descrição que havida lido. O Kintamani (vulcão), mais a norte, também tem uma envolvente lindíssima e mereceu a visita.
Nesta semana tenho de salientar umas aulas de windsurf muitooooo loucas, um jantar + copos com uns austríacos porreiros e praia, comida e boa vida.
Passou-se assim uma semana mt animada e com pena, um regresso sem poder dar um saltinho às ilhas mais virgens ali ao redor. Next time!
Terima kasih (lê-se Trimagazin) e até a um regresso Indonésia.
S
Voltei. Não vou conseguir actualizar todas as viagens que fiz neste ano. Mas vou registar os momentos e locais que mais me marcaram.
Em Outubro a Indonésia foi o destino eleito. A companhia, do best, composta por my dearest friend e já companheira de várias viagens, Nélia, mais a menina do Porto, Sónia e o babe, entre as suas angels, Charlie-Fernando.
Em Java passámos por Jacarta a caminho de Yogyacarta (lê-se “jojocarta” ou então “yogi”) e os seus arredores: o mítico e lindíssimo templo de Borobudur – o mais budista do mundo – e os templos de Prambanan, rodeados pelo muito activo vulcão Merapi.
Aqui devia registar o dia /noite twigh light zone que eu e o Fernando passámos, com sugestões de leões perdidos nas ruas do nosso hostel, milícias em ponto de armar uma Beirute ali na bang (mini ruela) mais zen da ilha, seguidas de letreiros na porta do novo quarto com imagens de ratazanas (ler era impossível) e um jantar com uma família de uns 30 indonésios a cantar em palco um karaoke para os únicos clientes no restaurante (leia-se, nós). Tudo isto precedido de uma massagem Javanesa, feita por 2 homens que nos levaram às lágrimas de tanta dor, mas que firmemente mantivemos em sofrimento calado e consentido até ao final.
De seguida, separando-me das girls (que foram a Sulawesi) e ficando apenas com o meu caríssimo amigo, buddy, I Wayan Nandi-Run-Forest-Run Ferreira, rumámos a Bali para a costa este, onde passámos o melhor momento das nossas férias (pelo menos para mim foi o highlight): fizemos o PADI de mergulho e percebemos que debaixo de água há locais ainda mais bonitos que fora dela. Foi deslumbrante. Uma sensação que não consigo encontrar palavras adequadas para descrever, apenas beleza pura.
Dias descontraídos entre mergulho com água a 28º e jolas e mais jolas em casa de estrangeiros que fomos conhecendo por lá.
Passada esta semana fomos ter com as girls ao ponto mais turístico: o sul de Bali. Não é brutal, mesmo nada…mt confusão, mt poluição, mt turista. Mas os passeios que fizemos depois pelo interior da ilha valeram bem a pena, com Ubud e arredores a fazerem jus à descrição que havida lido. O Kintamani (vulcão), mais a norte, também tem uma envolvente lindíssima e mereceu a visita.
Nesta semana tenho de salientar umas aulas de windsurf muitooooo loucas, um jantar + copos com uns austríacos porreiros e praia, comida e boa vida.
Passou-se assim uma semana mt animada e com pena, um regresso sem poder dar um saltinho às ilhas mais virgens ali ao redor. Next time!
Terima kasih (lê-se Trimagazin) e até a um regresso Indonésia.
S
terça-feira, agosto 24, 2010
COSTA RICA = PURA VIDA

A expectativa era alta...e cumpriu-se!
Mais uma aventura que se adivinhava, um novo país, uma América central quente e descontraída, para fazer esquecer o frio e as intempéries da vida q por cá de vez em quando nos chegam.
1.000 kms, um país que se define em poucas palavras: VERDE, NATUREZA, MAR e PURA VIDA
...lá parti, desta vez com uma companhia muito especial, a minha amiga Marta, vinda de um planeta distante daquele p o qual íamos mas, mesmo assim, decidida a enfrentar os seus receios de bichos e acompanhar-me numa viagem tb ela muito especial.
1º dia...A Costa Rica por um canudo...o Panamá do outro lado da lente:
...e que surpresa incrível nos aconteceu :)
O avião não pode aterrar em San José.
Felizmente, porque era a única parte da trip q não me agradava: perder tempo numa cidadezinha desinteressante com tantooo p fazer à sua volta! e o universo assim nos ajudou: Fomos parar a Panamá City, um offshore magnífico, moderno, limpo, desenvolvido, com o seu famoso canal que permitiu ligar oceanos e agilizar a navegação em pelo menos uns 10 dias em relação ao percurso tradicional/natural.
Ainda no aeroporto conhecemos 3 rapazes do Porto que iam a caminho de uma despedida de solteiro e do mesmo local para p qual nós íamos partir no dia seguinte na CR: a costa sul do caribe.
Jantámos e fomos todos dar uma volta pela cidade, não sem antes provar que as mulheres tem muito melhor capacidade de negociação com taxistas panamianos que os homens, lol...acabámos a beber um copo no "casco antigo", por sinal lindíssimo e muito bem cuidado, cheio de bares e restaurantes fashion, música e uma enorme sensação de tranquilidade e felicidade.
No dia seguinte sobrevoámos o país, via-se perfeitamente o canal e a geografia montanhosa, cheia de selva e rios de enorme largura e comprimento, lamacentos a desaguar no caribe...passámos por Bocas Del Toro, um arquipélago lindíssimo e que deixou de "água na boca" para voltar.
Adorei o Panamá!
2º dia - COSTA RICA - Puerto Viejo de Talamanca - mergulho semi-nocturno no paraíso de Cocles!
A primeira viagem de jipe foi logo um sucesso...ah, aqui uma pequena nota sobre a nossa bomba da estrada: alugaram-nos provavelmente o único jipe verde-alface da Costa Rica, um Be-Go, que se portou bem à altura, reconhecido em qq lugar por onde passava! lol
A Marta foi a condutora de TT e eu a co-pilota, dadas as minhas skills para mapas e as dela para buracos :P
Ao contrário dos meninos, não alugámos um GPS, e diga-se: não nos perdemos nem uma vez nos cerca de 1.000 kms que percorremos deste magnífico país de selva e mar.
Do aeroporto de San José para Talamanca seguimos os meninos e foi logo uma viagem lindíssima pelo meio do parque natural de Braulio Carrillo, uma pequena visão do que iríamos ver durante os próximos 10 dias.
A estrada principal só tem uma faixa para cada lado e, como na CR não existem caminhos de ferro e toda a distribuição é feita por via rodoviária em enormes camiões pesadíssimos e lentíssimos, as ultrapassagens são difíceis e as viagens morosas...mas nem por isso menos interessantes: tudo à nossa volta é verde, cuidado, limpo, ecológico.
...chegámos a Puerto Viejo de Talamanca ao final do dia e seguimos directos para a praia de Cocles para um mergulho de final de dia, soube pela vida, uma praia de sonho, água quente: um momento de descontração que entrou pela noite dentro.
Festinha no spot lá do sítio, o “J”, que é um misto de bar-acampamento-concerto-relax ...
SAN JOSE – PUERTO VIEJO = 4h? (not sure anymore)
3º dia – playa Punta Uva + Cocles
A Marta foi a condutora de TT e eu a co-pilota, dadas as minhas skills para mapas e as dela para buracos :P
Ao contrário dos meninos, não alugámos um GPS, e diga-se: não nos perdemos nem uma vez nos cerca de 1.000 kms que percorremos deste magnífico país de selva e mar.
Do aeroporto de San José para Talamanca seguimos os meninos e foi logo uma viagem lindíssima pelo meio do parque natural de Braulio Carrillo, uma pequena visão do que iríamos ver durante os próximos 10 dias.
A estrada principal só tem uma faixa para cada lado e, como na CR não existem caminhos de ferro e toda a distribuição é feita por via rodoviária em enormes camiões pesadíssimos e lentíssimos, as ultrapassagens são difíceis e as viagens morosas...mas nem por isso menos interessantes: tudo à nossa volta é verde, cuidado, limpo, ecológico.
...chegámos a Puerto Viejo de Talamanca ao final do dia e seguimos directos para a praia de Cocles para um mergulho de final de dia, soube pela vida, uma praia de sonho, água quente: um momento de descontração que entrou pela noite dentro.
Festinha no spot lá do sítio, o “J”, que é um misto de bar-acampamento-concerto-relax ...
SAN JOSE – PUERTO VIEJO = 4h? (not sure anymore)
3º dia – playa Punta Uva + Cocles
1ª Praia paraíso...sem ondas (das poucas q estivemos sem surf) e uma extensão de coqueiros brutal.
Os novos amigos vieram ter connosco e passámos um belo dia as duas...com os 9!
De tarde voltámos para a praia de Cocles onde me estreei em GRANDE no bodyboard com o Xé e o Bernardo a disputarem ondas comigo (bom...não foi uma estreia, mas não entrava de prancha há uns bons 15 anos...). MUITO MUITO BOM...perdi noção das horas lá dentro.
Há noite fomos todos jantar a um restaurante mt giro, seguido de festinha reggae num bar e na praia. Cool mood este dos costa riquenhos!!!
Começou a chover o céu...raios e trovões e MUITA água ...bem tropical!
4º dia – Cocles – Arenal
De volta à estrada, seguimos viagem para o centro da Costa Rica, desta vez para visitar um dos vulcões ainda em actividade, onde supostamente se vê a lava à noite e o fumo a sair...
A viagem correu muito bem, com paisagens sempre a mudar mas sempre repleto de verde, again, e o sol sempre a acompanhar-nos ....chegámos ao vulcão ao final do dia. Não vimos lava nenhuma, infelizmente estava uma nuvem à volta do cume, pelo que demos a volta toda à montanha, e acabámos por decidir fazer um corte de uma noite com a lógica dos hostels e acomodar-nos num resort MAGNÍFICO cheio de piscinas termais em escada e a escaldar e selva “organizada”, aproveitámos para fazer um mini-trecking e apreciar o vulcão mais de perto. Muito bom.
PUERTO VIEJO DE TALAMANCA – ARENAL = 3h45
5º dia – Fortuna/ Arenal (lagoa) – Tilarán – Santa Helena/ Monteverde (Selva)
Depois de uma noite de puro descanso arrancámos para mais uma viagem de paisagens lindas à beira de uma enorme lagoa, a caminho de Monteverde: finalmente chegaríamos à SELVA.
O caminho é fantástico e mais uma vez, organizado, tratado, ecológico.
Parámos numa vila maior - Tilarán - para trocar dinheiro no banco e descansar 5 minutos. A viagem estava a ser muito rápida e não entendíamos porque é que nos tinham indicado que levaria 3h30 no total....ainda! :P
...acontece que os último 30 kms levaram...2 horas!! A estrada é a subir montanha, em terra, com buracos/crateras em que é impossível ira mais de 20/30km/h ...belo passeio, mas chegámos todas partidas !! :P
Decidimos ficar num hotelzinho simpático – o Hotel Sunsuet - de 1 só piso e uma vista linda, cujo dono era um alemão há 30 anos na CR ultra prestável, o Sr. Vitalis de Hannover, que prontamente nos tratou das entradas para os canopys e pontes suspensas...
...e em menos de 1h estávamos a caminho da sede da Selvatura: o local de onde se parte para a aventura das liambas no topo das árvores...ehehhee
Eu amei! Os canopys são uma espécie de slide mas entre árvores, onde a distância maior atinge 1 km de comprimento (dos q fizemos pelo menos, que foram 13) .
A Jane no meio das árvores só! não viu nenhum tarzan de jeito, lol, de resto foi muito, muito, muito girooooo
O final foi a cereja no topo do bolo: um bungee-jumping pelo meio das árvores, em pêndulo, que eu gritei a plenos pulmões e queria repetir eternamente!! Eos macacos nas árvores a assitir a tudo divertidísismos :P
Ehehehe
...a martinha não se aventurou, depois de ter considerado os canopys demasiado radicais :P
Pela minha parte: Recomendadíssimo!!!!
Jantar com as novas amigas Mandy e Dessina do Colorado e preparar a manhã seguinte para um passeio pelo meio das pontes suspensas…
ARENAL - MONTEVERDE = 3h30
6º dia - Santa Helena/ Monteverde (Selva) – Sta Teresa (costa do pacífico)
Na manhã seguinte voltámos à Selvatura, desta vez para um passeio muito menos radical, pelo meio da selva e das pontes suspenas....muito bonito mesmo, mas vimos poucos animais de grande porte...ouvem-se, mas não se veêm!
Arrancámos para Puntarenas para conseguirmos apanhar o barco das 13h para a costa do pacífico (há 6 por dia e as filas podem ser grandes...convém chegar um pouquinho antes)
Pelo caminho tivemos uma aventura pequeninaaaa...hihihi....íamos em excesso de velocidade, ultrapassagem em curva e com duplo contínuo...quando a polícia nos manda parar!!
xiiiiiiiiiiiiiii....pela tabela que nos mostrou, a conta ascendia aos 700 USD (+- 570€)...Não...não podíamos pagar...e decidimos subornar o sr guarda...que passado um bocadinho acabou por aceitar 20€ e nos deixar ir embora no meio de muitos sorrisos, lolololol
Mesmo assim, chegámos a Puntarenas cedinho, um local horroroso, porto de atracagem de navios, e como tal...um lugar onde se quer estar o menos tempo possível!
Chegámos ao barco finalmente e o passeio decorreu tranquilamente pela grande baía que nos leva à península de Nicoya.
Acabei o trajecto a falar com o Júlio, que viajava numa carrinha pão-de-forma com o Alex, ambos panamianos surfistas, que não viam um banho de água-doce há seguramente muitooooo tempo ! lol
Já do lado da península a paisagem volta a ser magnífica...não consigo parar de utilizar as mesmas palavras para descrever os locais pois eram todos lindos e todos verdes, todos !
Chegámos a Sta Teresa ao anoitecer...a tempo de procurar um hostel e descansar um pouco.
A praia é lindaaaaaaaaaaaa.....com muitas ondas, coqueiros até à beirinha, juncos, entradas de rios em todo o lado e iguanas! Lol
O Hostal Arenas foi o seleccionado, com piscina e 3 zonas distintas: uma com um edifício de apenas 1 piso e 2 quartos + wc e outra, do outro lado da piscina, com cozinha aberta e quartos em dorms, e um piso superior, também aberto, com uma sala mt gira de TV e leitura. A 3ª zona era a recepção e a casa da Barbara e do Mari...o casal novo dono do hostel.
Eu adorei e pela minha experiência em hostels, foi seguramente o melhor em que já fiquei!!!
A Marta não gostou porque tínhamos de dividir a nossa wc com o quarto do lado, mas mais porque no meio de tanta selva...há, evidentemente, osgas, e num momento em que abrimos a porta do quarto entrou 1 e foi um filme para a tirar de lá! LOL
O hostel era super limpinho e a empregada andava lá todos os dias a esfregar e limpar tudo à volta. Um luxo...parecia um mini-resort, na rua principal e em frente a uma “entrada” de mato que dá acesso ao caminho p a praia
Jantámos lindamente e fomos beber uma jola ao bar lá da terra.
Sta Teresa , apesar de ser também apenas uma gr estrada esburacada e com hostels, restaurantes, supermercados e um campo de futebol (é este ponto que distingue o “centro” de uma terra na CR...não percebemos bem porquê, porque na realidade, não há nenhum centro, em nenhum lado! Lol)...é a maior em que já tínhamos estado desde o ínicio da aventura na CR! :P
MONTEVERDE– STA TERESA =2h (? não me recordo mas não foi mais q 2h)
7º -9º dia – Sta Teresa
Ficámos a aproveitar a praia magnífica durante os dias que se seguiram., fizemos muitos amigos no hostel, sobretudo muito jovens mas com uma óptima onda.
No 8º dia, seguindo a indicação do Mari fomos até à Playa Hermosa, que eu considerei lindaaaaaaaaaaa....ainda mais que a de Sta Teresa...a Marta estava em dia não e não saiu do seu lugar ao sol...eu aproveitei para caminhar e aproveitar a beleza do local.
Depois aconteceu-nos o único percalço da viagem toda: veio uma onda e encharcou tudo…lá saímos da Playa Hermosa e voltámos à nossa linda Sta Teresa. :P
Às vezes o mundo isola-nos pelas razões certas…a baby Marta ficou sem telemovel! Mas sobreviveu, lol .
No último dia, e já com uma data de novos amigos e amigas (mais novinhos mas nem por isso menos interessantes e boa onda) prometemos dar boleia aos canadianos e seguir para Montezuma…uma aldeola perto (45 min, apenas por causa dos buracos) com uma rua mais animada. Jantámos com eles e fomos descansar o corpo num hotel melhorzinho, para acabar a viagem em beleza!
No 8º dia, seguindo a indicação do Mari fomos até à Playa Hermosa, que eu considerei lindaaaaaaaaaaa....ainda mais que a de Sta Teresa...a Marta estava em dia não e não saiu do seu lugar ao sol...eu aproveitei para caminhar e aproveitar a beleza do local.
Depois aconteceu-nos o único percalço da viagem toda: veio uma onda e encharcou tudo…lá saímos da Playa Hermosa e voltámos à nossa linda Sta Teresa. :P
Às vezes o mundo isola-nos pelas razões certas…a baby Marta ficou sem telemovel! Mas sobreviveu, lol .
No último dia, e já com uma data de novos amigos e amigas (mais novinhos mas nem por isso menos interessantes e boa onda) prometemos dar boleia aos canadianos e seguir para Montezuma…uma aldeola perto (45 min, apenas por causa dos buracos) com uma rua mais animada. Jantámos com eles e fomos descansar o corpo num hotel melhorzinho, para acabar a viagem em beleza!
10º dia – Montezuma – San José
Arrancámos cedinho para dar boleia a meio caminho aos míudos ingleses que nos esperavam algura em terra de ninguém, lol
Lá iniciámos o trajecto de regresso a San José, e eu cheíinha de pena de não ter continuado…
No regresso tenho de relatar um acontecimento que me fez pensar muito nas decisões que tenho tomado na vida…e em como às vezes parece mesmo que algumas coisas acontecem por uma razão:
No barco de Paqueras para Puntarenas resolvi sentar-me fora num canto a ler o meu livro, já quase no final, do Gonçalo Cadilhe ”Planisfério Pessoal”, onde relata a sua volta ao Mundo há uns 10 anos atrás.
No início do livro o Gonçalo conta como no Belize conheceu o Miguel, um rapaz louro, mt bronzeado, olhos verdes, da nossa idade, que era bancário e que um dia decidiu aprender a fazer bijuteria em prata e partir sem destino e sem bilhete de regresso para a América Central…
Estava eu compenentrada na minha leitura…quando um rapaz louro, mt bronzeado, olhos verdes, da nossa idade, agora com uma criança pequena ao lado, começa a falar comigo em português e me diz que há uns 10 anos atrás tinha conhecido o Gonçalo e q ficaram amigos. No início nem percebi logo a relação, não estava à espera, já tinha lido o livro quase todo e já estava longeeee do Belize…falámos imenso e ele contou-me em como tinha mudado a sua vida e vivia agora com a mulher na Costa Rica, felizes e contentes com a decisão tomada.
Só quando me despedi do Miguel (até lá não lhe tinha perguntado o nome) é que caí na real…e fiquei de boca-aberta…estava à minha frente a prova viva de
que é possível tomoar decisões tão radicais e ser-se feliz na mesma!
Vim feliz e em extâse para o jipe ter com os ingleses e a Marta, com a sensação que aquele encontro não foi casuístico…e se foi, em mim teve todo um significado.
Mais uma vez o Mundo a por-me à prova!
MONTEZUMA – SAN JOSE = +-2h30 a 3h
(contar com os horários dos barcos… nós fomos no primeiro da manhã, e demora cerca de 1h a travessia)
S, feliz
sábado, junho 19, 2010
COSTA RICA
>Costa Rica 2010 - quando sem querer em 2022 abres um draft e pensas que não terminaste uma crónica, escreves um resumo do que foi à 12 anos o resto da tua viagem e da tua memória...publicas e depois é que vês que afinal tinhas chegado a publicar a historia completa! Resolvi então deixar publicado o que escrevi em 2022 pois é uma visão com 12 anos de distãncia, aqui vai: :D
Houve aqui um corte de 12 anos até continuar este texto abaixo peo que ja não vou escrever por dias mas sim um resumo do que se passou nos dias seguintes e que terminaram num momento fundamental para a minha vida toda!
...os dias seguiram-se incríveis, ficámos em Arenal a dormir na encosta do vulcão com lava a saltitar para fora, escapámos de algumas multas de estrada com a habitual habilidade tuga de negociar :P, subimos à selva em Monteverde, onde demos asas à imaginação de sermos as Janes atrás do guia-tarzan enquanto descíamos pelos canopis (zip lines) que estavam no alto das arvores e no meio de uma beleza deslumbrante.... e voltámos à praia, desta vez selvagem na linda Playa de Sta Teresa,passando pelo ferry de Puntarenas - já do lado do mighty Oceano Pacífico - onde éramos as unicas no meio da natureza e de cenários brutais...com algum receio de que aparecesse um crocodilo. Nestes dias demos boleia a uns míudos israelitas e tivemos companhia nos jantares em Montezuma e algumas idas à praia.
No regresso tive um episódio que me marcou para sempre e que provavelmente direccionou as decisões da minha vida que se seguiram 2 anos depois em 2012: No barco de regresso para S Jose estava a ler um livro do Gonçalo Cadilhe sobre a sua Volta ao Mundo em 2007 e no início quando ele está no Belize conhece um ex-bancário português que decidiu mudar de vida e ir para a america do sul fazer bijuteria em prata e viver a vida que sonhava...3 anos mais tarde estava eu no barco a pensar na minha vida e no caminho que queria seguir - tendo muitas dúvidas de como é que seria o desfecho destas pessoas que desistem do certo pelo incerto - quando uma voz ao meu lado me fala em português "estás a gostar desse livro? sou amigo do Gonçalo!...era ele, o ex bancario - mas não me disse nada que era a personagem do livro - em vez disso falámos da vida dele na America central, da família que tinha criado (estava c um bebé), do negocio da bijuteria ...e o barco chegou e eu despedi-me a correr porque tínhamos de ir buscar o carro rapidamente - quando me fez o clique, caiu a ficha, o nome bateu certo, a história também (no livro eu ja estava muito à frente e esta historia tinha ficado no início, não foi imediato na minha cabeça que estava na presença da mm pessoa, e ele também não me disse. Voltei com a certeza que a Vida nos traz respostas obvias às nossas dúvidas, às vezes de forma tão descarada que é difícil ver. 2 anos mais tarde parti na minha Viagem, 90 dias pela SA"
sábado, maio 29, 2010
quarta-feira, março 24, 2010
ENCARA A MONTANHA
Miguel - o fã da educação de infância
Nuno -a Srª Goulão
Sofia - a Mégera
Susana - curvas e mais curvas: cansada? eu?
O que é preciso para ser feliz? Muito pouco!!! Basta juntares uma excelente companhia, uma pitada (gr) de neve fofa, muita palhaçada, alguns copos, jámon, setas y cañas ...
em 2 palavras: ”MUITA” BOM!
Quem acompanha a minha vida sabe que preciso sempre de sal e de aventura.
Queria MUITO, mas TANTO, ir passar uns dias à neve que decidi embarcar numa mini-trip com 2 míudos que nunca tinha visto na vida e uma amiga minha, que levei por arrasto :P
Eram apenas 4 dias, boa neve e adrenalina nas pistas, e pensei que a viagem se resumiria a isso, eles podiam ser (mais, ou menos) porreiros, mas o importante era ir esquiar.
Enganadíssima!
Não foram 4 dias de neve, foram umas férias do melhor!
Ganhei nomes carinhosos como Angélico, Michael Jordan, Obikuelo, Mike Tyson (bom, este auto-nomeado), Ticha Penicheiro, Nikita, e melhor de tudo, Mégera...mas já lá vamos! (ou não, acho q esta fica no domínio privado do grupo p não criar estigmas maiores sobre a minha pessoa, ahahahahaah)
O Nuno com o seu jeitinho de “eu não quero nada mas vamos fazer assim”, lá nos foi levando sempre na certa! Mas como a Certa era mt boa, nós...íamos sempre! Ehehehe.
O Miguel tornou-se o meu filho e o meu amigo sp em alerta, preocupado com a minha felicidade (lol, ok, não posso colocar a palavra q queria, pq ele já refilou) ...não sei bem como!
A Su já me conhece há anos mas não sabia no que se metia, e teve um choque de aturar 3 crianças durante 4 dias!
Tudo começou com 8h de viagem num jipe até Granada, q voaram sem música e com mt conversa. Pelo meio ficou um memorável jantar no Cobra algures no Alentejo e uns kms de estrada em q já assumíamos que íamos dormir no jipe c as bombas todas fechadas e o Miguel a insistir que estávamos no limite. Lá entrámos em Sevilha e resolvida a questão prego a fundo até ao Etap de Granada.
Chegámos à Sierra Nevada à hora de almoço e enqto o Nuno perdeu o papel de forfait dele e do Miguel (homens...sempre organizados, lol), eu e a Su conseguimos cravar uns à borla, e com a confusão fomos separados para as pistas, que chamavam loucamente, pelo menos por mim.
No final descemos umas juntos e aprés-ski connosco!
Os dias seguintes foram um mix de jantares até à 01h, copos, o melhor gaufre de chocolate do mundo, bailarico na Mango, muita, muita, muita e boa neve, e gr risada!
O regresso foi melhor ainda, parámos imensas vezes mas chegámos no mesmo tempo, e ainda fomos a Elvas para gr jantarada e assistir à fantástica vitória do Glorioso!
De salientar que criámos uma lista de quotes que marcaram cada momento:
"Encara a montanha" – uma lição de vida, LOL
Obikwelu /Ticha Penicheiro /Mike Tyson /Heidi /Méjera / A minha (futura) sogra / a teoria do iô-iô / a teoria do nabo/ No Alentejo, “Desculpe, sabe-ne dizer de um restaurante aqui perto?" "Yo no soy daqui!" / PLANO A, B, C, D....what???
E bate!
Thanks, foram uns dias do melhor!
S...e agora: RIO??? Naquel feriado do 26? LOLOLOL (private)
Ps – em memória: o pequeno-almoço de domingo!
Quem acompanha a minha vida sabe que preciso sempre de sal e de aventura.
Queria MUITO, mas TANTO, ir passar uns dias à neve que decidi embarcar numa mini-trip com 2 míudos que nunca tinha visto na vida e uma amiga minha, que levei por arrasto :P
Eram apenas 4 dias, boa neve e adrenalina nas pistas, e pensei que a viagem se resumiria a isso, eles podiam ser (mais, ou menos) porreiros, mas o importante era ir esquiar.
Enganadíssima!
Não foram 4 dias de neve, foram umas férias do melhor!
Ganhei nomes carinhosos como Angélico, Michael Jordan, Obikuelo, Mike Tyson (bom, este auto-nomeado), Ticha Penicheiro, Nikita, e melhor de tudo, Mégera...mas já lá vamos! (ou não, acho q esta fica no domínio privado do grupo p não criar estigmas maiores sobre a minha pessoa, ahahahahaah)
O Nuno com o seu jeitinho de “eu não quero nada mas vamos fazer assim”, lá nos foi levando sempre na certa! Mas como a Certa era mt boa, nós...íamos sempre! Ehehehe.
O Miguel tornou-se o meu filho e o meu amigo sp em alerta, preocupado com a minha felicidade (lol, ok, não posso colocar a palavra q queria, pq ele já refilou) ...não sei bem como!
A Su já me conhece há anos mas não sabia no que se metia, e teve um choque de aturar 3 crianças durante 4 dias!
Tudo começou com 8h de viagem num jipe até Granada, q voaram sem música e com mt conversa. Pelo meio ficou um memorável jantar no Cobra algures no Alentejo e uns kms de estrada em q já assumíamos que íamos dormir no jipe c as bombas todas fechadas e o Miguel a insistir que estávamos no limite. Lá entrámos em Sevilha e resolvida a questão prego a fundo até ao Etap de Granada.
Chegámos à Sierra Nevada à hora de almoço e enqto o Nuno perdeu o papel de forfait dele e do Miguel (homens...sempre organizados, lol), eu e a Su conseguimos cravar uns à borla, e com a confusão fomos separados para as pistas, que chamavam loucamente, pelo menos por mim.
No final descemos umas juntos e aprés-ski connosco!
Os dias seguintes foram um mix de jantares até à 01h, copos, o melhor gaufre de chocolate do mundo, bailarico na Mango, muita, muita, muita e boa neve, e gr risada!
O regresso foi melhor ainda, parámos imensas vezes mas chegámos no mesmo tempo, e ainda fomos a Elvas para gr jantarada e assistir à fantástica vitória do Glorioso!
De salientar que criámos uma lista de quotes que marcaram cada momento:
"Encara a montanha" – uma lição de vida, LOL
Obikwelu /Ticha Penicheiro /Mike Tyson /Heidi /Méjera / A minha (futura) sogra / a teoria do iô-iô / a teoria do nabo/ No Alentejo, “Desculpe, sabe-ne dizer de um restaurante aqui perto?" "Yo no soy daqui!" / PLANO A, B, C, D....what???
e a melhor "No fim bate sempre tudo certo!"
E bate!
Thanks, foram uns dias do melhor!
S...e agora: RIO??? Naquel feriado do 26? LOLOLOL (private)
Ps – em memória: o pequeno-almoço de domingo!
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Cuba, Mi Amol
Dia 02 de Janeiro começa a ser um marco na minha vida...há 2 anos que decidi que não há melhor maneira de começar o ano a não ser...na praia!
:)
O fim-de-ano adivinhava-se aborrecido...e eis que na véspera de Natal tomo uma decisão apressada mas já mt característica da minha pessoa: vou p Cuba!
E assim foi, Miss Verinha, a xuxu semi-espanhola após 2 segundos e meio de indecisão aderiu fervosamento ao projecto e partimos as 2 em busca de calor, rum, salsa, fidel, Che, revolução e muitooooooooo sabai (ou Dolce Fare Niente, lol).
Não sei bem o que esperava de Cuba, sabia há muitos anos que queria vê-la assim, ainda comunista, mas chocou-me. O Bem-Comum é um ideal muito bonito, o acesso à educação, cultura e saúde é de facto uma conquista excepcional, mas a falta de livre-arbítrio é difícil de aceitar para quem nasceu em democracias.
A pobreza, a inexistência de tudo e mais alguma coisa, a “prisão” intelectual a que são obrigados a viver, revoltam-me e essa indignação supera a minha benevolência para com os senhores comunistas que definem os caminhos do seu rebanho.
O povo cubano é amável, educado, culto, não é submisso nem subserviente, mas antes diligente e atencioso, mantendo a sua postura.
Defendem a sua revolução com unhas e dentes, mas entre frases perdidas sentimos a sua tristeza quando lhes perguntamos se não sentem que é injusto o resto do mundo entrar em Cuba com tudo e eles ali..sem nada, nem a autorização para sairem daquela ilha....e tendo que recorrer a um mercado paralelo para conseguir um sabonete, uma pasta de dentes extra...um mimo que a sua caderneta de víveres não lhe atribui.
Complicado é perceber que um médico prefere vender sanduiches ou conduzir um taxi que exercer a sua profissão para o estado...onde ganha de tabela 60€ mensais!
Complicado é reclamarmos porque a comida não é diversificada, quando nós temos acessa a 90% de produtos que eles não têm, na sua própria ilha!...
E, como sempre, nada se fala das crueldades que também estes comunistas cometeram em prol da sua ideologia, matando impiedosamente os antigos apoiantes do Baptista...é aqui que me deparo com a questão: o que é que os distingue nesta matança?
E muito muito mais há para falar deste comunismo à beira da ruptura...e no que se irá tornar em breve. Na minha opinião, poderão acontecer uma de 2 situações: ou os cubanos, que são altamente competentes e cultos, se transformam numa mega comunidade produtiva e de sucesso quando tiverem acesso ao capital para investir, ou se perdem nas mãos americanas e na cultura de quantidade dos EUA, sem capacidade de resposta face a um mundo que se move a uma velocidade estonteante em comparação à deles.
Uma coisa é certa: a sua cultura nunca mais será a mesma.
Entrando em maior detalhe na viagem, não sendo o que tinha sonhado com a minha ida ao país de Che e Fidel, em que me perderia pelos caminhos e terras, entrando no povo e no seu dia-a-dia, chegando a cayos sem turismo....lá fui num “pacote” (credo, até esta palavra me assusta) Havana + Varadero...
Havana palmilhámos ao pormenor, caminhando durante dezenas de kilometros dos bairros mais turísticos aos menos conhecidos, e o seu espírito é de facto incrível. Só faltou mesmo o calorzinho, pq apanhámos uma frente fria e não tava verão no seu melhor, mas enfim...
Praça da Revolução (sem ser permitido atravessar do centro para os passeios laterais, e com guardas armados em todo o lado), Passeio do Prado, ex-Capitólio, Igreja de S Francisco, Catedral, Forte, ruas típicas, La Floridita, La Bodeguita del Medio, Hotel Ambos os Mundo e muito, muito Hemingway....lá fomos provando as delícias do Rum nos seus vários formatos: Run Collins, Mojito, Daiquiri, etc etc... :):):)
Depois seguimos para as praias de areia branca, farinha, e agua azul turquesa, tão clara e transparente que nos imaginámos num postal. O tempo começou a melhorar e sempre que havia um raio de sol mais durador parávamos as actividades (tennis, caminhadas, copos, etc) e ficávamos esponjadas ao sol na praia. Ok, ainda fiz corrida matinal na areia e fomos passear à vela num Hobbie cat mt porreiro.
Mas Varadero é outra realidade, é turismo em barda, é exploração, é outro feeling...não deixando de ter uma praia fabulosa, ainda teria muito que alterar se não quiser enverdar ainda mais pelo turismo de massa que já é e converter-se num turismo de qualidade.
Mas foram umas férias muito muito boas, sobretudo pela companhia da minha querida xuxu Verinha que alinha em todas a minhas loucuras, talvez por ela ser igual em versão xanax.
Hasta la Revolución?
S
ps- entretanto já em Portugal fui ver uma exposição do Korda, célebre fotografo do El Comandante, que tirou a famosa foto do Che que hoje circula por todo o mundo como símbolo de revolução. Muito gira!
:)
O fim-de-ano adivinhava-se aborrecido...e eis que na véspera de Natal tomo uma decisão apressada mas já mt característica da minha pessoa: vou p Cuba!
E assim foi, Miss Verinha, a xuxu semi-espanhola após 2 segundos e meio de indecisão aderiu fervosamento ao projecto e partimos as 2 em busca de calor, rum, salsa, fidel, Che, revolução e muitooooooooo sabai (ou Dolce Fare Niente, lol).
Não sei bem o que esperava de Cuba, sabia há muitos anos que queria vê-la assim, ainda comunista, mas chocou-me. O Bem-Comum é um ideal muito bonito, o acesso à educação, cultura e saúde é de facto uma conquista excepcional, mas a falta de livre-arbítrio é difícil de aceitar para quem nasceu em democracias.
A pobreza, a inexistência de tudo e mais alguma coisa, a “prisão” intelectual a que são obrigados a viver, revoltam-me e essa indignação supera a minha benevolência para com os senhores comunistas que definem os caminhos do seu rebanho.
O povo cubano é amável, educado, culto, não é submisso nem subserviente, mas antes diligente e atencioso, mantendo a sua postura.
Defendem a sua revolução com unhas e dentes, mas entre frases perdidas sentimos a sua tristeza quando lhes perguntamos se não sentem que é injusto o resto do mundo entrar em Cuba com tudo e eles ali..sem nada, nem a autorização para sairem daquela ilha....e tendo que recorrer a um mercado paralelo para conseguir um sabonete, uma pasta de dentes extra...um mimo que a sua caderneta de víveres não lhe atribui.
Complicado é perceber que um médico prefere vender sanduiches ou conduzir um taxi que exercer a sua profissão para o estado...onde ganha de tabela 60€ mensais!
Complicado é reclamarmos porque a comida não é diversificada, quando nós temos acessa a 90% de produtos que eles não têm, na sua própria ilha!...
E, como sempre, nada se fala das crueldades que também estes comunistas cometeram em prol da sua ideologia, matando impiedosamente os antigos apoiantes do Baptista...é aqui que me deparo com a questão: o que é que os distingue nesta matança?
E muito muito mais há para falar deste comunismo à beira da ruptura...e no que se irá tornar em breve. Na minha opinião, poderão acontecer uma de 2 situações: ou os cubanos, que são altamente competentes e cultos, se transformam numa mega comunidade produtiva e de sucesso quando tiverem acesso ao capital para investir, ou se perdem nas mãos americanas e na cultura de quantidade dos EUA, sem capacidade de resposta face a um mundo que se move a uma velocidade estonteante em comparação à deles.
Uma coisa é certa: a sua cultura nunca mais será a mesma.
Entrando em maior detalhe na viagem, não sendo o que tinha sonhado com a minha ida ao país de Che e Fidel, em que me perderia pelos caminhos e terras, entrando no povo e no seu dia-a-dia, chegando a cayos sem turismo....lá fui num “pacote” (credo, até esta palavra me assusta) Havana + Varadero...
Havana palmilhámos ao pormenor, caminhando durante dezenas de kilometros dos bairros mais turísticos aos menos conhecidos, e o seu espírito é de facto incrível. Só faltou mesmo o calorzinho, pq apanhámos uma frente fria e não tava verão no seu melhor, mas enfim...
Praça da Revolução (sem ser permitido atravessar do centro para os passeios laterais, e com guardas armados em todo o lado), Passeio do Prado, ex-Capitólio, Igreja de S Francisco, Catedral, Forte, ruas típicas, La Floridita, La Bodeguita del Medio, Hotel Ambos os Mundo e muito, muito Hemingway....lá fomos provando as delícias do Rum nos seus vários formatos: Run Collins, Mojito, Daiquiri, etc etc... :):):)
Depois seguimos para as praias de areia branca, farinha, e agua azul turquesa, tão clara e transparente que nos imaginámos num postal. O tempo começou a melhorar e sempre que havia um raio de sol mais durador parávamos as actividades (tennis, caminhadas, copos, etc) e ficávamos esponjadas ao sol na praia. Ok, ainda fiz corrida matinal na areia e fomos passear à vela num Hobbie cat mt porreiro.
Mas Varadero é outra realidade, é turismo em barda, é exploração, é outro feeling...não deixando de ter uma praia fabulosa, ainda teria muito que alterar se não quiser enverdar ainda mais pelo turismo de massa que já é e converter-se num turismo de qualidade.
Mas foram umas férias muito muito boas, sobretudo pela companhia da minha querida xuxu Verinha que alinha em todas a minhas loucuras, talvez por ela ser igual em versão xanax.
Hasta la Revolución?
S
ps- entretanto já em Portugal fui ver uma exposição do Korda, célebre fotografo do El Comandante, que tirou a famosa foto do Che que hoje circula por todo o mundo como símbolo de revolução. Muito gira!
domingo, fevereiro 14, 2010
quinta-feira, dezembro 10, 2009
e viagens?
num mar de azeite...é onde andam as minhas viagens :P
Depois da Madeira não voltei a fazer as malas.
Planos e sonhos tenho sempre que por hora aguardam que a sensação que tenho do que é certo me guie, como sempre até aqui.
Umas vezes diz-me p ir, outras impede-me de voar, mesmo quando a razão não me explique a acção.
xiiiiiii
quando não temos nada que nos angustie, arranjamos, não é?
LOL
:) agora com menos filosofia e mais objectividade: a proxima grande viagem em plano será de 3 semanas entre Laos, Vietname e Cambodja, com um saltinho a uma ilha de praia, talves na Indonésia...we'll see!...desta vez alone, por enquanto.
S, I need to shake it up
Depois da Madeira não voltei a fazer as malas.
Planos e sonhos tenho sempre que por hora aguardam que a sensação que tenho do que é certo me guie, como sempre até aqui.
Umas vezes diz-me p ir, outras impede-me de voar, mesmo quando a razão não me explique a acção.
xiiiiiii
quando não temos nada que nos angustie, arranjamos, não é?
LOL
:) agora com menos filosofia e mais objectividade: a proxima grande viagem em plano será de 3 semanas entre Laos, Vietname e Cambodja, com um saltinho a uma ilha de praia, talves na Indonésia...we'll see!...desta vez alone, por enquanto.
S, I need to shake it up
domingo, novembro 15, 2009
domingo de chuva...mas lindo, lindo, lindo.
Adoro ver as ondas revoltas nestes dias, com força e arrebatamento, a intensidade das vagas, o cinza do céu, é uma imagem simplesmente divina.
e o brunch com a amiga a ver a baía e a ouvir boa música deram-me já uma boa razão para sentir que este foi mais um dia...perfeito
boa semana!
S
Adoro ver as ondas revoltas nestes dias, com força e arrebatamento, a intensidade das vagas, o cinza do céu, é uma imagem simplesmente divina.
e o brunch com a amiga a ver a baía e a ouvir boa música deram-me já uma boa razão para sentir que este foi mais um dia...perfeito
boa semana!
S
Viajo porque preciso, Volto porque te amo!
anos a pensar em como definir o que me faz sempre querer ir e dp voltar.
Esta frase diz tudo...vou porque preciso, é parte da minha natureza ir, mas volto sempre porque amo...amo tudo aqui, em casa.
Isto é o título de um filme brasileiro a estrear em Dez, valerá tanto como o seu título? ...let's see!
S,happy
Esta frase diz tudo...vou porque preciso, é parte da minha natureza ir, mas volto sempre porque amo...amo tudo aqui, em casa.
Isto é o título de um filme brasileiro a estrear em Dez, valerá tanto como o seu título? ...let's see!
S,happy
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